Casa Espírita Missionários da Luz - Diretoria de Infância e Juventude
Mocidade: > 16 anos 25/09/2026
Tema: Liberdade e Responsabilidade
Objetivo:
- Refletir sobre a escolha das Provas, e a Responsabilidade pelo uso do livre arbítrio;
- Compreender a Expiação e Reparação, como consequências das decisões do passado;
- Refletir sobre as guerras e os flagelos naturais atuais, como expiação e reparação, consequência do livro arbítrio usado antes.
Bibliografia:
O Livro dos Espíritos:, pergs 258 e 259, 264 (Escolha das Provas); 843 à 867, 872 (Lei de Liberdade);
Evangelho Seg.Espiritismo, Cap.V – Bem-aventurados os Aflitos, itens 4 à 8; Cap XI — Amar o próximo como a si mesmo, itens 2 e 4;
O Céu e o Inferno, 1ª parte: Código Penal da Vida Futura;
A Gênese, Cap XVII — Predições do Evangelho, item "Sinais precursores"; Cap XVIII — São chegados os tempos, item "Sinais dos tempos";
Mateus,16:27 - a cada um será dado segundo as suas obras;
Mateus, 7:12 - Fazei aos homens tudo o que queirais que eles vos façam, pois é nisto que consistem a lei e os profetas;
Contos Desta e Doutra Vida, Irmão X/Chico Xavier, cap. 35 ‘Talidomida’.
Material: um exemplar de o LE.
Desenvolvimento:
Hora da novidade, exercícios de respiração profunda e prece Inicial
Motivação ao tema:
Vocês já ouviram falar de um medicamento chamado talidomida?
Foi uma substância usada como sedativo e remédio para aliviar enjoos matinais em
gestantes, desenvolvido na Alemanha em 1954 e 1956.
No final de 1956 o primeiro caso de malformação congênita associado ao fármaco foi
registrado.
Em 1957, o medicamento começou a ser comercializado agressivamente no mercado
internacional.
De 1959 a 1960, os médicos começaram a notar um aumento alarmante e sem precedentes
no nascimento de crianças com uma síndrome caracterizada pelo encurtamento ou
ausência dos membros superiores e inferiores, além de e outras deformidades graves.
Em 1961, estudos publicados por médicos na Austrália e na Alemanha comprovaram de
forma definitiva a relação entre o uso da talidomida por grávidas e as malformações nos
bebês.
Em novembro de 1961, o medicamento começou a ser proibido e retirado de circulação na
Europa e na maior parte do mundo.
Estima-se que a tragédia da talidomida tenha afetado mais de 10.000 crianças em cerca de
46 países, mudando para sempre as leis globais de fiscalização e testes de segurança para
a aprovação de novos medicamentos.
(informações pelo Chat GPT, em 23/09/26)
==> O que vocês acham disso? Como podemos analisar fatos como esse sob a ótica da
doutrina espírita?
- falar do texto de Irmão X, no livro Contos Desta e Doutra Vida. (anexo)
Desenvolvimento:
Trabalho em Grupos:
- Propor a divisão em 2 grupos para refletirem sobre o momento atual que vivemos no nosso
planeta, com guerras, tecnologias de ponta sendo utilizadas nas guerras, flagelos naturais,
tendo como subsídio, esse relato do Irmão X. Ou seja, usar a lente da doutrina espírita para
essa análise. (10 minutos para a discussão nos grupos)
Apresentação dos Grupos:
- Depois das apresentações, trazer as reflexões doutrinárias, se necessário:
- O planejamento é uma das possibilidades para a encarnação, pois temos o livre arbítrio, as
escolhas que fazemos durante a encarnação. Independente dessas escolhas, toda
encarnação é oportunidade de aprendizado e progresso espiritual.
As regras básicas são:
- tem coisas que acontecem que impactam nossa vida, independente de nossa vontade.
Pode ser por livre arbítrio de outros ou fatalidade (escolha prévia das provas ou expiação);
- temos liberdade de ação até um certo ponto, e toda ação tem uma consequência
correspondente, e um nível de responsabilidade por essas consequências (O Céu e o
Inferno, 1ª parte: Código Penal da Vida Futura); (LE perg. 844 e 849);
- “O arrependimento, conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si
só; são precisas a expiação e a reparação. Arrependimento, expiação e reparação
constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e
suas consequências.” (O Céu e o Inferno, 1ª parte: Código Penal da Vida Futura, item 16º)
- “O arrependimento pode dar-se por toda parte e em qualquer tempo; se for tarde, porém, o
culpado sofre por mais tempo.
Até que os últimos vestígios da falta desapareçam, a expiação consiste nos sofrimentos
físicos e morais que lhe são consequentes, seja na vida atual, seja na vida espiritual após a
morte, ou ainda em nova existência corporal.” (O Céu e o Inferno, 1ª parte: Código Penal da
Vida Futura, item 17º)
- nossas ações impactam também nas encarnações de outros Espíritos. Planos em conjunto
não seguidos, são adiados para outras oportunidades;
- Regra Áurea: não faça aos outros o que não deseja que façam a você! (ESE, Cap. XI,
itens 2 e 4).
Com relação ao termo “fatalidade”, importante reforçar que de acordo com a DE, existe
fatalidade nessa nossa existência:
- no nascimento e na morte; (todos vamos morrer – desencarnar!)
- em acidentes, eventos, independente de nossa vontade, que mudam radicalmente nossas
vidas.
==> Porém, esses eventos significativos nessa existência, foram por nós, Espíritos,
escolhidos antes da atual reencarnação.
- Pela Lei do Progresso, o planeta também evolui, se modifica em suas estruturas físicas.
Essas mudanças levam a cataclismos, que geram flagelos aos seus habitantes. Tudo dentro
das leis de Deus. Os corpos morrem; os Espíritos não!
(A Gênese, Cap XVIII — São chegados os tempos, item "Sinais dos tempos")
Antes de encerrar, perguntar se o grupo tem alguma dúvida específica sobre esse assunto.
Conclusão
Como disse Jesus em seu sermão profético:
“Também ouvireis falar de guerra e de rumores de guerra; tratai de não vos perturbardes,
porquanto é preciso que essas coisas se deem; mas, ainda não será o fim — pois ver-se-á
povo levantar-se contra povo e reino contra reino; e haverá pestes, fomes e tremores de
terra em diversos lugares — todas essas coisas serão apenas o começo das dores.” (S.
Mateus, 24:6 a 8.) (A Gênese, Cap XVII - Cap Predições do Evangelho, item Sinais
Precursores ,nr 47)
“Levantar-se-ão muitos falsos profetas que seduzirão a muitas pessoas; — e, porque
abundará a iniquidade, a caridade de muitos esfriará; — mas, aquele que perseverar até o
fim será salvo.
— E este Evangelho do reino será pregado em toda a Terra, para servir de testemunho a
todas as nações. É então que o fim chegará. (S. Mateus, 24:11 a 14.) (A Gênese, Cap. XVII,
item “Sinais precursores”, nr 53)
==> Tenhamos fé! Sejamos otimistas, na certeza de que nada ocorre sem a permissão de
Deus, que é soberanamente justo e bom!
Exercícios de respiração profunda, prece final e passes
Avaliação:
Encontro com 8 jovens, com interesse e participação. Não fizemos a discussão em grupos.
Lemos o texto do Irmão X e fizemos a ponte com o cenário atual do mundo. Já tinham
ouvido falar da talidomida, em questões químicas, por ser tema do vestibular.
ANEXOS
Livro dos Espíritos
LE Perg. 849. Qual a faculdade predominante no homem em estado selvagem: o instinto, ou o livre-arbítrio?
“O instinto, o que não o impede de agir com inteira liberdade, no tocante a certas coisas. Mas aplica, como a criança, essa liberdade às suas necessidades; ela se amplia com a inteligência. Conseguintemente, tu, que és mais esclarecido do que um selvagem, também és mais responsável pelo que fazes do que ele o é pelos seus atos.”
- no caso das crianças e jovens, os pais orientam e decidem pelos filhos.
- Quanto maior a inteligência, maior a liberdade, maior a responsabilidade.
LE Perg.844
Do livre-arbítrio goza o homem desde o seu nascimento?
“Há liberdade de agir, desde que haja vontade de fazê-lo. Nas primeiras fases da vida, quase nula é a liberdade, que se desenvolve e muda de objeto com o desenvolvimento das faculdades. Estando seus pensamentos em concordância com o que a sua idade reclama, a criança aplica o seu livre-arbítrio àquilo que lhe é necessário.”
LE perg. 847. A aberração das faculdades tira ao homem o livre-arbítrio?
“Já não é senhor do seu pensamento aquele cuja inteligência se ache turvada por uma
causa qualquer e, desde então, já não tem liberdade.”
LE.Perg 859.a) — Haverá fatos que forçosamente devam dar-se e que os Espíritos não possam conjurar, embora o queiram?
“Há, mas que tu viste e pressentiste quando, no estado de Espírito, fizeste a tua escolha. Não creias, entretanto, que tudo o que sucede esteja escrito, como costumam dizer. Um acontecimento qualquer pode ser a consequência de um ato que praticaste por tua livre vontade, de tal sorte que, se não o houvesses praticado, o acontecimento não se teria dado. Imagina que queimas o dedo. Isso nada mais é senão resultado da tua imprudência e efeito da matéria. Só as grandes dores, os fatos importantes e capazes de influir no moral, Deus os prevê, porque são úteis à tua depuração e à tua instrução.”
LE Perg. 851. Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida, conforme ao sentido que se dá a este vocábulo? Quer dizer: todos os acontecimentos são predeterminados? E, neste caso, que vem a ser do livre-arbítrio?
“A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito fez, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, instituiu para si uma espécie de destino, que é a consequência mesma da posição em que vem a achar-se colocado. Falo das provas físicas, pois, pelo que toca às provas morais e às tentações, o Espírito, conservando o livre-arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou de resistir.
LE Perg.866. Então, a fatalidade que parece presidir aos destinos materiais de nossa vida também é resultante do nosso livre-arbítrio?
“Tu mesmo escolheste a tua prova. Quanto mais rude ela for e melhor a suportares, tanto mais te elevarás. Os que passam a vida na abundância e na ventura humana são Espíritos pusilânimes, que permanecem estacionários. Assim, o número dos desafortunados é muito superior ao dos felizes deste mundo, atento que os Espíritos, na sua maioria, procuram as provas que lhes sejam mais proveitosas. Eles veem perfeitamente bem a futilidade das vossas grandezas e gozos. Acresce que a mais ditosa existência é sempre agitada, sempre perturbada, quando mais não seja, pela ausência da dor.”
Evangelho Segundo o Espiritismo
Remontando-se à origem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos são consequência natural do caráter e do proceder dos que os suportam.
Quantos homens caem por sua própria culpa! Quantos são vítimas de sua imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição! Interroguem friamente suas consciências todos os que são feridos no coração pelas vicissitudes e decepções da vida; remontem passo a passo à origem dos males que os torturam e verifiquem se, as mais das vezes, não poderão dizer: Se eu houvesse feito, ou deixado de fazer tal coisa, não estaria em semelhante condição.
(Cap V, item 4)
Mas, se há males nesta vida cuja causa primária é o homem, outros há também aos quais, pelo menos na aparência, ele é completamente estranho e que parecem atingi-lo como por fatalidade. Tal, por exemplo, a perda de entes queridos e a dos que são o amparo da família. Tais, ainda, os acidentes que nenhuma previsão poderia impedir; os reveses da fortuna, que frustram todas as precauções aconselhadas pela prudência; os flagelos naturais, as enfermidades de nascença, sobretudo as que tiram a tantos infelizes os meios de ganhar a vida pelo trabalho: as deformidades, a idiotia, o cretinismo, etc.
Os que nascem nessas condições, certamente nada hão feito na existência atual para merecer, sem compensação, tão triste sorte, que não podiam evitar, que são impotentes para mudar por si mesmos (...). Ora, ao efeito precedendo sempre a causa, se esta não se encontra na vida atual, há de ser anterior a essa vida, isto é, há de estar numa existência precedente. (Cap V, item 6)
O Céu e o Inferno, 1ª parte, Cap. VII, item “Código penal da Vida Futura’
11o) A expiação varia segundo a natureza e gravidade da falta, podendo, portanto, a mesma falta determinar expiações diversas, conforme as circunstâncias, atenuantes ou agravantes, em que for cometida.
13o) A duração do castigo depende da melhoria do Espírito culpado. Nenhuma condenação por tempo determinado lhe é prescrita. O que Deus exige por termo de sofrimentos é um melhoramento sério, efetivo, sincero, de volta ao bem.
16o) O arrependimento, conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só; são precisas a expiação e a reparação. Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências.
O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação.
17o) O arrependimento pode dar-se por toda parte e em qualquer tempo; se for tarde, porém, o culpado sofre por mais tempo.
Até que os últimos vestígios da falta desapareçam, a expiação consiste nos sofrimentos físicos e morais que lhe são consequentes, seja na vida atual, seja na vida espiritual após a morte, ou ainda em nova existência corporal.
A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal. Quem não repara os seus erros numa existência, por fraqueza ou má vontade, achar-se-á numa existência ulterior em contato com as mesmas pessoas que de si tiverem queixas, e em condições voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes reconhecimento e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito.
33º) Em que pese à diversidade de gêneros e graus de sofrimentos dos Espíritos imperfeitos, o código penal da vida futura pode resumir-se nestes três princípios:
1. O sofrimento é inerente à imperfeição.
2. Toda imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo o próprio castigo nas consequências naturais e inevitáveis: assim, a moléstia pune os excessos e da ociosidade nasce o tédio, sem que haja mister de uma condenação especial para cada falta ou indivíduo.
3. Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente anular os males consecutivos e assegurar a futura felicidade.
A cada um segundo as suas obras, no Céu como na Terra — tal é a lei da Justiça divina.
A Gênese, Cap XVII — Predições do Evangelho, item "Sinais precursores"
47. Também ouvireis falar de guerra e de rumores de guerra; tratai de não vos perturbardes, porquanto é preciso que essas coisas se dêem; mas, ainda não será o fim — pois ver-se-á povo levantar-se contra povo e reino contra reino; e haverá pestes, fomes e tremores de terra em diversos lugares — todas essas coisas serão apenas o começo das dores. (S. Mateus, 24:6 a 8.)
53. Levantar-se-ão muitos falsos profetas que seduzirão a muitas pessoas; — e, porque abundará a iniqüidade, a caridade de muitos esfriará; — mas, aquele que perseverar até o fim será salvo.
— E este Evangelho do reino será pregado em toda a Terra, para servir de testemunho a todas as nações. É então que o fim chegará. (S. Mateus, 24:11 a 14.)
CAPÍTULO XVIII — São chegados os tempos, item "Sinais dos tempos"
1. São chegados os tempos, dizem-nos de todas as partes, marcados por Deus, em que grandes acontecimentos se vão dar para regeneração da Humanidade.
2. (…) Isto posto, diremos que o nosso globo, como tudo o que existe, esta submetido à lei do progresso. Ele progride, fisicamente, pela transformação dos elementos que o compõem e, moralmente, pela depuração dos Espíritos encarnados e desencarnados que o povoam. Ambos esses progressos se realizam paralelamente, porquanto o melhoramento da habitação guarda relação com o do habitante. Fisicamente, o globo terráqueo há experimentado transformações que a
Ciência tem comprovado e que o tornaram sucessivamente habitável por seres cada vez mais aperfeiçoados. Moralmente, a Humanidade progride pelo desenvolvimento da inteligência, do senso moral e do abrandamento dos costumes.
Ao mesmo tempo que o melhoramento do globo se opera sob a ação das forças materiais, os homens para isso concorrem pelos esforços de sua inteligência. Saneiam as regiões insalubres, tornam mais fáceis as comunicações e mais produtiva a terra.
De duas maneiras se executa esse duplo progresso: uma, lenta, gradual e insensível; a outra, caracterizada por mudanças bruscas, a cada uma das quais corresponde um movimento ascensional mais rápido, que assinala, mediante impressões bem acentuadas, os períodos progressivos da Humanidade. Esses movimentos, subordinados, quanto às particularidades, ao livre-arbítrio dos homens, são, de certo modo, fatais em seu conjunto, porque estão sujeitos a leis, como os que se verificam na germinação, no crescimento e na maturidade das plantas. Por isso é que o movimento progressivo se efetua, às vezes, de modo parcial, isto é, limitado a uma raça ou a uma nação, doutras vezes, de modo geral.
3. (…) Deus, pois, vela incessantemente pela execução de suas leis e os Espíritos que povoam o espaço são seus ministros, encarregados de atender aos pormenores, dentro de atribuições que correspondem ao grau de adiantamento que tenham alcançado.
Contos Desta e Doutra Vida, Irmão X/Chico Xavier, cap. 35 ‘Talidomida’
Na tela cinematográfica, junto da qual sentíamos a realidade sem distorção, o professor do Plano Espiritual exibiu dois pequenos documentários sobre o assunto que nos fora motivo a longo debate.
1939 – 1943 – Surgiu à cena agitada metrópole europeia. Em tudo, o clima de guerra.
Desfiles militares de pomposa expressão. Na crista dos edifícios mais altos, bocas de fogo levantavam-se em desafio. Nas ruas, destacavam-se milhares de jovens em formações de tropa, ao rufar de tambores, ostentando símbolos e bandeiras. O povo, triste e apreensivo nas filas de suprimento, parecia desvairar-se de júbilo, nas paradas políticas, ovacionando oradores nas praças públicas. De vez em vez, sirenas sibilavam gritaria de alarme. Aviões sobrevoavam, incessantemente, o casario enorme, lembrando águias metálicas, de atalaia nos céus, para desfechar ataques defensivos contra inimigos que lhes quisessem pilhar o ninho.
Através de informações precisas, registrávamos os mínimos tópicos de cada conversação.
De súbito, vimo-nos mentalmente jungidos a dilatado recinto, onde centenas de policiais e civis cochichavam na sombra.
Articulam-se avisos. Ramifica-se a trama.
Camionetas deslizam dentro da noite.
Outros agrupamentos se constituem.
Mais algum tempo e magotes de transeuntes se agregam num ponto só, formando vasta legião popular em operoso bairro de ascendência israelita.
São paisanos decididos à rapinagem.
Homens e mulheres de raciocínio maduro combinam o assalto em mira. Madrugada adiante, quando a soldadesca selecionada desce dos veículos com a ordem de apressar famílias inermes, ei-los que invadem as residências judias, agravando o tumulto.
Para nós que assistíamos ao espetáculo, transidos de dor, era como se fitássemos corsários da terra, no burburinho do saque.
Mãos que retivessem anéis, pulsos que ostentassem adornos, orelhas ornamentadas de brincos e bustos revestidos de joias sofriam golpes rápidos, muitos deles tombando decepados em torrentes sanguíneas. Alguém que aparecesse com bastante coragem de investir contra os malfeitores, cuja impunidade se garantia com a indiferença de quantos lhes compartilhavam a copiosa presa, caía para logo de pernas mutiladas, para que não avançasse em socorro das vítimas.
E os quadros vivos se repetiam em outros lugares e em outras noites, com personagens diversas, nos mesmos delírios de violência.
1949 – 1953 – A tela passa a mostrar escuro vale no Espaço. Examinamos, confrangidos, milhares de seres humanos em condições deploráveis. Arrastam-se em desgoverno. Há quem chore a ausência dos braços, quem lastime a perda dos pés. Possível, no entanto, identificar muitos deles. São os mesmos infelizes de 1939 a 1943, participantes das empresas de furto e morte, à margem da guerra. Desencarnados, supliciam-se no remorso que se lhes incrusta nas consciências. Carregando a mente vincada pelas atrocidades de que foram autores, plasmaram em si, nos órgãos e membros profundamente sensíveis do corpo espiritual, as deformidades que infligiram aos irmãos israelitas indefesos. Ainda assim, almas heroicas atravessam o nevoeiro e distribuem consolações. Para que se refaçam, é preciso que reencarnem de novo, em breves períodos de imersão nos fluidos anestesiantes do plano físico. Necessário retomem a organização carnal, à maneira de doentes complicados que exigem regime carcerário para tratamento preciso.
Ensinamentos prosseguem ao redor do filme.
Sofrerão, sim, mais tarde, as provas regenerativas de que se revelam carecedores, mas, por enquanto, são albergados por braços afetuosos de amigos, que se prontificam a sustenta-los, piedosamente, ou entregues a casais necessitados de filhinhos-problemas, a fim de ressarcirem dívidas do pretérito.
A maioria dos implicados renasce no país em que se verificou o assombro delito, e muitos deles, em vários pontos outros do mundo, ressurgem alentados por famílias hospitaleiras ou endividadas, que se aconchegam, para a benemerência do reajuste.
Certamente – comentou o instrutor, ao término da película - certamente que nem todos os casos de malformação congênita podem ser debitados à influência da talidomida sobre a vida fetal. Em todos os tempos, consoante os princípios de causa e efeito, despontam crianças desfiguradas nos berços terrestres. O estudo, porém, que realizamos pela imagem esclarece com segurança o fenômeno das ocorrências de má-formação que repontaram em massa, entre os homens, nos últimos tempos.
Achávamo-nos suficientemente elucidados; no entanto, meu velho amigo Luís Vilas indagou:
- Isso quer dizer então, professor, que a talidomida foi aplicada de acordo com a lei da reencarnação?
— Bem, bem, — falou o mentor retratando a benevolência no semblante calmo, — a talidomida e a provação funcionaram em obediência à justiça, mas não será lícito esquecer que o lar e a ciência vigilante dos homens também funcionaram em obediência à Misericórdia Divina, que a tudo previu, a fim de que a administração daquele medicamento não ultrapassasse os limites justos. Compreenderam?
im, recebêramos a chave para entender o assunto que envolvia dolorosa disciplina expiatória, e, à face da emoção que nos impunha silêncio, a lição foi encerrada.