sábado, 23 de maio de 2026

Lei de Reprodução - Laços Afetivos

 Casa Espírita Missionários da Luz – Juventude > 15 anos – 08, 15 e 22/05/2026 

Tema: Lei de Reprodução - Laços Afetivos

Objetivos:

  • Refletir sobre as relações amorosas e a necessidade do respeito a si próprio e aos outros;

  • Namoro na adolescência e a sinceridade nos relacionamentos e nas separações.

Bibliografia:

O Livro dos Espíritos, pergs: 291, 695 e 696;

O Evang.Segundo o Espiritismo, Cap. XVII item 7 “O Dever”, Cap. XXII item 3;

Desafios da Educação – Camilo/Raul Teixeira, Parte 3 'A Honra de Procriar”, pergs. 21, 28, 29, 33;

Desafios da Vida Familiar – Camilo/Raul Teixeira, “Formação dos Casais”, pergs. 15 à 25, “O Casamento na Terra”;

Vida e Sexo, Emmanuel/Chico Xavier, “Namoro”, “Energia Sexual”, “Compromisso Afetivo” e “Casamento”;

Adolescência e Vida, Joanna De Ângelis/Divaldo Pereira Franco, Cap. 8 = O Adolescente e o Namoro;

Nossos Filhos São Espíritos’, Hermínio Miranda, Cap. 19 ‘Filhos Deficientes’.

Material: Livros Adolescência e Vida, Diretrizes de Segurança, Desafios da Vida Familiar; 2 Papéis de recados e 1 caneta para cada jovem; perguntas do trabalho em grupo (2 cópias de cada texto, ou mandar no grupo whatsApp).

Desenvolvimento:

1. Hora da novidade e Prece Inicial

2. Motivação inicial:

Dar papel e caneta a cada jovem e pedir que, individualmente e em silêncio, respondam à pergunta (sem se identificar):

- Você pensa em se casar?  (resposta SIM ou NÃO)

Qdo todos tiverem respondido, fazer outra pergunta:

- Você quer ter filhos? (resposta SIM ou NÃO)

Qdo todos tiverem respondido, recolher os papéis, dar novo papel e nova pergunta:

- Casar pra quê?

Obs.: Enqto estiverem respondendo, contar as respostas SIM e NÃO da pergunta inicial.

Qdo todos tiverem respondido, recolher os papéis, informar ao grupo as respostas dadas, totalizando os SIM e NÃO da 1ª pergunta.

3. Desenvolvimento:

Vemos que existem diferenças nas visões das pessoas com relação aos relacionamentos afetivos e à formação da família. Essas questões devem ser discutidas, conhecidas, entre cada dupla. Sinceridade, respeito, flexibilidade, compreensão, são a base de todos os relacionamentos.

- Quando, em qual fase do relacionamento a dois, essas questões devem ser discutidas, verificadas, conhecidas?

==>  No namoro!

Dá para atingir esses objetivos sem um compromisso de namoro? O namoro é uma preparação para o casamento/união de dois seres; fase de conhecimento entre dois seres.

-  Essa é a orientação que os Espíritos Camilo, no seu livro Diretrizes da Educação – Camilo/Raul Teixeira, Joanna/Divaldo Franco, em Adolescência e Vida, e Emmanuel/Chico Xavier, em Vida e Sexo, nos dão.

Hoje em dia, temos outros tipos de relacionamentos, né?

- O que é o ‘ficar’?  Qual o objetivo do ‘ficar’?

==> se começa com uma conversa, com uma dança, é o início de um processo de conhecimento da outra pessoa. Então, está dentro dos objetivos que os Espíritos Superiores orientam como sendo objetivo do namoro. Nesse caso, o ‘Ficar’ é o pré-namoro!!!

==> se o ‘Ficar’ é só contato físico, então é exaltação dos sentidos! Certo?

-  O corpo precisa de nutrição; de alimentação. E a alma precisa de alimento? O que vocês acham?

==>  Sim! Camilo chama esse alimento das almas de Nutrição psíquica.

- Por que é natural buscarmos os relacionamentos afetivos?

==>pela própria lei de reprodução, para a perpetuação da espécie. É instintivo. Porém, mais do que isso, existe Complementação Psíquica, necessidade de nutrição psíquica!

Camilo, nesse livro tem um item “A Honra de Procriar” onde ele diz:

Enquanto reencarnados na Terra, os espíritos, na sua quase totalidade, necessitam dessas experiências sob risco de enfermarem, psicologicamente, espiritualmente, quando não ofertem nem recebam esses néctares da Vida. (...)

Essas energias criadoras não são encontradas somente nos casais, mas, conforme já o assinalamos, está presente em todas as criaturas. Assim é que ela está no gesto enternecido entre almas que se amam, independente de relações conjugais, independente de contatos genitais. Está ativa no afeto dos amigos que se abraçam, que se tocam ou simplesmente se envolvem psiquicamente, sem qualquer contato corporal, produzindo o mesmo efeito.”

-  Camilo coloca que necessitamos dessas experiências afetivas. Todos necessitamos de AMOR!

Vocês já viram uma pessoa ficar doente, sem vitalidade, sem energia, quando um relacionamento sério é rompido?

-  Isso pode acontecer, pois se rompe o fornecimento desse tipo de energia, de alimento psíquico da pessoa. Faz sentido?

-  Porque não ocorre com todos? Não sabemos que outros alimentos psíquicos a pessoa tem!

-  Somos responsáveis pelos relacionamentos que mantemos? SIM! Podemos ferir psiquicamente, lesar em termos psíquicos uma pessoa!

E Joanna, em Adolescência e Vida, diz:

O namoro é uma necessidade psicológica, parte importante do desenvolvimento da personalidade e da aprendizagem afetiva dos jovens, porquanto, na amizade pura e simples são identificados valores e descobertos interesses mais profundos, que irão cimentar a segurança psicológica quando no enfrentamento das responsabilidades futuras.

Trata-se de um período de aproximação pessoal, de intercâmbio emocional através de diálogos ricos de idealismos, de promessas — que nem sempre se cumprem, mas que fazem parte do jogo afetivo — e sonhos, quando a beleza juvenil se inspira e produz.(...)

(Cap. 8 = O Adolescente e o Namoro)

- Relatar o caso real trazido por Hermínio Miranda em seu livro Nossos Filhos São Espíritos.

==> vemos que precisamos ‘ouvir’ nosso coração. O que motivou o suicídio foi orgulho ferido; ele ficou com ódio da ex-noiva! Se ficou com ódio, não era amor!

Precisamos ser sinceros com os outros e conosco mesmos!

Não somos obrigados a manter um relacionamento quando percebemos que não é o que realmente sentimos; às vezes é amizade e a gente confunde!

Propor a divisão em 2 grupos para responderem à pergunta (a mesma para os dois grupos)

-  Vocês acham que no casamento, existe planejamento espiritual? (Respostas SIM ou NÃO)

Deixar que discutam por 5 minutos, e perguntar qual a conclusão dos grupos: SIM ou NÃO?

==> para o grupo que respondeu SIM, entregar outra pergunta: Mas e as pessoas que casam e descasam? E casam de novo?

==> para o grupo que respondeu NÃO, fazer a pergunta: Mas como muitos casamentos são duradouros?  (ou a mesma pergunta para os 2 grupos se deram a mesma resposta!)

Deixar que discutam um pouco e dar os trechos abaixo (dependendo da resposta inicial do grupo), para ter subsídios na reflexão:

-  Para o grupo do SIM:

Perg. 16: Como podemos entender que duas pessoas se encontrem, se gostem e se unam, formando um casal para viver junto longamente?

Do mesmo modo que os vegetais se direcionam na busca do Sol e tem suas raízes que procuram diversos nutrientes no solo ou no subsolo, as almas também desejam se nutrir.

Esta procura de alimentação, de complementação que as almas efetuam dá-se o nome de psiquismo. O ser espiritual – essa psique em permanente atividade – anela encontrar em outro ser espiritual aquilo que lhe falta, de costume, à própria formação psicológica ou algo que se some ao que já lhe é comum.

Em realidade, não é comum que esse tipo de busca esteja ao nível do consciente. Quase sempre isso ocorre em nível inconsciente.

Quando alguém de depara com outro alguém que lhe dê resposta afetiva capaz de alimentar seus sentimentos, nutrir seus sonhos, contribuir com seus projetos de vida a dois, é comum se formalize o interesse de uma parte pela outra, ou o interesse recíproco, em condição favorável para a formação do par, do casal.

Perg. 17: Quando se diz que os casamentos vêm programados do Mundo Espiritual, o que isto significa?

Isso quer dizer que os Espíritos Benfeitores, responsáveis pelas reencarnações, após analisar e avaliar as “fichas” reencarnatórias dos seus tutelados, concluíram que em função das virtudes conquistadas e dos débitos com a vida, ser-lhes-á importante, necessário mesmo, encontrar e unir-se a alguém portador de tais qualidades e tais dificuldades. Indivíduos com as características visadas poderão ser encontrados em qualquer lugar da Terra, tendo em vista compor no planeta uma família universal com muitos pontos em comum, muitas similitudes.

Espíritos assim, tão semelhantes e tão dessemelhantes – aqui é proposital a aparente contradição – acharão, com certeza, aqueles com pouca ou ampla possibilidade de ajustamento psíquico.

É necessário que os parceiros experimentem um certo conforto psicológico, a fim de se aceitarem para a convivência mais íntima, com sérios propósitos.

Nisso consiste a força da programação. Não o determinismo absoluto, que não corresponderia à Suprema Inteligência do Criador.

(livro Desafios da Vida Familiar, Camilo, Raul Teixeira)

-  Para o grupo do NÃO:

Perg 19: Podem duas pessoas que jamais estiveram juntas em outras existências vir se encontrar na Terra e estabelecer uma relação conjugal?

Sim, e muitas vezes acontece. Pelo fato de ser a família terrestre muito parecida, costumam ocorrer encontros nos quais vige a lei das afinidades, do magnetismo pessoal. Duas criaturas que nunca tenham convivido podem sem dúvida, unir-se atualmente, por serem almas afins. A afinidade psíquica é responsável tanto pelas expressões de simpatia quanto da antipatia, no caso da não afinidade.

(livro Desafios da Vida Familiar, Camilo, Raul Teixeira)

Voltar ao grupão, pedindo que relatem as conclusões do grupo.

4. Conclusão:

Existem planejamentos pessoais, e planejamentos por características que auxiliem os Espíritos a progredirem juntos.

Por isso, pessoas que nunca se conheceram em vidas passadas, mas que detém características que se auxiliem mutuamente, podem vir a casar e se auto alimentarem psiquicamente.

De qualquer modo, temos nosso livre arbítrio. Muitas vezes nos deixamos levar por motivações outras que não a atração psíquica, e por não haver então, a mútua alimentação psíquica, o par acaba se separando.

Nesse assunto, como em tudo o mais, não podemos esquecer o ensino trazido por Jesus:

Fazeis aos homens tudo o que quereis que eles vos façam; porque é a lei e os profetas” (Mt,7:12), e

Tratai todos os homens da mesma forma que quereríeis que eles vos tratassem” (Lc, 6:31).

5.            Prece final e passes coletivos.

Avaliação:

Estudo em três encontros:

08/05/27 – Encontro com 9 jovens com bastante participação e muitas perguntas. Só fizemos a atividade dos cartões, na motivação inicial.

A perg: “Casar pra quê?”, pra 3 jovens, foi interpretada como casamento ofiical; eles foram literais. Melhor mudar a pergunta para: Qual a razão para duas pessoas casarem, morarem juntas?

15/05/27 – Encontro com 8 jovens com bastante participação. Continuamos o tema falando sobre o namoro, li o trecho de Joanna e relatei o caso relatado por Hermínio em seu livro Nossos Filhos São Espíritos.

22/05/27 – Encontro com 9 jovens com bastante participação. Fechamos o tema com a atividade nos 2 subgrupos; todos responderam que SIM à pergunta se os casamentos eram planejados antes da reencarnação. O grupo que ficou com o livro Desafios da Vida Familiar gostou do livro e quando vi, estavam lendo a perg 45 que falava de filhos. Essa foi uma discussão que trouxeram ao retorno ao grupão: como orientar os filhos com relação aos relacionamentos?

Anexos:

Subsídio ao evangelizador:

O Livro dos Espíritos

291. Além da simpatia geral, oriunda da semelhança que entre eles exista, votam-se os Espíritos afeições particulares?

Do mesmo modo que os homens, sendo, porém, que mais forte é o laço que prende os Espíritos uns aos outros, quando carentes de corpo material, porque então esse laço não se acha exposto às vicissitudes das paixões.”

695. Será contrário à lei da natureza o casamento, isto é, a união permanente de dois seres?

É um progresso na marcha da humanidade. ”

696. Que efeito teria sobre a sociedade humana a abolição do casamento?

Seria uma regressão à vida dos animais.”

A união livre e fortuita dos sexos é o estado de natureza. O casamento constitui um dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas, porque estabelece a solidariedade fraterna e se observa entre todos os povos, se bem que em condições diversas. A abolição do casamento seria, pois, o retorno à infância da humanidade, e colocaria o homem abaixo mesmo de certos animais, que lhe dão o exemplo de uniões constantes.

ESE, Cap XVII, item 7 (O Dever)

Fielmente observado, o dever do coração eleva o homem; como determiná-lo, porém, com exatidão? Onde começa ele? onde termina? O dever principia, para cada um de vós, exatamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranquilidade do vosso próximo; acaba no limite que não desejais ninguém transponha com relação a vós.

ESE, Cap XXII, item 3 (Indissolubilidade do casamento)

Mas, na união dos sexos, a par da lei divina material, comum a todos os seres vivos, há outra lei divina, imutável como todas as leis de Deus, exclusivamente moral: a lei de amor. Quis Deus que os seres se unissem não só pelos laços da carne, mas também pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos esposos se lhes transmitisse aos filhos e que fossem dois, e não um somente, a amá-los, a cuidar deles e a fazê-los progredir.

A Honra de Procriar” - Camilo/Raul Teixeira – Diretrizes da Educação

Nenhuma função que tenha o espírito na Terra encarnado será mais bela ou mais pujante do que a função de co-criador com Deus.

O Criador depôs em cada um dos Seus Filhos essa chama, perenemente acesa, alimentada por essa energia cósmica que tudo penetra, que tudo inunda, que tudo faz vibrar, e que se convencionou chamar de Vida. (...)

No consórcio esponsalício, quando duas almas se unem sob a bênção do amor, essa sublime energia criadora que se movimenta em todo ser humano, chamada energia sexual, estabelece a nutrição hormono-psíquica do casal, ocasião em que se diz, simbolicamente, que os dois se tornam uma só carne, facultando que levem uma vida harmonizada, à semelhança de quem se vale de um copo d'água fresca quando tem sede.

Junto desses hormônios em atividade durante os relacionamentos do amor, seja na sua expressão genital ou nas trocas de ternuras, no envolvimento do carinho, desenvolvem-se outras formas de energia, decorrentes da energia mental, capazes de alimentar os centros energéticos – centros de força – do corpo espiritual, repercutindo sobre o corpo físico, fechando o circuito do amor conjugal. Nasce o impulso afetivo no espírito. (…)

Enquanto reencarnados na Terra, os espíritos, na sua quase totalidade, necessitam dessas experiências sob risco de enfermarem, psicologicamente, espiritualmente, quando não ofertem nem recebam esses nectares da Vida. (...)

Essas energias criadoras não são encontradas somente nos casais, mas, conforme já o assinalamos, está presente em todas as criaturas. Assim é que ela está no gesto enternecido entre almas que se amam, independente de relações conjugais, independente de contatos genitais. Está ativa no afeto dos amigos que se abraçam, que se tocam ou simplesmente se envolvem psiquicamente, sem qualquer contato corporal, produzindo o mesmo efeito.

(Diretrizes da Educação – Camilo/Raul Teixeira)

Perg.21: Por que temos de buscar alguém que nos complemente o psiquismo? E a nossa individualidade?

A Divindade estabeleceu para a vida na Terra o regime da interdependência. Para que o egoísmo não alcance níveis mais alarmantes, quis o Criador que, embora individuais, inteiros, tivéssemos necessidade da relação uns com os outros.

Em termos orgânicos, quando encarnados, temos necessidade do alimento material. Para isso estão ao dispor de cada ser humano os alimentos dos reinos vegetal, mineral e animal, para reabastecer o edifício somático.

Entanto, os indivíduos carecem de outras energias, a energia que nos chega dos astros, da natureza em torno, principalmente de outras almas. Não é à toa que somos animais sociais – como afirmou Platão – pois sentimos falta do contato dos outros, dos fluidos dos demais irmãos, como se fossem combustível para a vida. Aliás, é a ausência dos fluidos de outra pessoa em nós que nos impõe um sentimento que chamamos saudade. Sentimos a presença ou a ausência dos fluidos característicos tanto de pessoas quanto de lugares. Saudade, então, representa um processo de “desnutrição” psíquica que pode fazer adoecer, psicológica e fisicamente, ou mesmo matar biologicamente. Morre-se de saudade como se morre de inanição no mundo. (...)

Daí, as pessoas amadas, sejam amigas, sejam esposos, filhos, pais, irmãos, deixam-nos carentes dos seus fluidos quando estão longe de nós, fisicamente. Passamos a sentir esvaecimento, surge a necessidade de complementação. O recebimento de uma carta, uma chamada telefônica, um encontro, mesmo que rápido, apaziguam a angustiosa sensação. Então, verificamos que há uma relação biopsíquica entre as pessoas vinculadas por afetividade.

Perg. 29: Qual a função dos períodos de namoro, noivado e casamento?

Encarando esses períodos como exigências sociais, que obedecem à necessidade que os indivíduos apresentam de estabelecerem um contato mínimo, antes do matrimônio propriamente dito. Vê-mo-las como propiciadores desses contatos, desses entrosamentos, partindo do conhecimento mais periférico, que envolve modos, beleza plástica, falas, etc., passando por um estágio em que já se vivencia uma intimidade maior no campo das ideias, da firmeza e fragilidade da outra pessoa, filosofia de vida, temperamento, ocasião em que se deverão pôr as cartas na mesa, no sentido de se definirem posturas para o casamento, condutas perante a questão profissional da mulher, quanto ao trabalho fora de casa, à criação dos filhos, ao ajustamento religioso dos filhos em razão de possíveis diferenças do casal, etc.

O casamento, contudo, é que vai coroando esse conhecimento, ao longo do tempo, impondo muitas vezes mudanças de opiniões, de ideias ou de condutas que se tinha com relação à outra parte, amadurecendo o bem-querer ou confirmando os desencontros.

Daí, então, vemos o casamento como o crisol onde vão-se burilando os seres que se dispuseram servir à Grande Vida, por meio de sua sinceridade e abnegação nos passos da vida, crescendo, pouco a pouco, para o cumprimento dos seus relevantes misteres na Terra. (Diretrizes da Educação – Camilo/Raul Teixeira)

Emmanuel/Chico Xavier em Vida e Sexo, Cap. 3 ‘Namoro’:

Dois seres descobrem um no outro, de maneira imprevista, motivos e apelos para a entrega recíproca e daí se desenvolve o processo de atração. O assunto consubstanciaria o que seria lícito nomear como sendo um "doce mistério" senão faceássemos nele as realidades da reencarnação e da afinidade.

Inteligências que traçaram entre si a realização de empresas afetivas ainda no Mundo Espiritual, criaturas que já partilharam experiências no campo sexual em estâncias passadas, corações que se acumpliciaram em delinquência passional, noutras eras, ou almas inesperadamente harmonizadas na complementação magnética, diariamente compartilham as emoções de semelhantes encontros, em todos os lugares da Terra.

Positivada a simpatia mútua, é chegado o momento do raciocínio. (…)

É imperioso anotar, entretanto, em muitos lances da caminhada evolutiva do Espírito, a influência exercida pelas inteligências desencarnadas no jogo afetivo. Referimo-nos aos parceiros das existências passadas, ou, mais claramente, aos Espíritos que se corporificarão no futuro lar, cuja atuação, em muitos casos, pesa no ânimo dos namorados, inclinando afeições pacificamente raciocinadas para casamentos súbitos ou compromissos na paternidade e na maternidade, namorados esses que então se matriculam na escola de laboriosas responsabilidades.”

Joanna de Ângelis/Divaldo Franco, Adolescência e Vida, Cap. 8 = O Adolescente e o Namoro)

O namoro é uma necessidade psicológica, parte importante do desenvolvimento da personalidade e da aprendizagem afetiva dos jovens, porquanto, na amizade pura e simples são identificados valores e descobertos interesses mais profundos, que irão cimentar a segurança psicológica quando no enfrentamento das responsabilidades futuras.

Trata-se de um período de aproximação pessoal, de intercâmbio emocional através de diálogos ricos de idealismos, de promessas — que nem sempre se cumprem, mas que fazem parte do jogo afetivo — e sonhos, quando a beleza juvenil se inspira e produz.(...)

Quando o namoro derrapa em relacionamento do sexo, por curiosidade e precipitação, sem a necessária maturidade psicológica nem a conveniente preparação emocional, produz frustração, assinalando o ato com futuras coarctações, que passam a criar conflitos e produzir fugas, gerando no mundo mental dos parceiros receios injustificáveis ou ressentimentos prejudiciais.”

Não raro, esses choques levam a práticas indevidas e preferências mórbidas, que se transformam em patologias inquietantes na área do comportamento sexual.

É natural que assim suceda, porque o sexo é departamento divino da organização física, a serviço da vida e da renovação emocional da criatura, não podendo ser usado indiscriminadamente por capricho ou por mecanismos de afirmação da polaridade biológica de cada qual.”

O indivíduo tem necessidade de exercer a função sexual, como a tem de alimentar-se para viver. Não obstante essa função, porque reprodutora, traz antecedentes profundos fixados nos painéis do Espírito, arquivados no inconsciente, que não interpretados corretamente se encarregam de levá-lo a transtornos psicóticos significativos.”

O período do namoro, portanto, é preparatório, a fim de predispor os adolescentes ao conhecimento das suas funções orgânicas, que podem ser bem direcionadas e administradas sem vilania, mantendo o alto padrão de consciência em relação ao seu uso.”

==> coarctações = restrições

Hermínio Miranda em ‘Nossos Filhos São Espíritos’, Cap. 19 ‘Filhos Deficientes’

O menino nascera em família de confortável status social e econômico, de um jovem e belo casal culto e inteligente. Era até um bonito menino, de boa aparência física, mas também sem o necessário controle sobre o corpo. Disseram-me pessoas da família, que me procuraram para conversar sobre o assunto, que a criança tivera o cérebro danificado ao nascer, por causa de um sufocamento que tardou mais do que deveria, ao ser clinicamente socorrida.

Recuperadas a respiração e a vida, o cérebro apresentava problemas irreversíveis.

Além do mais, a tomografia revelara exígua massa cerebral, suficiente para que o poderoso computador vivo pudesse funcionar com um mínimo de condição, mas não com uma parte decisiva de seu potencial.

Um detalhe era particularmente dramático: o avô, competente médico, embora não responsável pelo parto, nada pudera fazer, a tempo, para salvar o neto, com o que se sentia profundamente deprimido.

(...) nossos amigos espirituais concordaram em trazer-nos alguns esclarecimentos e palavras de consolo e orientação. Segundo eles, pai, mãe e filho constituíram, em passada existência, componentes de um triângulo amoroso. A jovem e um dos rapazes estavam já com o casamento acertado quando ela se apaixonou pelo outro, atual pai da criança deficiente. No precipitado impulso, em momento de desatino, o jovem preterido atirou-se por um despenhadeiro abaixo, danificando de maneira grave precisamente seu cérebro físico. O atual avô, que era então seu pai, tudo fez para salvá-lo, mas não o conseguiu, ficando marcado por profunda mágoa, pois muito amava o filho e nele depositava grandes esperanças. Quanto à moça, uniu-se, afinal, ao jovem de sua escolha.

Na inexorável simetria e precisão das leis divinas, o trio acabou marcando novo encontro para esta existência. Programaram os dois novamente casar-se e receberem o que outrora fora rival do rapaz e noivo rejeitado da moça. A lei concedia, dessa maneira, aos pais, a oportunidade de restituir a vida física àquele que a perdera por causa da rivalidade amorosa. O noivo abandonado, por sua vez, cometera o grave erro de suicidar-se, danificando irreparavelmente o mais importante dos centro vitais — o cérebro físico, com as inevitáveis e consequentes repercussões no sistema perispiritual. (...)

De qualquer maneira, era inevitável que ele constituísse pesado encargo para os pais, além do sofrimento regenerador que a si mesmo impunha, como prisioneiro de um corpo deficiente, por ter, impulsivamente, rejeitado a oportunidade que lhe fora concedida, da vez anterior, em corpo normal e saudável. (…)

Viemos para progredir, para testar nossas resistências e conquistas, precisamente em situações estressantes, que nossos equívocos anteriores criaram para nós. Em outras palavras, não era preciso matar-se porque perdeu a noiva. Poderia ter reformulado sua vida, pois é certo que aquele incidente específico da rejeição por parte dela não era uma certeza e, sim, uma possibilidade, um teste a mais, se ocorresse, como ocorreu. (...)

Comunicação mediúnica do Espírito do filho deficiente, após sua desencarnação:

Lamentava o suicídio desastroso, que compreendia como gesto de rebeldia, de tão trágicas consequências. Acrescentava que teria tido certos atenuantes se, pelo menos, não tivesse sido vitimado por uma pesada dosagem de ódio, especialmente pela jovem que, a seu ver, o traíra, preterindo-o ao outro. Além do mais, podia ver, agora, a lamentável inutilidade de seu gesto desesperado, ao saber que outra mulher lhe estava destinada. E que a esta, ele amava de fato, não com os impulsos da paixão, como à outra, mas com as ternuras do amor. A rejeição teria sido apenas desagradável incidente, pelo qual ele teria mesmo de passar, por causa de compromissos anteriores. Nunca, porém, a lei programa suicídios e tragédias.

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