quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Morte e Dor dos Animais

 Casa Espírita Missionários da Luz – Juventude > 16 anos –14/08/2026

Tema: Morte e Dor dos Animais

Objetivos:

  • A eutanásia em animais é contra as leis de Deus?

  • O ser humano tem o direito de controlar a população animal?

  • É contra a lei de Deus mutilar os animais?

Bibliografia:

  • O Livro dos Espíritos, 2ª parte, cap. XI Dos 3 Reinos, item ‘Os animais e o homem’, pergs 595 à 600; 3ª parte, Cap IV (Lei de reprodução) item ‘Obstáculos à Reprodução’, perg. 693;

  • ESE, Cap. V item 28 (eutanásia);

  • A Gênese”, de Allan Kardec, cap. III, itens 20 à 24 'Destruição dos seres vivos uns pelos outros'; cap. XVIII, item "Sinais dos tempos", n° 8;

  • RE Out/1868, 'Instruções dos Espíritos';

  • Aulas da Vida, Emmanuel/Chico Xavier, Cap 21 ‘Animais e Sofrimento’;

  • Depois da Morte, Léon Denis, 2ª parte, cap. 13.


https://www.oconsolador.com.br/ano15/742/especial.html - A dor nos animais

Material: LE

1. Hora da novidade, exercícios de respiração profunda, e prece inicial

2. Motivação inicial:

Fazer 3 grupinhos para responderem às perguntas:

a - Se animais não têm consciência, por que sofrem?

b - Castrar animais constitui transgressão de alguma Lei Divina?

C - É condenável praticar a eutanásia no animal sofrendo dores, tendo mal sem cura?

3. Discussão do tema a partir das respostas dos subgrupos.

a - Se animais não têm consciência, por que sofrem?

Ninguém sofre, de um modo ou de outro, tão-somente para resgatar o preço de alguma coisa.

Sofre-se também angariando os recursos precisos para obtê-la.

Assim é que o animal atravessa longas eras de prova a fim de domesticar-se, tanto quanto o homem atravessa outras tantas longas eras para instruir-se. (...)

O animal igualmente para atingir a auréola da razão deve conhecer benemérita e comprida fieira de experiências que terminarão por integrá-lo na posse definitiva do raciocínio.

Compreendamos, desse modo, que o sofrimento é ingrediente inalienável no prato do progresso. (...)

O animal se esforça para obter as próprias percepções e estabelecê-las.

O homem se esforça avançando da inteligência para a sublimação.

Dor física no animal é passaporte para mais amplos recursos nos domínios da evolução.

Dor física, acrescida de dor moral no homem, é fixação de responsabilidade em trânsito para a Vida Maior. (Emmanuel, Aulas da Vida, Cap. 21 'Animais e Sofrimento').


E Kardec fala em A Gênese, Cap. III, quando aborda a questão da destruição dos animais uns pelos outros para se nutrirem:

21. A verdadeira vida, tanto do animal como do homem, não está no invólucro corporal, do mesmo que não está no vestuário. Está no princípio inteligente que preexiste e sobrevive ao corpo . Esse princípio necessita do corpo, para se desenvolver pelo trabalho que lhe cumpre realizar sobre a matéria bruta. O corpo se consome nesse trabalho, mas o Espírito não se gasta; ao contrário, sai dele cada vez mais forte, mais lúcido e mais apto.”

23. Há também considerações morais de ordem elevada. — É necessária a luta para o desenvolvimento do Espírito. Na luta é que ele exercita suas faculdades. O que ataca em busca do alimento e o que se defende para conservar a vida usam de habilidade e inteligência, aumentando, em consequência, suas forças intelectuais. Um dos dois sucumbe; mas, em realidade, que foi o que o mais forte ou o mais destro tirou ao mais fraco? A veste de carne, nada mais; ulteriormente, o Espírito, que não morreu, tomará outra.”


==> Então, o sofrimento dos animais é um instrumento de evolução, de aquisição de experiências.

E também sofrem, para que registrem em sua memória espiritual, que a dor dói, é ruim. Assim, ao evoluírem, alcançando a inteligência, já trarão na bagagem cognitiva que a dor deve ser evitada, tanto a própria, na autopreservação, como a do próximo


b - Castrar animais constitui transgressão de alguma Lei Divina?

Kardec tratou essa questão, de modo indireto, no LE, na Lei de Reprodução:

Perg. 693. São contrários à lei da natureza as leis e os costumes humanos que têm por fim ou por efeito criar obstáculos à reprodução?

Tudo o que embaraça a natureza em sua marcha é contrário à lei geral.”

a)Entretanto, há espécies de seres vivos, animais e plantas, cuja reprodução indefinida seria nociva a outras espécies, e da qual o próprio homem acabaria por ser vítima. Pratica ele ato repreensível, impedindo essa reprodução?

Deus concedeu ao homem, sobre todos os seres vivos, um poder de que ele deve usar, sem abusar. Pode, pois, regular a reprodução, de acordo com as necessidades; não deve, porém, opor-lhe obstáculos desnecessariamente. A ação inteligente do homem é um contrapeso que Deus dispôs para restabelecer o equilíbrio entre as forças da natureza, e é ainda isso o que o distingue dos animais, porque ele obra com conhecimento de causa. Mas os próprios animais também concorrem para a existência desse equilíbrio, porquanto o instinto de destruição que lhes foi dado faz com que, provendo à própria conservação, obstem ao desenvolvimento excessivo, quiçá perigoso, das espécies animais e vegetais de que se alimentam.”

==> Como podemos expandir esse raciocínio para nossos pets?

Nesse caso, não se trata de controle de reprodução excessiva, mas pela situação de cada um de nós, no cuidado com os nossos pets.

==> Como disse a resposta dos Espíritos, Deus nos deu atuação sobre os animais. Devemos usar essa ação com consciência, com desejo do bem, e não por maldade, ganância ou egoísmo.

C - É condenável praticar a eutanásia no animal sofrendo dores, tendo mal sem cura?

Nós vimos há umas semanas atrás, sobre a Eutanásia, e vimos a resposta de São Luís, no Evangelho:

Sei bem haver casos que se podem, com razão, considerar desesperadores; mas, se não há nenhuma esperança fundada de um regresso definitivo à vida e à saúde, existe a possibilidade, atestada por inúmeros exemplos, de o doente, no momento mesmo de exalar o último suspiro, reanimar-se e recobrar por alguns instantes as faculdades! Pois bem: essa hora de graça, que lhe é concedida, pode ser-lhe de grande importância. Desconheceis as reflexões que seu Espírito poderá fazer nas convulsões da agonia e quantos tormentos lhe pode poupar um relâmpago de arrependimento.

O materialista, que apenas vê o corpo e em nenhuma conta tem a alma, é inapto a compreender essas coisas; o espírita, porém, que já sabe o que se passa no além-túmulo, conhece o valor de um último pensamento. Minorai os derradeiros sofrimentos, quanto o puderdes; mas, guardai-vos de abreviar a vida, ainda que de um minuto, porque esse minuto pode evitar muitas lágrimas no futuro. (S. Luís, Paris, 1860) (Cap. V item 28)


==> Isso no caso dos seres humanos. Mas é diferente no caso dos animais! Como vimos, eles não tem a questão moral, causa e efeito; tem o livre arbítrio apenas relacionado à questão da vida material: conservação da vida. Vemos isso na questão 595 do LE:

Perg. 595. Gozam de livre-arbítrio os animais, para a prática dos seus atos?

Os animais não são simples máquinas, como supondes. Contudo, a liberdade de ação de que desfrutam é limitada pelas suas necessidades, e não se pode comparar à do homem. Sendo bem inferiores a este, não têm os mesmos deveres que ele. A liberdade, possuem-na restrita aos atos da vida material.”

==> não tem razão deixar sofrer um animal por uma doença incurável. Eutanásia é só nesse caso: auxiliar, tirando a dor. Eutanásia é quando é irreversível a situação, é pra aliviar a dor! Tem por base, o amor!

E isso fica por conta de cada tutor do pet, certo?

==> Sempre a partir da avaliação de um médico veterinário, que tem condições de fazer a eutanásia, sem causar dor no animalzinho.

==> completamente diferente de sacrifício! Sacrifício de animais é assassiná-los por outros motivos. Isso é crueldade para com os animais!

==> quanta crueldade existe para com os animais, na indústria da carne! Sabemos que a alimentação animal ainda é uma necessidade, mas não com crueldade, nem tratando-os como se fossem objetos! Isso já é abuso do ser humano, no uso do poder que Deus nos concedeu junto aos animais.

==> outra questão que nós, enquanto sociedade, precisamos rever: uso de animais como cobaias de experimentos de novos medicamentos, cosméticos, e nem sei mais que outros usos.

Dentro do possível, busquemos evitar o uso de produtos cujos testes foram feitos em animais, quando já existem métodos outros, mais conscientes.

5. Conclusão

Sempre o amor deve estar por base de nossas decisões com relação aos animais. São nossos irmãos menores! É nosso papel cuidar dos animais!

6. Prece Final e passes coletivos

7. Avaliação:

Encontro com 10 jovens (7 da Juv 2, e 3 da Juv1), com bastante participação. Fizemos 3 rodízios de um de cada trio, para compartilhar as discussões. A maior dúvida foi a primeira pergunta. As outras duas, responderam na hora!

8. Anexos:

Livro dos Espíritos

perg. 597a: É também uma alma, se o quiserdes; isso depende do sentido em que se tome a palavra; mas é inferior à do homem. Há, entre a alma dos animais e a do homem tanta distância quanto entre a alma do homem e Deus. (LE, perg. 597a)

Perg. 598. Após a morte, conserva a alma dos animais a sua individualidade e a consciência de si mesma? “Conserva sua individualidade; quanto à consciência do seu eu, não. A vida inteligente lhe permanece em estado latente.”


Perg. 600. Sobrevivendo ao corpo em que habitou, a alma do animal vem a achar-se, depois da morte, num estado de erraticidade, como a do homem?

Fica numa espécie de erraticidade, pois que não mais se acha unida ao corpo, mas não é um Espírito errante. O Espírito errante é um ser que pensa e obra por sua livre vontade. De idêntica faculdade não dispõe o dos animais. A consciência de si mesmo é o que constitui o principal atributo do Espírito. O do animal, depois da morte, é classificado pelos Espíritos a quem incumbe essa tarefa e utilizado quase imediatamente; não lhe é dado tempo de entrar em relação com outras criaturas.”


A Gênese”, cap. III, item 'Destruição dos seres vivos uns pelos outros'

20. A destruição recíproca dos seres vivos é, dentre as leis da natureza, uma das que, à primeira vista, menos parecem conciliar-se com a bondade de Deus. Pergunta-se por que lhes criou ele a necessidade de mutuamente se destruírem, para se alimentarem uns à custa dos outros. Para quem apenas vê a matéria e restringe à vida presente a sua visão, há de isso, com efeito, parecer uma imperfeição na obra divina. (...)

21. A verdadeira vida, tanto do animal como do homem, não está no invólucro corporal, do mesmo que não está no vestuário. Está no princípio inteligente que preexiste e sobrevive ao corpo . Esse princípio necessita do corpo, para se desenvolver pelo trabalho que lhe cumpre realizar sobre a matéria bruta. O corpo se consome nesse trabalho, mas o Espírito não se gasta; ao contrário, sai dele cada vez mais forte, mais lúcido e mais apto. Que importa, pois, que o Espírito mude mais ou menos frequentemente de envoltório?! Não deixa por isso de ser Espírito. É precisamente como se um homem mudasse cem vezes no ano as suas vestes. Não deixaria por isso de ser homem.

Por meio do incessante espetáculo da destruição, ensina Deus aos homens o pouco caso que devem fazer do envoltório material e lhes suscita a ideia da vida espiritual, fazendo que a desejem como uma compensação.

24. Nos seres inferiores da criação, naqueles a quem ainda falta o senso moral, em os quais a inteligência ainda não substituiu o instinto, a luta não pode ter por móvel senão a satisfação de uma necessidade material. Ora, uma das mais imperiosas dessas necessidades é a da alimentação. Eles, pois, lutam unicamente para viver, isto é, para fazer ou defender uma presa, visto que nenhum móvel mais elevado os poderia estimular. É nesse primeiro período que a alma se elabora e ensaia para a vida.


A Gênese”, de Allan Kardec, cap. XVIII, item "Sinais dos tempos", n° 8

RE Out/1868, 'Instruções dos Espíritos'.


A matéria orgânica não poderia escapar a essas influências; as perturbações que ela sofre podem, pois, alterar o estado físico dos seres vivos e determinar algumas dessas enfermidades que atacam de modo geral as plantas, os animais e os homens, enfermidades que, como todos os flagelos, são, para a inteligência humana, um estimulante que a impele, por força da necessidade, a procurar meios de os combater e a descobrir leis da natureza. (pelo Espírito Arago)

Depois da Morte, Léon Denis, 2ª parte, cap. 13

A dor é uma advertência necessária, um estimulante à vontade do homem, pois nos obriga a nos concentrarmos para refletir, e força-nos a domar as paixões. A dor é o caminho do aperfeiçoamento. Física ou moral, é um meio poderoso de desenvolvimento e de progresso. É purificação suprema, é a escola em que se aprendem a paciência, a resignação e todos os deveres austeros. É a fornalha onde se funde o egoísmo em que se dissolve o orgulho.”

AULAS da VIDA - Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos, Cap 21 'Animais e Sofrimento'

Se os animais estão isentos da lei de causa e efeito, em suas motivações profundas, já que não têm culpas a expiar, de que maneira se lhes justificar os sacrifícios e aflições?

Assunto aparentemente relacionado com injustiça, mas a lógica nos deve orientar os passos na solução do problema.

Imperioso interpretar a dor por mais altos padrões de entendimento.

Ninguém sofre, de um modo ou de outro, tão-somente para resgatar o preço de alguma coisa.

Sofre-se também angariando os recursos precisos para obtê-la.

Assim é que o animal atravessa longas eras de prova a fim de domesticar-se, tanto quanto o homem atravessa outras tantas longas eras para instruir-se.


Que mal terá praticado o aprendiz a fim de submeter-se aos constrangimentos da escola?

E acaso conseguirá ele diplomar-se em conhecimento superior se foge às penas edificantes da disciplina?


Espírito algum obtém elevação ou cultura por osmose, mas sim através de trabalho paciente e intransferível.

O animal igualmente para atingir a auréola da razão deve conhecer benemérita e comprida fieira de experiências que terminarão por integrá-lo na posse definitiva do raciocínio.

Compreendamos, desse modo, que o sofrimento é ingrediente inalienável no prato do progresso.

Todo ser criado simples e ignorante é compelido a lutar pela conquista da razão, e atingindo a razão, entre os homens, é compelido igualmente a lutar a fim de burilar-se devidamente.

O animal se esforça para obter as próprias percepções e estabelecê-las.

O homem se esforça avançando da inteligência para a sublimação.

Dor física no animal é passaporte para mais amplos recursos nos domínios da evolução.

Dor física, acrescida de dor moral no homem, é fixação de responsabilidade em trânsito para a Vida Maior.

Certifiquemo-nos, porém, de que toda criatura caminha para o reino da angelitude, e que, investindo-se na posição de espírito sublime, não mais conhece a dor, porquanto o amor ser-lhe-á sol no coração dissipando todas as sombras da vida ao toque de sua própria luz.

Emmanuel

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