quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Ama, trabalha, espera, perdoa

 Casa Espírita Missionários da Luz - DIJ – Mocidade > 15 anos – 16/10/2026

Tema: Ama, trabalha, espera, perdoa

Objetivos:

  • A partir do exemplo do apóstolo Paulo, inspirar os jovens a seguirem sempre adiante com fé e certeza da presença de Jesus, não se imobilizando na estrada, por amarguras acumuladas ou ofensas recebidas.

Bibliografia:

- O Livro dos Espíritos, Perg 132 (Objetivo da encarnação); Cap. VIII (Da Emancipação da Alma), pergs 402 à 418; 3ª parte - Pergs 674 e 675 (Lei do Trabalho);

- O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap XI 'Amar o próximo como a si mesmo', item 2 'O mandamento maior';

- Paulo e Estêvão, Emmanuel/Chico Xavier, Capítulo III, 2ª parte;

- NT, João, 5:17; Atos dos Apóstolos, Cap. 9 (a conversão de Saulo de Tarso); 2 Coríntios, 12:2-9.

Material: Novo Testamento, conselhos de Abigail em cartaz

Procedimentos:

  1. Hora da novidade, exercícios de respiração profunda e prece inicial.

  2. Motivação inicial:

Falar aos jovens que começaremos o estudo da noite, lendo uma passagem do Novo Testamento, em Ato dos Apóstolos, Cap.9, versículos 3 à 9.

Pedir que um dos jovens faça a leitura:

³ E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu.

⁴ E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?

⁵ E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.

⁶ E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer.

⁷ E os homens, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém.

⁸ E Saulo levantou-se da terra, e, abrindo os olhos, não via a ninguém. E, guiando-o pela mão, o conduziram a Damasco.

⁹ E esteve três dias sem ver, e não comeu nem bebeu.

Agradecer ao jovem que fez a leitura e perguntar ao grupo: quem conhece essa história?

==> deixar que falem o que sabem, complementando:

O romance Paulo e Estêvão, psicografado por Chico Xavier, pelo Espírito Emmanuel, é considerado uma das obras mais belas da literatura espírita. Nele, Emmanuel conta a trajetória de Saulo de Tarso, o orgulhoso doutor da Lei que após o chamado de Jesus, se transforma em Paulo de Tarso, o apóstolo dos gentios, símbolo da fé e da renovação interior.

  1. Desenvolvimento:

Fazer o resumo da história de Saulo/Paulo (em anexo).

==> ir anotando no quadro, o nome dos personagens citados: Saulo, Abigail, Jeziel (Estêvão), Gamaliel, Ananias, relacionando-os:

Saulo

Paulo, o apóstolo dos gentios

Abigail

Noiva de Saulo

Jeziel

Irmão desaparecido de Abigail

Pedro, João, Felipe

Apóstolos de Jesus

Estêvão

Jeziel, após se converter ao cristianismo

Ananias

Uma liderança entre os primeiros cristãos

Gamaliel

Doutor da Lei. Professor e amigo de Saulo

==> durante a narrativa, interagir com perguntas:

- porquê o irmão de Abigail mudou de nome? (era costume na época, mudar de nome após se converter ao cristianismo)

- porquê será que Gamaliel orientou a Saulo, um doutor da lei de Moisés, ficar um tempo a sós, no deserto, após o chamado de Jesus? (pra se preparar para a tarefa que lhe cabia. Ele era doutor da lei de Moisés (judaísmo), mas não conhecia nada do Evangelho de Jesus. Era preciso ficar a sós com ele próprio, estudar o Evangelho, meditar sobre o Evangelho para conseguir então, viver o Evangelho!)

==> isso vale pra todos nós! Antes de qualquer tarefa, precisamos estudar, nos preparar! Boa vontade só, não é suficiente!

- que fenômeno é esse que Saulo vivenciou no encontro com o Espírito de Abigail? (emancipação da alma: se elevou até o plano onde ela e Estêvão estavam, no plano espiritual).

==> citar que em uma de suas epístolas, ou cartas, Paulo fala desse experiência, que ele chamou de Revelação. Está na 2ª carta aos Coríntios, 12:1-4:

Em verdade que não convém gloriar-me; mas passarei às visões e revelações do Senhor.

Conheço um homem em Cristo que há catorze anos (se no corpo, não sei, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) foi arrebatado ao terceiro céu.

E sei que o tal homem (se no corpo, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe)

Foi arrebatado ao paraíso; e ouviu palavras inefáveis, que ao homem não é lícito falar.

==> ele interpreta com o conhecimento que tinha na época! Paulo não escreveu na época, e que ele ouviu nesse “3º céu”, mas Emmanuel nos informou em seu livro.

- e as perguntas que Saulo fez à Abigail? (colar o cartaz no quadro:)

O que fazer para compreender o quê Jesus espera de mim? → Ama

Como adquirir virtude? → Trabalha

O que fazer contra o desânimo? → Espera

Como lidar com a indiferença das pessoas? → Perdoa

- Fazer 4 duplas, dando a cada um, uma das 4 perguntas acima, pedindo que discutam, como o verbo da resposta pode ser aplicado no nosso cotidiano.

- Na apresentação das duplas, complementar se for preciso:

Amar: às vezes não sabemos o que devemos fazer, que atitude tomar. Mas a solução é o AMOR. Lembrar da regra áurea que Jesus nos ensinou: faça aos outros o que gostaria que os outros fizessem por você! (ESE, Cap XI, item 2 'O mandamento maior')

Trabalhar – o trabalho é uma lei divina, uma das leis morais citadas por Kardec no LE, na 3ª parte, Das Leis Morais:

“O trabalho é lei da natureza, por isso mesmo que constitui uma necessidade” (LE, perg . 674); “Toda ocupação útil é trabalho.” (LE, perg . 675).

E Jesus nos ensinou a importância do trabalho:

"Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também." (João 5:17).

E no LE, perg. 132, nos objetivos da encarnação, vemos:

“Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição.”

“Visa ainda outro fim a encarnação: o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação.”

“É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.”

==> trabalhando, sendo úteis, vamos adquirindo virtudes ao mesmo tempo em que atuamos na melhoria das condições do nosso planeta.

Esperar – Abigail orienta a esperar contra o perigo do desânimo, no sentido de esperançar. Fala da fé, da certeza de que Jesus está no comando, e tudo vai se ajeitar. Não podemos nos deixar abater pelas dificuldades!

Perdoar – e para os relacionamentos na vida, o perdão como solução! Jesus já nos havia orientado: perdoar 70x7! Saulo peguntou pela indiferença dos outros para conosco, mas em qualquer problema nos relacionamentos, usarmos sempre o perdão, para seguirmos adiante, em paz!

  1. Conclusão

A vida de Paulo de Tarso é um exemplo de superação para todos nós! Os erros do passado devem ficar como lições aprendidas, e não como culpas paralisantes! Sermos ativos, determinados no Bem, seguindo adiante, rumo ao alvo, como ele disse numa de suas cartas!

  1. Prece final e passes coletivos

  2. Avaliação:

    Encontro com 9 jovens. Ficaram interessados na história de Saulo. Fui contando, anotando os nomes no quadro e interagindo com eles. Não fizemos a discussão dos verbos em grupos.

  1. ANEXOS

– Resumo baseado no livro Paulo e Estêvão, Emmanuel/Chico Xavier, Cap III, 2ª parte:

Saulo de Tarso, era um jovem judeu de aproximadamente 30 anos, formado na lei mosaica, sendo um fariseu fervoroso. Era o mais provável doutor da lei a substituir um dos maiores cargos no Sinédrio. Tinha portanto, um futuro brilhante.

Era rico, dominava o hebraico, o grego e o latim. Era um homem culto, preparado para os grandes debates religiosos da época, sendo muito respeitado pelos sacerdotes e demais doutores da lei.

Era um homem de personalidade forte, inteligência brilhante e fé intransigente. Como zeloso defensor da Lei de Moisés, era orgulhoso e autoritário, idealista e sincero, impulsivo e apaixonado em tudo o que fazia, de temperamento forte e grande capacidade de realização.

Ele tinha uma noiva, Abigail, uma jovem de aproximadamente 20 anos, judia, que tinha um irmão mais velho de nome Jeziel, com quem tinha perdido contato há uns anos. A presença de Abigail representava o amor puro, espiritual e transformador na vida de Saulo. Era o equilíbrio para aquele temperamento forte de Saulo.

Saulo não chegou a conhecer Jesus mas, como um fariseu fervoroso, viu no cristianismo nascente, uma heresia perigosa para o povo de Israel. Começou então uma perseguição aos discípulos de Jesus ali em Jerusalém - Pedro, João, Felipe - que atendiam os necessitados, os doentes e falavam de Jesus e de seus ensinos.

Junto com os apóstolos, nessa tarefa, havia um homem jovem, chamado Estevão, que era boníssimo e grande conhecedor da lei de Moisés, e que tinha se tornado cristão.

Saulo, em sua perseguição aos cristãos, mandou prender Estevão e conseguiu entre os doutores da lei, a pena de morte para Estevão, por apedrejamento.

Porém, no dia de apedrejamento de Estêvão, Abigail estava com Saulo, e reconheceu em Estêvão, o seu irmão desaparecido, Jeziel. Nesse momento, a vida de Saulo se modificou totalmente! Ele se separou de Abigail e ficou completamente alucinado perseguindo os cristãos.

Com essa situação tão dolorosa, Abigail ficou doente e acabou desencarnando. Porém, antes de sua morte, ela conheceu um senhor cristão, de nome Ananias, e se tornou igualmente cristã.

O ponto culminante da história de Saulo, é o momento em que Jesus em pessoa, aparece numa visão espiritual a Saulo, que viajava pelo deserto rumo à cidade de Damasco em perseguição a Ananias. E Jesus pergunta: “Saulo, Saulo, porquê me persegues?”

Nesse momento, começa a trajetória do grande apóstolo de Jesus! Após esse chamado do Mestre, ele dedicou toda a sua vida à divulgação e vivência do Evangelho de Jesus!

Como vocês acham que foi a vida de Saulo após a visão de Jesus no deserto? Todo o futuro brilhante que ele tinha deixou de existir! Os amigos ricos como ele, acharam que ele tinha enlouquecido. Perdeu todos os amigos!

Os cristãos o olharam com desconfiança, pois ele era conhecido e temido como o poderoso doutor da lei que perseguia os cristãos. Assim, não foi aceito logo de início pelos cristãos.

O que ele fez, então? O que fariam vocês se, de uma hora para outra, toda a sua vida virasse de cabeça pra baixo?

Mas Saulo, não desiste.

Lembram da personalidade forte, determinada dele? Seguiu adiante na certeza de que Jesus lhe mostraria o caminho! Nunca duvidou do apoio de Jesus!

Procurou o seu antigo orientador, Gamaliel, o doutor da lei a quem ele, Saulo, substituiria no Sinédrio, e descobriu que Gamaliel, que já tinha se aposentado, também tinha se tornado cristão. Gamaliel o orientou a ir para um oásis no deserto, trabalhando como tecelão, estudando o Evangelho de Jesus, e aguardasse o tempo.

Ficou 3 anos no deserto trabalhando no silêncio e na meditação.

Ao retornar, foi à Tarso, ver a família. Não aceitaram essa mudança de postura dele! A mãe morreu de desgosto e o pai o renegou pois Saulo se recusou a abandonar Jesus pela família!

Ficou só no mundo, sem amigos, sem família, sem dinheiro, sem prestígio, sem trabalho!

E foi nesse momento de vida, sem saber o que fazer, que ele teve um desdobramento espiritual e encontrou Abigail!.

Ele então, em êxtase, faz perguntas profundas a Abigail, e ela responde com quatro verbos poderosos:

O que fazer para compreender o quê Jesus espera de mim? → Ama

Como adquirir virtude? → Trabalha

O que fazer contra o desânimo? → Espera

Como lidar com a indiferença das pessoas? → Perdoa


Palavras de Vida Eterna, Emmanuel/Chico Xavier, cap 34 ‘Prossigamos’

“Irmãos, quanto a mim não julgo que o haja alcançado; mas, uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim...” Paulo. (FILIPENSES, 3:13.)

Se te imobilizas na estrada, a pretexto de amarguras acumuladas ou de ofensas recebidas, lembra-te de Paulo, o apóstolo intrépido, que, sobrecarregado de problemas, não se resignava a interromper o trabalho que o Mestre lhe conferira.

O amigo providencial da gentilidade não se entretinha a escutar os remorsos que trazia do seu tempo de adversário e perseguidor do Evangelho.

Não lamentava os amigos descrentes da renovação de que fornecia testemunho.

Não se queixava dos parentes que o recebiam, empunhando o azorrague da expulsão.

Não se detinha para lastimar a alteração dos afetos que a incompreensão azedara no vaso do tempo.

Não cultivava a volúpia da solidão porque lhe faltasse a benção do tálamo doméstico.

Não se fixava nos espinhos que lhe ferreteavam a alma e a carne, não obstante reconhecer-lhes a existência.

Não parava com o objetivo de reclamar contra as pedradas do caminho.

Não se concedia férias de choro inútil, ante as arremetidas do mal.

Não se demorava na rede de elogios, sob o fascínio da ilusão.

Não se cristalizava nos próprios impedimentos.

Seguia sempre na direção do alvo que lhe cabia atingir.

Assim, também nós, endividados ou pecadores, pobres ou doentes, fracos ou inábeis, desiludidos ou torturados, uma coisa façamos... Acima de todos os tropeços inibições, prossigamos sempre adiante, olvidando o mal e fazendo o bem.

Palavras de Vida Eterna, Emmanuel/Chico Xavier, cap 148 no bom combate

“Combater o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” - Paulo. (II Timóteo, 4:7.)

Nas lides da evolução, há combate e bom combate.

No combate, visamos aos inimigos externos. Brandimos armas, inventamos ardis, usamos astúcias, criamos estratégia e, por vezes, saboreamos a derrota de nossos adversários, entre alegrias falsas, ignorando que estamos dilapidando a nós mesmos.

No bom combate, dispomo-nos a lutar contra nós próprios, assestando baterias de vigilância em oposição aos sentimentos e qualidades inferiores que nos deprimem a alma.

O combate chumba-nos o coração à crosta da Terra, em aflitivos processos de reajuste, na lei de causa e efeito.

O bom combate liberta-nos o espírito para a ascensão aos planos superiores.

Paulo de Tarso, escrevendo a Timóteo, nos últimos dias da experiência terrestre, fornecemos preciosa definição nesse sentido. Ele, que andara em combate até o encontro pessoal com o Cristo, passou a viver no bom combate, desde a hora de entrevista com o Mestre.

Até o caminho de Damasco, estivera em função de louros mundanos, ávido de dominações transitórias, mas, desde o instante em que Ananias o recolheu enceguecido e transtornado, entrou em subalternidade dolorosa.

Incompreendido, desprezado, apedrejado, perseguido, encarcerado várias vezes, abatido e doente, jamais deixou de servir à causa do bem que abraçara com Jesus, olvidando males e achaques, constrangimentos e insultos. Ao término, porém, da carreira de semeador da verdade, o ex-conselheiro do Sinédrio, aparentemente arrasado e vencido, saiu da Terra na condição de verdadeiro triunfador.