Casa Espírita Missionários da Luz - DIJ Mocidade: > 16 anos – 31/07 e 07/08/2026
Tema: A Morte e o morrer
Objetivos:
Morrer é doloroso?
Porquê uns morrem na infância enquanto outros vivem até os 100 anos?
A morte na infância por maus tratos estava planejada?
Bibliografia:
Entre a Terra e o Céu, André Luiz/Chico Xavier, Cap. 9 ‘No Lar da Benção’, Cap. 10 e 11;
Crianças no Além, Chico Xavier;
O Livro dos Espíritos – 2ª parte – Cap. III; 4ª parte, pergs 154 à 157, 161 (Separação da Alma e do corpo); 163 à 165 (Perturbação Espiritual), 197 à 199 (Sorte das Crianças após a Morte), 853 e 859 (hora da morte); 936 (Perda de Entes Queridos), e 957 (Suicídio);
A Gênese – Cap. XI – 18 e 19;
Céu e o Inferno, 2ª parte Cap. I ‘O Passamento’;
O que é o Espiritismo? > Capítulo III — Solução de alguns problemas pela doutrina espírita > O homem depois da morte > 154;
O Livro dos Médiuns, Cap. XXV (Das evocações), item 282, perg. 35 (crianças após a morte);
Evang.Seg.Espiritismo, Cap. V, item 21 ‘Mortes Prematuras’, Cap. XXVIII, itens 59 e 63, Cap. XXVII, itens 10 e 18.
Material: Livro Estesia, de Rabindranath Tagore/Divaldo Franco;
Formulário da pesquisa: https://forms.gle/qQTDYj8aaV5jRhqt7
Desenvolvimento:
Dar as boas vindas ao grupo, hora da novidade, exercícios de respiração profunda.
Prece Inicial.
Motivação:
Ler o poema XXV, do livro Estesia, de Rabindranath Tagore/Divaldo Franco:
“Enquanto ela chorava sobre o cadáver do marido, lamentava-se por si mesma.
Enquanto maldizia a sorte por ficar viúva, lamentava-se por si mesma.
A saudade, que a pungia com cravos, e as espadas que lhe dilaceravam os sentimentos partiam do lamento de si mesma.
Se ela amasse, como pretendia, estaria cantando a libertação do seu herói, agora feliz, a esperá-la, ao invés de lamentar as paixões do corpo que lhe atendia os desejos.”
- De que fala Tagore nesse poema?
==> Fala sobre a morte como a libertação do Espírito! Muitas vezes, ao invés da tristeza da saudade, nos deixamos levar pelo egoísmo, pensando em como continuaremos a viver sem a pessoa amada que partiu antes de nós.
Discussão dialogada
A ideia hoje, é refletirmos sobre a Morte e o morrer. Vamos começar respondendo algumas perguntas num formulário do Google, para que possamos pensar um pouco nesse tema.
- Passar link do forms do Google, com as perguntas:
i- Como acontece o processo da morte? Como é morrer?
ii- É igual para todo mundo? Que diferença poderia ter?
iii- Será que é difícil para o Espírito, morrer?
iv- Morrer dói?
v- Faz diferença para o Espírito se a morte é natural ou é por acidente?
vi- E para o suicida?
vii- E se a morte veio na infância? Como fica o Espírito da criança que morreu?
Reflexões no grupo
Agora que todos já tiveram oportunidade de refletir sobre o assunto, vamos expor as ideias e dúvidas de cada pergunta do formulário.
Obs.: verificar as respostas do form antes de fazer a pergunta no grupo
==> Vocês querem sortear ou quem quiser responde?
i- Como acontece o processo da morte? Como é morrer?
==> temos respostas no LE e no livro O Céu e o Inferno, ambos de Kardec:
“Rotos os laços que a retinham, ela se desprende.” (LE. Perg.155)
A observação demonstra que, no instante da morte, o desprendimento do perispírito não se completa subitamente; que, ao contrário, se opera gradualmente e com uma lentidão muito variável conforme os indivíduos. (LE. Comentário da perg.155a)
“Na passagem da vida corpórea à vida espiritual produz-se ainda outro fenômeno de importância capital: é o da perturbação. Nesse momento, a alma experimenta um entorpecimento que paralisa momentaneamente suas faculdades e neutraliza, ao menos parcialmente, as sensações; ela fica, por assim dizer, em estado cataléptico, de sorte que quase nunca é testemunha consciente do último suspiro.” (O Céu e o Inferno, 2ª parte, O Passamento’, item 6)
ii- É igual para todo mundo? Que diferença poderia ter?
No livro O Céu e o Inferno, 2ª parte, O Passamento’, item 9, é descrito o processo para os Espíritos mais espiritualizados e para os mais materializados. Então, varia para cada pessoa:
==> para o mais espiritualizado:
“No homem cuja alma está desmaterializada e cujos pensamentos se desligaram das coisas terrestres, o desprendimento é quase completo antes da morte real; o corpo vive ainda a vida orgânica, e a alma já entrou na vida espiritual e não está mais ligada ao corpo a não ser por um laço tão fraco que se rompe sem dificuldade no último batimento do coração. Nessa situação, o Espírito pode ter já recuperado sua lucidez, e ser testemunha consciente da extinção da vida de seu corpo do qual está feliz de se ter libertado; para ele, a perturbação é quase nula;”
==> já para aqueles que são mais ligados à vida material:
“No homem material e sensual, aquele que viveu mais pelo corpo do que pelo espírito, para quem a vida espiritual não é nada, nem mesmo uma realidade em seu pensamento, tudo contribuiu para apertar os laços que o prendem à matéria; nada veio afrouxá-los durante a vida. Com a aproximação da morte, o desprendimento se opera também por graus, mas com esforços contínuos. As convulsões da agonia são o indício da luta travada pelo Espírito que por vezes quer romper os laços que lhe resistem, e outras vezes se agarra a seu corpo do qual uma força irresistível o arranca violentamente, parte por parte.”
E no item 10 desse capítulo do Passamento, ou seja da Morte vemos:
“O Espírito apega-se tanto mais à vida corpórea quanto não vê nada além; ele sente que ela lhe escapa, e quer segurá-la; em vez de se abandonar ao movimento que o arrasta, ele resiste com todas as suas forças; pode assim prolongar a luta durante dias, semanas e meses inteiros. Sem dúvida, nesse momento, o Espírito não tem toda sua lucidez; a perturbação começou muito tempo antes da morte, mas ele não sofre menos por isso, e o vazio em que se encontra, a incerteza do que lhe advirá, juntam-se às suas angústias. A morte chega, e nem tudo acabou; a perturbação continua; ele sente que vive, mas não sabe se é vida material ou vida espiritual; continua a lutar até que as últimas amarras do perispírito sejam rompidas. A morte pôs um termo à doença efetiva, mas não acabou com suas consequências; enquanto existem pontos de contato entre o corpo e o perispírito, o Espírito sente seus golpes e sofre.”
==> faz sentido? Se a pessoa é tão apegada à vida, às coisas, aos prazeres da vida, não quer deixar o corpo!
iii- Será que é difícil para o Espírito, morrer?
iv- Morrer dói?
==> já respondemos essas perguntas na resposta anterior, mas Kardec traz mais reflexões sobre a hora da morte:
“Ao ver a calma de certos mortos, e as terríveis convulsões de agonia de outros, já se pode julgar que as sensações não são sempre as mesmas;” (O Céu e o Inferno, 2ª parte, O Passamento’, item 2)
“Disto resulta que o sofrimento, que acompanha a morte, está subordinado à força de aderência que une o corpo e o perispírito; que tudo o que pode ajudar na diminuição dessa força e na rapidez do desprendimento torna a passagem menos penosa; por fim, que se o desprendimento se opera sem nenhuma dificuldade, a alma não experimenta nenhuma sensação desagradável.” (O Céu e o Inferno, 2ª parte, O Passamento’, item 5)
v- Faz diferença para o Espírito se a morte é natural ou é por acidente?
“Na morte natural, a que sobrevém pelo esgotamento dos órgãos, em consequência da idade, o homem deixa a vida sem o perceber: é uma lâmpada que se apaga por falta de óleo.” (LE. Perg.154)
“Na morte natural, aquela que resulta da extinção das forças vitais pela idade ou a doença, o desprendimento se opera gradualmente;” (O Céu e o Inferno, 2ª parte, O Passamento’, item 9)
Nos casos de morte violenta, por suicídio, suplício, acidente, apoplexia, ferimentos, etc., o Espírito fica surpreendido, espantado e não acredita estar morto. (LE, Perg.165)
“Na morte violenta, as condições não são exatamente as mesmas. Nenhuma desagregação parcial pôde trazer uma separação prévia entre o corpo e o perispírito; a vida orgânica, em toda sua força, é subitamente detida; o desprendimento do perispírito não começa senão depois da morte, e, neste caso como nos outros, não se pode operar instantaneamente. O Espírito, pego de improviso, fica como que atordoado; mas, sentindo que pensa, acredita que ainda está vivo, e essa ilusão dura até que se tenha dado conta de sua situação.”
“Ele oferece uma variedade infinita de nuances segundo o caráter, os conhecimentos e o grau de adiantamento moral do Espírito. É de curta duração para aqueles cuja alma está purificada, porque neles havia um desprendimento antecipado do qual a morte, mesmo a mais súbita, apressa apenas o cumprimento; em outros, ele pode se prolongar durante anos”. (O Céu e o Inferno, 2ª parte, O Passamento’, item 12)
vi- E para o suicida?
“A afinidade que permanece entre o Espírito e o corpo produz, nalguns suicidas, uma espécie de repercussão do estado do corpo no Espírito, que, assim, a seu mau grado, sente os efeitos da decomposição, donde lhe resulta uma sensação cheia de angústias e de horror, estado esse que também pode durar pelo tempo que devia durar a vida que sofreu interrupção.” (LE, perg.957)
“É sobretudo no suicídio que essa posição é mais penosa. O corpo, ligado ao perispírito por todas as suas fibras, todas as convulsões do corpo repercutem na alma, que por isso experimenta atrozes sofrimentos.” (O Céu e o Inferno, 2ª parte, O Passamento’, item 12)
vii- E se a morte veio na infância? Como fica o Espírito da criança que morreu?
O que é o Espiritismo? > Capítulo III — Solução de alguns problemas pela doutrina espírita > O homem depois da morte, item 154:
“Qual, na outra vida, o estado intelectual e moral da alma da criança morta em tenra idade? Suas faculdades conservam-se na infância, como durante a vida?
O incompleto desenvolvimento dos órgãos da criança não dava ao Espírito a liberdade de se manifestar completamente; livre desse invólucro, suas faculdades são o que eram antes da sua encarnação. O Espírito, não tendo feito mais que passar alguns instantes na vida, não sofre modificação nas faculdades.”
“A alma da criança é um Espírito ainda envolto nas faixas da matéria; porém, desprendido desta, goza de suas faculdades de Espírito, porquanto os Espíritos não têm idade, o que prova que o da criança já viveu. Entretanto, até que se ache completamente desligado da matéria, pode conservar, na linguagem, traços do caráter da criança.” (O Livro dos Médiuns, Cap. XXV (Das evocações), item 282, perg. 35)
- Para encerrarmos as reflexões, mais 2 perguntas para vocês:
a) Porquê uns morrem na infância enquanto outros vivem até os 100 anos?
==> é o que vimos na semana passada:
Resposta no LE, perg. 853
“Deus sabe de antemão de que gênero será a morte do homem e muitas vezes seu Espírito também o sabe, por lhe ter sido isso revelado, quando escolheu tal ou qual existência.” ==> escolha do Espírito, de acordo com sua necessidade de aprendizado.
E no fim da resposta à perg. 859, temos:
“A fatalidade, verdadeiramente, só existe quanto ao momento em que deveis aparecer e desaparecer deste mundo.”
E no Evangelho, Kardec trouxe uma msg que fala das mortes prematuras:
“Frequentemente, a morte prematura é um grande benefício que Deus concede àquele que se vai e que assim se preserva das misérias da vida, ou das seduções que talvez lhe acarretassem a perda. Não é vítima da fatalidade aquele que morre na flor dos anos; é que Deus julga não convir que ele permaneça por mais tempo na Terra.”
"Vós, espíritas, porém, sabeis que a alma vive melhor quando desembaraçada do seu invólucro corpóreo. Mães, sabei que vossos filhos bem-amados estão perto de vós; sim, estão muito perto; seus corpos fluídicos vos envolvem, seus pensamentos vos protegem, a lembrança que deles guardais os transporta de alegria, mas também as vossas dores desarrazoadas os afligem, porque denotam falta de fé e exprimem uma revolta contra a vontade de Deus." (ESE, CAp. V item 21)
b) A morte na infância por maus tratos estava planejada?
==> como vimos na semana passada, temos o planejamento da reencarnação com um período previsto para o retorno. Porém, temos nosso livre arbítrio e então, a reencarnação pode ser interrompida antes do previsto.
No livro de André Luiz, Entre a Terra e o Céu, há uma orientação para esses casos. (anexo)
Conclusão
Todos desencarnaremos. O que levaremos quando voltarmos à pátria espiritual?
==> todas as aquisições morais, além das intelectuais, que tivermos desenvolvido durante a existência no corpo. Então, esses são os valores que devemos buscar desenvolver.
Não existem duas mortes iguais. Tudo depende de como a pessoa está espiritualmente falando. Sempre a prece para auxiliá-los a despertarem em paz.
Qual deve ser nossa postura perante os nossos afetos que já se foram? Vemos a resp no LE:
LE perg. 936. Como é que as dores inconsoláveis dos que sobrevivem se refletem nos Espíritos que as causam?
“O Espírito é sensível à lembrança e às saudades dos que lhe eram caros na Terra; mas, uma dor incessante e desarrazoada o toca penosamente, porque, nessa dor excessiva, ele vê falta de fé no futuro e de confiança em Deus e, por conseguinte, um obstáculo ao adiantamento dos que o choram e talvez à sua reunião com estes.”
==> devemos orar para que despertem bem, possam ser recolhidos a colônias espirituais e compreendam a sua nova situação.
Exercícios de respiração lenta e profunda e prece final.
Avaliação
Encontro conduzido pelo Ewerton, com 9 jovens:
“Foi muito bom, estávamos com 9 jovens, fiz uma introdução do tema da aula, depois fiz a leitura do poema do livro Estesia, de Rabindranath Tagore/Divaldo Franco, e debati o poema com eles. Na sequência passamos para as perguntas, depois que eles responderam, fizemos uma roda de conversa, mas só conseguimos ir até a pergunta 5 rs, eles estavam bem animados com esse tema haha!”
Encontro em 07/08/26, com 9 jovens, com bastante participação. Concluímos o roteiro.
ANEXOS
(A Gênese, Cap.XI, item 18)
Mantida que era por uma força atuante, tal união se desfaz, logo que essa força deixa de atuar. Então, o perispírito se desprende, molécula a molécula, conforme se unira, e ao Espírito é restituída a liberdade. Assim, não é a partida do Espírito que causa a morte do corpo; esta é que determina a partida do Espírito. (força que atuava era a influência do princípio vital)
O que é o Espiritismo? > Capítulo III — Solução de alguns problemas pela doutrina espírita > O homem depois da morte, item 154:
“Observação – Nas comunicações espíritas, o Espírito de um menino pode, pois, falar como adulto, porque pode ser Espírito adiantado. Se, algumas vezes, adota a linguagem infantil, é para não tirar à mãe o encanto que sempre está ligado à afeição de um ente frágil, delicado e adornado com as graças da inocência. (Ver Revista espírita, janeiro de 1858, Mãe, estou aqui!)”
O Livro dos Espíritos:
A perturbação que se segue à separação da alma e do corpo é do mesmo grau e da mesma duração para todos os Espíritos?
“Não; depende da elevação de cada um. Aquele que já está purificado, se reconhece quase imediatamente, pois que se libertou da matéria antes que cessasse a vida do corpo, enquanto que o homem carnal, aquele cuja consciência ainda não está pura, guarda por muito mais tempo a impressão da matéria.” (perg.164.)
O Céu e o Inferno, 2ª parte, ‘O Passamento’
“Depende. Se praticaste o mal, impelido pelo desejo de o praticar, no primeiro momento te sentirás envergonhado de o haveres praticado. Com a alma do justo as coisas se passam de modo bem diferente. Ela se sente como que aliviada de grande peso, pois que não teme nenhum olhar perscrutador.”
“A perturbação pode então ser considerada como o estado normal no instante da morte; sua duração é indeterminada; ela varia de algumas horas a alguns anos. À medida que a perturbação se dissipa, a alma fica na situação de um homem que sai de um sono profundo; as ideias são confusas, vagas e incertas; vê como através de um nevoeiro; pouco a pouco a vista clareia, a memória volta, e reconhece a si mesma. Mas esse despertar é bem diferente, de acordo com os indivíduos; nuns, é calmo e propicia uma sensação deliciosa; em outros, é cheio de terror e de ansiedade, e produz o efeito de um horrendo pesadelo.” (, item 6)
Entre a Terra e o Céu, André Luiz/Chico Xavier
“Nesta hora, muitas irmãs da Terra chegam em visita a filhinhos desencarnados.
Temos aqui importante colônia educativa, misto de escola de mães e domicílio dos pequeninos que regressam da esfera carnal.” (Cap. 9 ‘No Lar da Benção’)
“Em muitas situações, (…) quando o Espírito já alcançou elevada classe evolutiva, assumindo o comando mental de si mesmo, adquire o poder de facilmente desprender-se das imposições da forma, superando as dificuldades da desencarnação prematura.”
“Contudo, para a grande maioria das crianças que desencarnam, o caminho não é o mesmo. (…) Não sabem desatar os laços que as aprisionam aos rígidos princípios que orientam o mundo das formas e, por isso, exigem tempo para se renovarem no justo desenvolvimento.” (Cap. 10)
O nosso educandário guarda mais de duas mil crianças, (...). Somos um grande conjunto de lares, nos quais muitas almas femininas se reajustam para a venerável missão da maternidade e conosco multidões de meninos encontram abrigo para o desenvolvimento que lhes é necessário, salientando-se que quase todos se destinam ao retorno à Terra para a reintegração no aprendizado que lhes compete. (Cap. 11)
Entre a Terra e o Ceú, André Luiz/Chico Xavier, Cap. 10 'Preciosa conversação'
Pretenderá a irmã dizer que uma criança pode desencarnar, fora do dia indicado para a sua libertação?
– Sim, sem dúvida – atalhou o Ministro, que nos escutava –, há um programa estruturado na Espiritualidade para as nossas tarefas humanas; entretanto, pertence-nos a condução dos próprios impulsos dentro delas. Em regra geral, multidões de criaturas cedo se afastam do veículo carnal, atendendo a serviços de socorro e sublimação, mas, em numerosas circunstâncias a negligência e a irreflexão dos pais são responsáveis pelo fracasso dos filhinhos.
– Aqui – explicou Blandina, delicada – recebemos muitas solicitações de assistência, a benefício de pequeninos ameaçados de frustração. Temos irmãs que por nutrirem pensamentos infelizes envenenam o leite materno, comprometendo a estabilidade orgânica dos recém-natos. Vemos casais que, através de rixas incessantes, projetam raios magnéticos de natureza mortal sobre os filhinhos tenros, arruinando-lhes a saúde, e encontramos mulheres invigilantes que confiam o lar a pessoas ainda animalizadas, que, à cata de satisfações doentias, não se envergonham de ministrar hipnóticos a entezinhos frágeis, que reclamam desvelado carinho...
Em algumas ocasiões, conseguimos restabelecer a harmonia, com a recuperação desejável; no entanto, muitas vezes somos constrangidas a assistir ao malogro de nossos melhores propósitos.
– Nesses casos... – interferi, buscando maiores esclarecimentos.
Blandina, porém, percebendo-me a indagação íntima, adiantou:
– Nesses casos, ainda e sempre, a Lei é invariável. As provas e tarefas sofrem dilação no tempo, mas serão cumpridas, afinal.
Aquilo que não se realiza num século, pode efetuar-se em outro.
Nossa boa vontade e nossa aplicação aos Desígnios Divinos podem abreviar qualquer espécie de serviço. Quem persiste na direção do bem, mais cedo atinge a vitória.
E com o formoso sorriso que lhe bailava no semblante juvenil, acrescentou:
– Não vale fugir às responsabilidades, porque o tempo é inflexível e porque o trabalho que nos compete não será transferido a ninguém.