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quarta-feira, 18 de março de 2026

A Força do Pensamento

 Casa Espírita Missionários da Luz – DIJ – Juventude 1: > 16 anos

13/03/2026

Tema – A Força do Pensamento

Objetivos:

  • Entender a força do pensamento em nossos atos;

  • Estudar a forma como o pensamento age sobre os fluidos;

  • Entender o mecanismo da prece.

Bibliografia:

  • O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, pergs 27, 30 à 33, 36; perg 459 (Influência oculta dos Espíritos); pergs 649, 659 à 664, 666 (Lei de Adoração);

  • Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, Cap. XXVII – Pedi e Obtereis;

  • A Gênese, Cap II (Deus) item 24; Cap. XIV (Os Fluidos), itens  itens 9 e 10 (Perispírito),  item  15 (Fotografia do Pensamento); item 16 (Qualidade dos Fluidos);

  • Diversidade dos Carismas, Hermínio Miranda, Cap XVIII Desenvolvimento, Item 5 ‘Lixo Mental’.

Material: Projetor e notebook; um exemplar de o ESE e do LE; rolo de barbante.

Vídeo trecho de uma palestra de Andrei Moreira – Formas Pensamento (2:29min):

https://www.youtube.com/watch?v=lD6QTT2qsp8 (acessado em 11/03/2026)

Procedimentos:

  1. Hora da novidade (a prece inicial é feita após o Momento Musical)

  2. Motivação Inicial

Aplicar uma dinâmica para demonstrar a importância de cuidar com os nossos pensamentos para não gerar controles mentais automáticos e possíveis ações indesejadas.


Propor aos jovens: eu vou falar uma frase e caso vocês a conheçam, não podem completá-la nem em pensamento, ok? Eu vou começar a frase e vocês não podem terminá-la nem mentalmente.

Falar pausadamente o início das frases sem concluí-las:

i) para bom entendedor meia … (palavra basta)

ii) de grão em grão a galinha … (enche o papo)

iii) cada macaco no … (no seu galho)

iv) casa de ferreiro o espeto … (é de pau)

v) água mole em pedra dura … (tanto bate até que fura)

vi) filho de peixe … (peixinho é)

- Como foi? Conseguiram não completar a frase nem pensamento? É difícil, né? Por quê?

==> deixar que tentem responder

- Porque nós já alimentamos a nossa mente com esses ditos populares desde a infância. Então quando a gente ouve o começo de uma frase conhecida, a nossa mente já completa essa frase automaticamente com aquilo que nós somos alimentados mentalmente.

- Que relação podemos fazer desse fato com nossa conduta, com nossos pensamentos diários?

==> que devemos cuidar com os nossos pensamentos! Temos que cuidar com o que colocamos para dentro da nossa mente para conseguir evitar que pensamentos negativos entrem e façam morada em nossa mente. O chamado “lixo mental”. Pois uma vez que estejam sedimentados em nossa casa mental, essas ideias tomam nossos pensamentos diários sem que percebamos!

- quem pode dar exemplo de um lixo mental?

“Por exemplo: uma leitura perniciosa, um filme pornográfico, anedota inconveniente, uma notícia escandalosa no jornal ou na tv cena chocante na rua que, em vez de passar ao largo, vai ver de perto, para 'conferir'. Enfim, inúmeros atos de verdadeira morbidez espiritual, por melhor que sejam as intenções.” (Hermínio Miranda, em Diversidade dos Carismas).

Podemos associar com um programa de um computador: processa os dados, as informações recebidas. Se o sistema foi alimentado com dados falsos ou de baixa qualidade, os resultados apresentados serão falsos ou ruins! Não tem mágica!!!

Hermínio Miranda, nesse mesmo livro, Diversidade dos Carismas, faz essa comparação:

“Também nós somos computadores. Superinteligentes e dotados de livre-arbítrio, programados para alcançar a paz e a felicidade totais, que o Cristo caracterizou como o Reino de Deus, explicando muito bem que esse Reino já está em nós, cabendo-nos, apenas, realizá-lo. Chegaremos lá, portanto, um dia. O único problema grave aí é que permitimos a entrada de uma quantidade espantosa de 'lixo mental' em nossas memórias e, por isso, a cada passo, o programa se desvia e acarreta atrasos imprevisíveis e lamentáveis, seculares, milenares até.”

  1. Desenvolvimento

Vamos ver um vídeo bem curtinho, do Andrei Moreira, palestrante espírita, sobre a força do pensamento:

Vídeo trecho de uma palestra de Andrei Moreira – Formas Pensamento (2:29min):

https://www.youtube.com/watch?v=lD6QTT2qsp8

- aqui vemos a força dos nossos pensamentos, criando uma atmosfera psíquica em torno de nós, que se conecta com outras mentes que vibram na mesma sintonia.

==> E somos retroalimentados por essa atmosfera psíquica que nós mesmos criamos!

==> quantas vezes, num assunto qualquer, já começam a vir diversos pensamentos pessimistas dizendo que não vai dar certo? É o automatismo do que colocamos na mente, ampliado pelas outras mentes que sintonizam conosco!

- Qual perg do LE fala dessa conexão de nossos pensamentos com pensamentos de Espíritos desencarnados?

==> perg 459 (Influência oculta dos Espíritos)! 4 + 5 = 9!!! ==> 459!!!

O que diz essa perg e qual a resposta que os Espíritos deram a Kardec?

 Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?

“Mais do que imaginais, pois com bastante frequência são eles que vos dirigem.”

Semana passada estudamos a prece que Jesus nos ensinou: O Pai Nosso.

Qual é a ligação desses 2 assuntos? Pensamento e Prece?

No LE, 3a.parte, das Leis Morais, na Lei de Adoração, Kardec perguntou aos Espíritos:

Perg. 649. Em que consiste a adoração?

“Na elevação do pensamento a Deus. Deste, pela adoração, aproxima o homem sua alma.”

==> a prece é um pensamento direcionado a Deus!

Os Espíritos responderam mais adiante:

Perg. 659. Qual o caráter geral da prece?

“A prece é um ato de adoração. Orar a Deus é pensar nele; é aproximar-se dele; é pôr-se em comunicação com ele. A três coisas podemos propor-nos por meio da prece: louvar, pedir, agradecer.”

E no Evangelho, cap. XXVII, “Pedi e Obtereis”, item 9: Ação da prece. Transmissão do pensamento, Kardec coloca:

“A prece é uma invocação, mediante a qual o homem entra, pelo pensamento, em comunicação com o ser a quem se dirige. Pode ter por objeto um pedido, um agradecimento, ou uma glorificação. Podemos orar por nós mesmos ou por outrem, pelos vivos ou pelos mortos.”

==> aqui vemos aquela questão do lixo mental… Quantas vezes na hora da prece, vem um pensamento nada a ver, interrompendo a nossa prece? O que devemos fazer então?

- voltar o pensamento à prece; movimentar a nossa vontade, dando força e energia aos pensamentos da prece!

==> Lembrar o evento de sábado na FEP, sobre os Poderes da Alma: Pensamento, Consciência, Vontade, Amor! (Tema da CEE/PR 2026 – O Problema do Ser, do Destino e da Dor, de Léon Denis).

- Vocês já pensaram como é que nossa prece chega até Deus?

- Nesse mesmo cap. do Evangelho, cap. XXVII, item 10 Ação da prece. Transmissão do pensamento, Kardec explica: (ler pausadamente, explicando os pontos principais):

“O Espiritismo torna compreensível a ação da prece, explicando o modo de transmissão do pensamento, (…)”.

“Para apreendermos o que ocorre em tal circunstância, precisamos conceber mergulhados no fluido universal, que ocupa o espaço, todos os seres, encarnados e desencarnados, tal qual nos achamos, neste mundo, dentro da atmosfera. Esse fluido recebe da vontade uma impulsão; ele é o veículo do pensamento, como o ar o é do som, com a diferença de que as vibrações do ar são circunscritas, ao passo que as do fluido universal se estendem ao infinito. Dirigido, pois, o pensamento para um ser qualquer, na Terra ou no espaço, de encarnado para desencarnado, ou vice-versa, uma corrente fluídica se estabelece entre um e outro, transmitindo de um ao outro o pensamento, como o ar transmite o som.”

“A energia da corrente guarda proporção com a do pensamento e da vontade. É assim que os Espíritos ouvem a prece que lhes é dirigida, qualquer que seja o lugar onde se encontrem; é assim que os Espíritos se comunicam entre si, que nos transmitem suas inspirações, que relações se estabelecem a distância entre encarnados.”

Fixação do conceito:

Vamos ver como seria?

Pegar o rolo de barbante, enrolar uma ponta no dedo, e jogar o rolo para um dos jovens. Pedir que quem recebeu o rolo, faça a mesma coisa até que todos da sala estejam conectados na “rede” formada pelo barbante.

==> reforçar a questão do impulso na rede pela ação da vontade: todos conectados na mesma sintonia, percebem o impulso.

  1. Conclusão

Jesus nos orientou sobre as condições para que a prece de fato, seja uma prece:

(Ler o trecho do evangelho, cap. XXVII, item 1)

“Quando quiserdes orar, entrai para o vosso quarto e, fechada a porta, orai a vosso Pai em secreto; e vosso Pai, que vê o que se passa em secreto, vos dará a recompensa.” (Jesus)

E no cap. XXVII, item 15

“Está no pensamento o poder da prece, que por nada depende nem das palavras, nem do lugar, nem do momento em que seja feita. Pode-se, portanto, orar em toda parte e a qualquer hora, a sós ou em comum.”

==> esse quarto de porta fechada de que Jesus fala é o nosso mundo íntimo! Nos desligarmos do exterior, para direcionar nosso pensamento a Deus! Pensamento e Vontade!

  1. Propor o retorno à leitura do livro Céu Azul.

Ano passado combinamos a leitura do livro espírita Céu azul, por Célia Xavier de Camargo (Autor), César Augusto Melero (Autor). A ideia é todos lerem os capítulos combinados durante a semana e um de vocês resumiria o essencial, os aprendizados do que foi lido, e nos últimos 15 min ao fim de cada encontro.

Em 2025 fomos até o Cap. 26.

Pedir a um dos jovens que resuma o que estudamos do livro em 2025.

  1. Passes coletivos e prece final.

Avaliação:

Encontro com 9 jovens, com participação e interesse. Se interessaram pela questão do “lixo mental”. No final fizeram perguntas sobre outros assuntos de interesse momentâneo deles.

Perceberam como é difícil não pensar automaticamente. Fizemos a conexão com a prece e o meio da prece chegar ao seu destino. Se interessaram pelo vídeo do Andrei. As perguntas do LE e o texto do ESE só foram citados. Nâo deu tempo da atividade de fixação, nem de falar do livro Céu Azul.

Anexos/ Apoio Doutrinário:

O Livro dos Espíritos

O pensamento e a vontade representam em nós um poder de ação que alcança muito além dos limites da nossa esfera corporal. A prece que façamos por outrem é um ato dessa vontade. Se for ardente e sincera, pode chamar, em auxílio daquele por quem oramos, os Espíritos bons, que lhe virão sugerir bons pensamentos e dar a força de que necessitem seu corpo e sua alma. Mas, ainda aqui, a prece do coração é tudo, a dos lábios nada vale. (Comentário de Kardec à perg.662)

A Gênese, Cap. II

24. Seja ou não assim no que concerne ao pensamento de Deus, isto é, quer o pensamento de Deus atue diretamente, quer por intermédio de um fluido, para facilitarmos a compreensão à nossa inteligência, figuremo-lo sob a forma concreta de um fluido inteligente que enche o universo infinito e penetra todas as partes da criação: a Natureza inteira mergulhada no fluido divino. Ora, em virtude do princípio de que as partes de um todo são da mesma natureza e têm as mesmas propriedades que ele, cada átomo desse fluido, se assim nos podemos exprimir, possuindo o pensamento, isto é, os atributos essenciais da Divindade e estando o mesmo fluido em toda parte, tudo está submetido à sua ação inteligente, à sua previdência, à sua solicitude. Nenhum ser haverá, por mais ínfimo que o suponhamos, que não esteja saturado dele. Achamo-nos então, constantemente, em presença da Divindade; nenhuma das nossas ações lhe podemos subtrair ao olhar; o nosso pensamento está em contacto ininterrupto com o seu pensamento, havendo, pois, razão para dizer-se que Deus vê os mais profundos refolhos do nosso coração. Estamos nele, como ele está em nós, segundo a palavra do Cristo.

A Gênese, Cap.XIV:

15. Sendo os fluidos o veículo do pensamento, este atua sobre os fluidos como o som sobre o ar; eles nos trazem o pensamento, como o ar nos traz o som. Pode-se pois dizer, sem receio de errar, que há, nesses fluidos, ondas e raios de pensamentos, que se cruzam sem se confundirem, como há no ar ondas e raios sonoros. Há mais: criando imagens fluídicas, o pensamento se reflete no envoltório perispirítico, como num espelho; toma nele corpo e aí de certo modo se fotografa. Tenha um homem, por exemplo, a ideia de matar a outro: embora o corpo material se lhe conserve impassível, seu corpo fluídico é posto em ação pelo pensamento e reproduz todos os matizes deste último; executa fluidicamente o gesto, o ato que intentou praticar.

Trechos de Diversidade dos Carismas, Cap XVIII Desenvolvimento, item 5 ‘Lixo Mental’

“Médiuns e demais participantes de grupos e centros queixam-se, às vezes, de que é difícil concentrar porque, mal conseguem aquietar a mente por alguns momentos, começam a surgir pensamentos e imagens indesejáveis, de baixo teor.”

“Um amigo e confrade que trabalha no mundo mágico dos computadores chamou minha atenção, há tempos, para uma expressão do jargão cibernético que circula entre os seus técnicos, algo assim como: 'de onde entra lixo só pode sair lixo'. (Miranda, Hermínio, 1984)

Isto significa, naturalmente, que o computador dá exatamente aquilo que recebe, ou seja, ele responde dentro dos dados confiados à sua memória, segundo a programação nele instalada. Não inventa, nem cria; apenas analisa, compara e escolhe, como lhe foi ensinado.”

“Queria dizer com isso que o computador não tem capacidade criadora, a sua inteligência artificial fica dentro dos limites dos dados com os quais foi alimentada a sua memória, e sua eficiência depende, ainda, da sua capacidade de processamento e da competência de seus programadores humanos.”

“Também nós somos computadores. Superinteligentes e dotados de livre-arbítrio, programados para alcançar a paz e a felicidade totais, que o Cristo caracterizou como o Reino de Deus, explicando muito bem que esse Reino já está em nós, cabendo-nos, apenas, realizá-lo. Chegaremos lá, portanto, um dia. O único problema grave aí é que permitimos a entrada de uma quantidade espantosa de 'lixo mental' em nossas memórias e, por isso, a cada passo, o programa se desvia e acarreta atrasos imprevisíveis e lamentáveis, seculares, milenares até.”

“Nem sempre, contudo, a gente percebe que está colocando lixo na memória. Por exemplo: uma leitura perniciosa, um filme pornográfico, anedota inconveniente, uma notícia escandalosa no jornal ou na tv cena chocante na rua que, em vez de passar ao largo, vai ver de perto, para 'conferir'. Enfim, inúmeros atos de verdadeira morbidez espiritual, por melhor que sejam as intenções.

Digamos que você seja espírita e que frequente um grupo mediúnico sério e devotado à tarefa do socorro espiritual. É bem provável que, no momento crítico em que toda a sua atenção e concentração estão sendo exigidas e para levar a bom termo a tarefa coletiva, comecem a emergir dos recessos da memória certas cenas deprimentes, vistas ou lidas.”

“É que sua memória começou, de repente, a regurgitar o lixo que você colocou lá. E, como era de se esperar, nos momentos mais inoportunos.

Coincidência? Nada disso. Espíritos desarmonizados deram, aí, sua contribuição para que, no momento crítico, você fosse neutralizado. Basta induzir um mergulho em imagens prejudiciais à tônica da tarefa socorrista, que exige de nós, pelo menos enquanto estamos ali, certa dose de renúncia e um mínimo de pureza. Como poderá haver pureza se o lixo mental está acumulado nas memórias de nosso computador pessoal?”

“Você sabe o que tem a fazer. É simples, claro e direto: Não ponha lixo mental na memória.”

(…) fica no ar uma pergunta que interessa ao nosso livro: uma vez que o lixo já está lá, como eliminá-lo?

A primeira observação a respeito é contundente e pode gerar até algo parecido com o desalento, mas aí vai ela: a memória é indelével. Tudo o que ela registrou é para sempre.”

“Isso não impede, porém, que você procure policiar o seu pensamento e esteja bem atento e vigilante para que, ao menor sinal de que sua memória vá começar a regurgitar, você mude prontamente o rumo, bloqueando, com um pensamento diferente, positivo, tranquilizante e harmonioso, as imagens ou lembranças indesejáveis. Um bom recurso é a prece imediata e atenta, com o pensamento posto nas palavras que você está mentalmente recitando; não uma prece pré-fabricada que se repete maquinalmente sem saber o que se está dizendo.”

“Mas, além de combater as lembranças indesejáveis, procurando bloquear o fluxo inoportuno, você precisa, também, mudar o mobiliário da sua casa mental, ocupando com ideias novas, positivas, construtivas, espaços da memória que, deixados na ociosidade, tendem a ser ocupados com as latas de lixo mental que, infelizmente, são recolhidas ao longo do tempo. O problema é que, mesmo varrendo o lixo para debaixo do tapete, ele continua ali, sabemos que ele está ali e que um dia pode espalhar-se novamente.

Quando falo em mobiliário, quero dizer: introduzir na memória somente - e tanto quanto possível - material selecionado com o mais atento cuidado. O livro é suspeito? Não o leia. O filme cuida de uma temática duvidosa ou francamente repulsiva? Não o veja. A conversa encaminha-se para uma rodada de anedotas inconvenientes? Disfarce e saia, se não conseguir mudar o seu rumo. A notícia de jornal é escandalosa? Leia outra coisa.”

“Do que se depreende que, em matéria de lixo mental, o caminho certo é o da profilaxia, da prevenção, muito mais do que o da terapêutica. Em outras palavras: é infinitamente melhor tomar a vacina para não se contaminar contra o vírus do que encher-se de remédios para se livrar dele, depois que o mesmo está instalado. Se conseguirmos que não entre mais lixo em nossa mente, já teremos alcançado importante vitória nas inúmeras batalhas da vida.”

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Curas de Jesus

 Casa Espírita Missionários da Luz - DIJ – Mocidade > 14 anos – 14/11/2025

Tema: Curas de Jesus.

Objetivos:

  • Estudar no cap. XV de A Gênese, no item “Curas”, alguns exemplos do NT.

Bibliografia:

- O Livro dos Espíritos, perg 625 (Jesus, guia e modelo); perg 113 (Espíritos Puros);

- A Gênese, Cap. XIV, itens 9 e 10 (Perispírito), item 16 (Qualidade dos Fluidos), item 22 (Dupla Vista), Cap. XIV, item 31 (Curas); itens 45 à 47 (Obsessões e Possessões); Cap XV.

Material: Um exemplar de A Gênese

Procedimentos:

  1. Hora da novidade, exercícios de respiração profunda e prece inicial.

  2. Motivação inicial:

Hoje vamos estudar alguns eventos do Evangelho, relativos aos ditos milagres de Jesus.
Kardec colocou um cap. no último livro que ele publicou A Gênese, para analisar alguns desses fatos relatados no NT, de acordo com a teoria espírita.

Vamos começar com um pinga-fogo sobre Jesus, quem Ele era, como agia, a Sua natureza.

(A Gênese, Cap XV item 2)

Usar um sorteador para escolha de quem vai responder às perguntas do Pinga-Fogo.

(https://sorteio.com/sorteio-de-nomes)
Não vale responder Sim ou Não. ;-) Tem que explicar a resposta….

Perguntas:

i. Sabemos que Jesus nasceu; a história registra a Sua existência. Quem era Jesus?

Opções de respostas:

a) Um Espírito Superior de ordem mais elevada b) Um Missionário Divino

c) Deus d) Um Messias Divino

Quais opções você escolhe? (Resp: todas menos a opção ‘c’).

ii. Segundo o Livro dos Espíritos, como podemos definir Jesus para a humanidade da Terra?

Resp: Guia e Modelo da humanidade (LE, perg.625)

iii. Como um Espírito puro, da 1ª Ordem segundo a Escala Espírita (LE, perg 113), encarnando na Terra, Jesus teria um corpo físico diferente dos demais Espíritos aqui encarnados?

Resp.: “Como homem, tinha a organização dos seres carnais” (A Gênese, Cap XV, item 2)

iv. De onde vinda a Sua superioridade em relação aos Espíritos aqui encarnados?

Resp.: “A sua superioridade com relação aos homens não derivava das qualidades particulares do seu corpo, mas das do seu Espírito, que dominava de modo absoluto a matéria e da do seu perispírito, tirado da parte mais quintessenciada dos fluidos terrestres.” (A Gênese, Cap XV, item 2).

v. Encarnado entre nós, Jesus estava com suas percepções e faculdades limitadas pelo corpo físico?

Resp.: “Sua alma, provavelmente, não se achava presa ao corpo, senão pelos laços estritamente indispensáveis. Constantemente desprendida, ela decerto lhe dava dupla vista, não só permanente, como de excepcional penetração e superior de muito à que de ordinário possuem os homens comuns. O mesmo havia de dar-se, nele, com relação a todos os fenômenos que dependem dos fluidos perispirituais ou psíquicos. A qualidade desses fluidos lhe conferia imensa forca magnética, secundada pelo incessante desejo de fazer o bem.” (A Gênese, Cap XV, item 2). (Tb no Cap. XIV, item 16 ‘Qualidade dos Fluidos’)

vi. Jesus agia como médium nas curas que operava?

“Não, porquanto o médium é um intermediário, um instrumento de que se servem os Espíritos desencarnados e o Cristo não precisava de assistência, pois que era ele quem assistia os outros. Agia por si mesmo, em virtude do seu poder pessoal, como o podem fazer, em certos casos, os encarnados, na medida de suas forças. Que Espírito, ao demais, ousaria insuflar-lhe seus próprios pensamentos e encarregá-lo de os transmitir? Se algum influxo estranho recebia, esse só de Deus lhe poderia vir. Segundo definição dada por um Espírito, ele era médium de Deus.” (A Gênese, Cap XV, item 2).

  1. Desenvolvimento:

Vamos estudar alguns ditos “milagres” de Jesus, que Kardec selecionou e colocou no Cap. XV de A Gênese, buscando explicá-los de acordo com a teoria espírita.

Vamos separar em 4 duplas, ficando cada dupla com um caso. Cabe a cada grupo estudar o trecho do Novo Testamento e a explicação de Kardec, para apresentar aos demais grupos.

i. Fenômeno de Dupla Vista (A Gênese, Cap XV itens 7 à 9, e Cap. XIV (Dupla Vista))

- Pesca milagrosa (S. Lucas, 5:1–7.)

- Vocação de Pedro, André, Tiago, João e Mateus. (S. Mateus, 4:18–22.)

- A Gênese, Cap. XIV (Dupla Vista)

ii. Curas (A Gênese, Cap XV itens 24, 25)

- Cego de Nascença

- A Gênese, Cap. XIV, item 31 ‘Curas’

iii. Curas (A Gênese, Cap XV itens 19 e 20)

- A Mulher Curvada

- A Gênese, Cap. XIV, itens 45 à 47 (Obsessões e Possessões)

iv. Possessos (A Gênese, Cap XV itens 31, 33 e 35)

- Jejum e Oração

A Gênese, Cap. XIV, itens 45 à 47 (Obsessões e Possessões)

Apresentação dos grupos, complementando se necessário.

  1. Comentários do capítulos 24 e 25 do livro Céu Azul.

  2. Prece final e passes coletivos

  3. Avaliação:

Encontro com 6 jovens com participação. Não usamos o caso dos Possessos (jejum e oração). O sorteio no início foi bem legal e deu certinho uma pergunta pra cada um. Na pergunta sobre Jesus se médium, ficaram em dúvida.

Comentamos o capítulo 24 do livro Céu Azul.

  1. ANEXOS

Texto Grupo 1:

Pesca milagrosa.

7. Um dia, estando Jesus à margem do lago de Genesaré, como a multidão de povo o comprimisse para ouvir a palavra de Deus — viu ele duas barcas atracadas à borda do lago e das quais os pescadores haviam desembarcado e lavavam suas redes. — Entrou numa dessas barcas, que era de Simão, e lhe pediu que a afastasse um pouco da margem; e, tendo-se sentado, ensinava ao povo de dentro da barca. Quando acabou de falar, disse a Simão: Avança para o mar e lança as tuas redes de pescar. — Respondeu-lhe Simão: Mestre, trabalhamos a noite toda e nada apanhamos; contudo, pois que mandas, lançarei a rede. — Tendo-a lançado, apanharam tão grande quantidade de peixes, que a rede se rompeu. — Acenaram para os companheiros que estavam na outra barca, a fim de que viessem ajudá-los. Eles vieram e encheram de tal modo as barcas, que por pouco estas não se submergiram. (S. Lucas, 5:1–7.)

Vocação de Pedro, André, Tiago, João e Mateus.

8. Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu Jesus dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, que lançavam suas redes ao mar, pois que eram pescadores; — e lhes disse: Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens. — Logo eles deixaram suas redes e o seguiram. — Daí, continuando, viu ele dois outros irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam numa barca com Zebedeu, pai de ambos, os quais estavam a consertar suas redes, e os chamou. — Eles imediatamente deixaram as redes e o pai e o seguiram. (S. Mateus, 4:18–22.)

Saindo dali, Jesus, ao passar, viu um homem sentado à banca dos impostos, chamado Mateus, ao qual disse: Segue-me; e o homem logo se levantou e o seguiu. (S. Mateus, 4:9.)

9. Nada apresentam de surpreendentes estes fatos, desde que se conheça o poder da dupla vista e a causa, muito natural, dessa faculdade. Jesus a possuía em grau elevado e pode dizer-se que ela constituía o seu estado normal, conforme o atesta grande número de atos da sua vida, os quais, hoje, têm a explicá-los os fenômenos magnéticos e o Espiritismo.

A pesca qualificada de miraculosa igualmente se explica pela dupla vista. Jesus não produziu espontaneamente peixes onde não os havia; ele viu, com a vista da alma, como teria podido fazê-lo um lúcido vígil, o lugar onde se achavam os peixes e disse com segurança aos pescadores que lançassem aí suas redes.

A acuidade do pensamento e, por conseguinte, certas previsões decorrem da vista espiritual. Quando Jesus chama a si Pedro, André, Tiago, João e Mateus, é que lhes conhecia as disposições íntimas e sabia que eles o acompanhariam e que eram capazes de desempenhar a missão que tencionava confiar-lhes. E mister se fazia que eles próprios tivessem intuição da missão que iriam desempenhar para, sem hesitação, atenderem ao chamamento de Jesus.

A Gênese, Cap. XIV (Dupla Vista)

22. O perispírito é o traço de união entre a vida corpórea e a vida espiritual. É por seu intermédio que o Espírito encarnado se acha em relação contínua com os desencarnados; é, em suma, por seu intermédio, que se operam no homem fenômenos especiais, cuja causa fundamental não se encontra na matéria tangível e que, por essa razão, parecem sobrenaturais.

É nas propriedades e nas irradiações do fluido perispirítico que se tem de procurar a causa da dupla vista, ou vista espiritual, a que também se pode chamar vista psíquica, da qual muitas pessoas são dotadas, frequentemente a seu mau grado, assim como da vista sonambúlica.

O perispírito é o órgão sensitivo do Espírito, por meio do qual este percebe coisas espirituais que escapam aos sentidos corpóreos. Pelos órgãos do corpo, a visão, a audição e as diversas sensações são localizadas e limitadas à percepção das coisas materiais; pelo sentido espiritual, ou psíquico, elas se generalizam: o Espírito vê, ouve e sente, por todo o seu ser, tudo o que se encontra na esfera de irradiação do seu fluido perispirítico.

No homem, tais fenômenos constituem a manifestação da vida espiritual; é a alma a atuar fora do organismo. Na dupla vista ou percepção pelo sentido psíquico, ele não vê com os olhos do corpo, embora, muitas vezes, por hábito, dirija o olhar para o ponto que lhe chama a atenção. Vê com os olhos da alma e a prova está em que vê perfeitamente bem com os olhos fechados e vê o que está muito além do alcance do raio visual. Lê o pensamento figurado no raio fluídico.

Texto Grupo 2:

Cego de Nascença

24. Ao passar, viu Jesus um homem que era cego desde que nascera; — e seus discípulos lhe fizeram esta pergunta: Mestre, foi pecado desse homem, ou dos que o puseram no mundo, que deu causa a que ele nascesse cego? — Jesus lhes respondeu: Não é por pecado dele, nem dos que o puseram no mundo; mas, para que nele se patenteiem as obras do poder de Deus. É preciso que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; vem depois a noite, na qual ninguém pode fazer obras. — Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo. — Tendo dito isso, cuspiu no chão e, havendo feito lama com a sua saliva, ungiu com essa lama os olhos do cego — e lhe disse: Vai lavar-te na piscina de Siloé, que significa Enviado. Ele foi, lavou-se e voltou vendo claro. — Seus vizinhos e os que o viam antes a pedir esmolas diziam: Não é este o que estava assentado e pedia esmola? Uns respondiam: É ele; outros diziam: Não, é um que se parece com ele. O homem, porém, lhes dizia: Sou eu mesmo. — Perguntaram-lhe então: Como se te abriram os olhos? — Ele respondeu: Aquele homem que se chama Jesus fez um pouco de lama e passou nos meus olhos, dizendo: Vai à piscina de Siloé e lava-te. Fui, lavei-me e vejo.

25. Esta narrativa, tão simples e singela, traz em si evidente o cunho da veracidade. Nada aí há de fantasista, nem de maravilhoso. É uma cena da vida real apanhada em flagrante. A linguagem do cego é exatamente a desses homens simples, nos quais o bom-senso supre a falta de saber e que retrucam com bonomia aos argumentos de seus adversários, expendendo razões a que não faltam justeza, nem oportunidade. (...)

A pergunta dos discípulos — Foi algum pecado deste homem que deu causa a que ele nascesse cego? — revela que eles tinham a intuição de uma existência anterior, pois, do contrário, ela careceria de sentido, visto que um pecado somente pode ser causa de uma enfermidade de nascença, se cometido antes do nascimento, portanto, numa existência anterior. Se Jesus considerasse falsa semelhante ideia, ter-lhes-ia dito: “Como houvera este homem podido pecar antes de ter nascido?” Em vez disso, porém, diz que aquele homem estava cego, não por ter pecado, mas para que nele se patenteasse o poder de Deus, isto é, para que servisse de instrumento a uma manifestação do poder de Deus. Se não era uma expiação do passado, era uma provação apropriada ao progresso daquele Espírito, porquanto Deus, que é justo, não lhe imporia um sofrimento sem utilidade.

Quanto ao meio empregado para a sua cura, evidentemente aquela espécie de lama feita de saliva e terra nenhuma virtude podia encerrar, a não ser pela ação do fluido curativo de que fora impregnada. É assim que as mais insignificantes substâncias, como a água, por exemplo, podem adquirir qualidades poderosas e efetivas, sob a ação do fluido espiritual ou magnético, ao qual elas servem de veículo, ou, se quiserem, de reservatório.

A Gênese, Cap. XIV, item 31 ‘Curas’

31. Como se há visto, o fluido universal é o elemento primitivo do corpo carnal e do perispírito, os quais são simples transformações dele. Pela identidade da sua natureza, esse fluido, condensado no perispírito, pode fornecer princípios reparadores ao corpo; o Espírito, encarnado ou desencarnado, é o agente propulsor que infiltra num corpo deteriorado uma parte da substância do seu envoltório fluídico. A cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã. O poder curativo estará, pois, na razão direta da pureza da substância inoculada; mas, depende também da energia da vontade que, quanto maior for, tanto mais abundante emissão fluídica provocará e tanto maior força de penetração dará ao fluido. Depende ainda das intenções daquele que deseje realizar a cura, seja homem ou Espírito.



Texto Grupo 3:

A mulher curvada.

19. Todos os dias de sábado Jesus ensinava numa sinagoga. — Um dia, viu ali uma mulher possuída de um Espírito que a punha doente, havia dezoito anos; era tão curvada, que não podia olhar para cima. — Vendo-a, Jesus a chamou e lhe disse: Mulher, estás livre da tua enfermidade. — Impôs-lhe ao mesmo tempo as mãos e ela, endireitando-se, rendeu graças a Deus. — Mas, o chefe da sinagoga, indignado por haver Jesus feito uma cura em dia de sábado, disse ao povo: Há seis dias destinados ao trabalho; vinde nesses dias para serdes curados e não nos dias de sábado. — O Senhor, tomando a palavra, disse-lhe: Hipócrita, qual de vós não solta da carga o seu boi ou seu jumento em dia de sábado e não o leva a beber? — Por que então não se deveria libertar, em dia de sábado, dos laços que a prendiam, esta filha de Abraão, que Satanás conservara atada durante dezoito anos? — A estas palavras, todos os seus adversários ficaram confusos e todo o povo encantado de vê-lo praticar tantas ações gloriosas. (S. Lucas, 13:10–17.)

20. Este fato prova que naquela época a maior parte das enfermidades era atribuída ao demônio e que todos confundiam, como ainda hoje, os possessos com os doentes, mas em sentido inverso, isto é, hoje, os que não acreditam nos maus Espíritos confundem as obsessões com as moléstias patológicas.

A Gênese, Cap. XIV, item ‘Obsessões e Possessões’

45. (...) Chama-se obsessão à ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diferentes, que vão desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais.

46. Assim como as enfermidades resultam das imperfeições físicas que tornam o corpo acessível às perniciosas influências exteriores, a obsessão decorre sempre de uma imperfeição moral, que dá ascendência a um Espírito mau. A uma causa física, opõe-se uma força física; a uma causa moral preciso é se contraponha uma força moral. (...)

Nos casos de obsessão grave, o obsidiado fica como que envolto e impregnado de um fluido pernicioso, que neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele. É daquele fluido que importa desembaraçá-lo. Ora, um fluido mau não pode ser eliminado por outro igualmente mau. Por meio de ação idêntica à do médium curador, nos casos de enfermidade, preciso se faz expelir um fluido mau com o auxílio de um fluido melhor.

Nem sempre, porém, basta esta ação mecânica; cumpre, sobretudo, atuar sobre o ser inteligente, ao qual é preciso se possua o direito de falar com autoridade, que, entretanto, falece a quem não tenha superioridade moral. Quanto maior esta for, tanto maior também será aquela.

47. Na obsessão, o Espírito atua exteriormente, com a ajuda do seu perispírito, que ele identifica com o do encarnado, ficando este afinal enlaçado por uma como teia e constrangido a proceder contra a sua vontade.

Texto Grupo 4:

Possessos

31. Quando ele foi vindo ao lugar onde estavam os outros discípulos, viu em torno destes uma grande multidão de pessoas e muitos escribas que com eles disputavam. — Logo que deu com Jesus, todo o povo se tomou de espanto e temor e correram todos a saudá-lo. — Perguntou ele então: Sobre que disputáveis em assembleia? — Um homem, do meio do povo, tomando a palavra, disse: Mestre, trouxe-te meu filho, que está possesso de um Espírito mudo; — em todo lugar onde dele se apossa, atira-o por terra e o menino espuma, rilha os dentes e se torna todo seco. Pedi a teus discípulos que o expulsassem, mas eles não puderam. — Disse-lhes Jesus: Oh! gente incrédula, até quando estarei convosco? Até quando vos suportarei? Trazei-mo. — Trouxeram-lho e ainda não havia ele posto os olhos em Jesus, e o Espírito entrou a agitá-lo violentamente; ele caiu no chão e se pôs a rolar espumando. — Jesus perguntou ao pai do menino: Desde quando isto lhe sucede? — Desde pequenino, diz o pai. — E o Espírito o tem lançado, muitas vezes, ora à água, ora ao fogo, para fazê-lo perecer; se alguma coisa puderes, tem compaixão de nós e socorre-nos. — Respondeu-lhe Jesus: Se puderes crer, tudo é possível àquele que crê. — Logo exclamou o pai do menino, banhado em lágrimas: Senhor, creio, ajuda-me na minha incredulidade. — Jesus, vendo que o povo acorria em multidão, falou em tom de ameaça ao Espírito impuro, dizendo-lhe: Espírito surdo e mudo sai desse menino e não entres mais nele. — Então, o Espírito, soltando grande grito e agitando o menino em violentas convulsões, saiu, ficando como morto o menino, de sorte que muitos diziam que ele morrera. — Mas Jesus, tomando-lhe as mãos e amparando-o, fê-lo levantar-se. — Quando Jesus voltou para casa, seus discípulos lhe perguntaram, em particular: Por que não pudemos nós expulsar esse demônio? — Ele respondeu: Os demônios desta espécie não podem ser expulsos senão pela prece e pelo jejum. (S. Marcos, 9:13–28.)

33. Com as curas, as libertações de possessos figuram entre os mais numerosos atos de Jesus. Alguns há, entre os fatos dessa natureza em que a possessão não é evidente. Provavelmente, naquela época, como ainda hoje acontece, atribuía-se à influência dos demônios todas as enfermidades cuja causa se não conhecia, principalmente a mudez, a epilepsia e a catalepsia. Outros há, todavia, em que nada tem de duvidosa a ação dos maus Espíritos, (...). A imensa superioridade do Cristo lhe dava tal autoridade sobre os Espíritos imperfeitos, chamados então demônios, que lhe bastava ordenar se retirassem para que não pudessem resistir a essa injunção. (Cap. XIV, n.º 46.)

35. (...) Sem apresentarem caráter epidêmico, as obsessões individuais são muitíssimo frequentes e se apresentam sob os mais variados aspectos que, entretanto, por um conhecimento amplo do Espiritismo, facilmente se descobrem. Podem, não raro, trazer consequências danosas à saúde, seja agravando afecções orgânicas já existentes, seja ocasionando-as. Um dia, virão a ser, incontestavelmente, arroladas entre as causas patológicas que requerem, pela sua natureza especial, especiais meios de tratamento. Revelando a causa do mal, o Espiritismo rasga nova senda à arte de curar e fornece à ciência meio de alcançar êxito onde até hoje quase sempre vê malogrados seus esforços, pela razão de não atender à primordial causa do mal.

A Gênese, Cap. XIV, item ‘Obsessões e Possessões’

45. (...) Chama-se obsessão à ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diferentes, que vão desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais.

46. Assim como as enfermidades resultam das imperfeições físicas que tornam o corpo acessível às perniciosas influências exteriores, a obsessão decorre sempre de uma imperfeição moral, que dá ascendência a um Espírito mau. A uma causa física, opõe-se uma força física; a uma causa moral preciso é se contraponha uma força moral. (...)

Nos casos de obsessão grave, o obsidiado fica como que envolto e impregnado de um fluido pernicioso, que neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele. É daquele fluido que importa desembaraçá-lo. Ora, um fluido mau não pode ser eliminado por outro igualmente mau. Por meio de ação idêntica à do médium curador, nos casos de enfermidade, preciso se faz expelir um fluido mau com o auxílio de um fluido melhor.

Nem sempre, porém, basta esta ação mecânica; cumpre, sobretudo, atuar sobre o ser inteligente, ao qual é preciso se possua o direito de falar com autoridade, que, entretanto, falece a quem não tenha superioridade moral. Quanto maior esta for, tanto maior também será aquela.

47. Na obsessão, o Espírito atua exteriormente, com a ajuda do seu perispírito, que ele identifica com o do encarnado, ficando este afinal enlaçado por uma como teia e constrangido a proceder contra a sua vontade.