domingo, 29 de março de 2026

Missão de Allan Kardec

 Casa Espírita Missionários da Luz – DIJ – Juventude 1 - > 16 anos

27/03/2026

TemaMissão de Allan Kardec

Objetivos:

  • Perceber a missão de Allan Kardec como exemplo da Lei do Trabalho, do objetivo da encarnação.

Bibliografia:

  • O Livro dos Espíritos, pergs 571 à 582 (Ocupações e Missão dos Espíritos);

  • Obras Póstumas: Biografia de Allan Kardec ; 2ª parte – Meu Guia espiritual, 25 de março de 1856; A Missão de Allan Kardec (30 de abril de 1856 - Primeira revelação da minha missão; 7 de maio de 1856 - Minha missão; 12 de junho de 1856 - Minha missão);

  • A Missão de Allan Kardec, Carlos Imbassahy, Cap. 5 ‘Allan Kardec’; Cap. 8 ‘Iniciação no Espiritismo’, Cap. 11 ‘Bases Doutrinárias’.

Material: Obras Póstumas; Livro dos Espíritos; cópias em papel das 3 comunicações sobre a missão de Allan Kardec; 1 bolinha de exercício com as mãos.

Procedimentos:

  1. Hora da novidade (a prece inicial é feita após o Momento Musical)

  2. Motivação Inicial

Na semana passada começamos a ver a Lei do Trabalho, a importância das ocupações úteis; que tudo na Natureza trabalha, que Deus trabalha sempre e Jesus também!

Hoje vamos ver as missões dos Espíritos Superiores quando encarnam entre nós. No LE onde Kardec trata das ocupações dos Espíritos, ele fez a pergunta:

573. Em que consiste a missão dos Espíritos encarnados?

Em instruir os homens, em lhes auxiliar o progresso; em lhes melhorar as instituições, por meios diretos e materiais. As missões, porém, são mais ou menos gerais e importantes. O que cultiva a terra desempenha tão nobre missão, como o que governa, ou o que instrui. Tudo em a Natureza se encadeia. Ao mesmo tempo que o Espírito se depura pela encarnação, concorre, dessa forma, para a execução dos desígnios da Providência. Cada um tem neste mundo a sua missão, porque todos podem ter alguma utilidade.”

==> Todos nós, seres vivos na Terra, estamos cumprindo nossas missões, mesmo sem que tenhamos consciência disso. Vimos isso tambémna semana passada naquela questão poética do LE, a 540!

Hoje vamos estudar a missão de um Espírito que ao encarnar trouxe algo muito importante para a humanidade, principalmente para nós, Espíritas!

==> Quem arrisca de quem falaremos? (se não acertarem, falar que estudaremos a missão de Allan Kardec).

Propor um jogo rápido de perguntas e respostas, para revermos informações sobre o codificador do Espiritismo.

Quem receber a bolinha, deve responder a pergunta. Se não souber, passa pra outro jovem.

Perguntar quem quer começar.

1. Verdadeiro nome

Hippolyte-Léon-Denizard Rivail

2. Cidade e país de nascimento

Lyon, França (em 3/outubro/1804)

3. Qual professor famoso, foi mestre de Kardec?

Pestalozzi, na Suíça ==> vemos que ele se preparou para a missão que faria depois!

4. Formação acadêmica superior

Pedagogia ==> para orientar o ensino da DE, precisava dessa capacitação! Vejam que a providência divina nos encaminha para a profissão que precisamos para dar conta da nossa missão. A vida sempre nos encaminha para o que precisamos fazer aqui, na encarnação!

5. Profissões em que atuava

Professor e autor de livros didáticos

6. Porque o Prof. Rivail usou o pseudônimo de Allan Kardec ao publicar o Livro dos Espíritos.

Para diferenciar de livros de sua autoria.

Segundo lhe revelara seu guia espiritual, ele tivera esse nome numa encarnação ao tempo dos Druidas.

7. Qual era a missão de Allan Kardec?

Trazer ao mundo, o Espiritismo!

8. Qual é a missão do Espiritismo?

Regeneração da humanidade! Acabar com materialismo. Por aí, vemos a importância da missão de Allan Kardec! (LE, Prolegômenos)

9. Com quantos anos Kardec começou sua missão?

51 anos!!! (Maio/1855 viu pela primeira vez as mesas girantes) ==> nunca estamos velhos para trabalharmos na nossa missão!

10. Morreu com quantos anos?

65 anos (Março/1869) ==> cumpriu a missão e retornou ao PE para continuar de lá!

11. Quais são os 5 livros da codificação espírita?

LE, LM, ESE, CeI e A Gênese.


  1. Desenvolvimento

Vamos agora ver como foi que o Prof. Rivail começou a sua missão.

Vocês acham que ele sabia que tinha uma missão?

==> depois das respostas, ler a resposta dos Espíritos a Kardec:

LE, perg. 576. Foram predestinados a isso, antes de nascerem, os homens que trazem uma importante missão e dela têm conhecimento?

Algumas vezes, assim é. Quase sempre, porém, o ignoram. Baixando à Terra, colimam um vago objetivo. Depois do nascimento e de acordo com as circunstâncias é que suas missões se lhes desenham às vistas. Deus os impele para a senda onde devam executar-lhe os desígnios.”

  1. Fixação do conteúdo:

Propor a divisão em 3 grupinhos, cada um com um texto de Obras Póstumas, onde Kardec tem a informação sobre sua missão:

i. 30 de abril de 1856 - Primeira revelação da minha missão; 

ii. 7 de maio de 1856 - Minha missão;

iii. 12 de junho de 1856 - Minha missão

==> a tarefa do grupo é ler, tentar se colocar no lugar de Kardec, ainda apenas como o Prof.Rivail, recebendo essas informações. E depois, repassar aos outros 2 grupos.

Apresentação dos 3 grupos:

==> reforçar a postura de Kardec ao receber essas informações. Acreditou? Se envaideceu?

==> essa experiência de Kardec é um ensino para nós perante nossa posição na vida, perante as circunstâncias de destaque onde às vezes somos colocados! Humildade e serviço ao Bem!

  1. Conclusão

Falar do texto de Obras Póstumas, 2ª parte – Meu Guia espiritual, 25 de março de 1856, concluindo (no anexo):

Quem é o Espírito de Verdade?  Jesus!

 ==> Em textos de Obras Póstumas vemos isso, na RE também. E tem mensagem no LM, como de Jesus, que Kardec colocou no Evangelho como de autoria do Espírito de Verdade:

- LM, Cap. 31, Dissertações Espíritas, item 'ACERCA DO ESPIRITISMO', msg de nr. IX.

- ESE, Cap. VI 'O Cristo Consolador', item 5.)

O texto do grupo 3, de 12 de junho de 1856 , é só uma parte do diálogo de Kardec com o Espírito de Vdd. Eles falam também sobre a possibilidade de Kardec falhar na missão. O Espírito de Vdd fala das dificuldades que essa missão traria a Kardec e que dependeria dele, Kardec, o sucesso da missão pela postura pessoal no Bem, infatígável.

==> Ler o fim da msg:

Não suponhas que te baste publicar um livro, dois livros, dez livros, para em seguida ficares tranquilamente em casa. Tens que expor a tua pessoa. Suscitarás contra ti ódios terríveis; inimigos encarniçados se conjurarão para tua perda; ver-te-ás a braços com a malevolência, com a calúnia, com a traição mesma dos que te parecerão os mais dedicados; as tuas melhores instruções serão desprezadas e falseadas; por mais de uma vez sucumbirás sob o peso da fadiga; numa palavra: terás de sustentar uma luta quase contínua, com sacrifício de teu repouso, da tua tranquilidade, da tua saúde e até da tua vida, pois, sem isso, viverias muito mais tempo.”  (Obras Póstumas, Msg do Espírito de Verdade, 12/06/1856)

E no fim dessa comunicação, 10 anos depois, Kardec acrescenta uma nota dizendo como foram os 10 anos iniciais do Espiritismo! Ele anotou que tudo o que o Espírito de Vdd falou aconteceu, mas que também ocorreram as compensações pelo estímulo e cuidados constantes dos Espíritos para com ele.

  1. Propor o retorno à leitura do livro Céu Azul.

Ano passado combinamos a leitura do livro espírita Céu azul, por Célia Xavier de Camargo (Autor), César Augusto Melero (Autor). A ideia é todos lerem os capítulos combinados durante a semana e um de vocês resumiria o essencial, os aprendizados do que foi lido, e nos últimos 15 min ao fim de cada encontro.

Em 2025 fomos até o Cap. 26.

Pedir a um dos jovens que resuma o que estudamos do livro em 2025.

  1. Passes coletivos e prece final.

Avaliação:

Encontro com 9 jovens com boa participação. De modo geral, não sabiam os detalhes da vida de Kardec. Essa atividade do Quiz foi bem participativa e não deu tempo de fazer a atividade nos 3 subgrupos, mas fiz a leitura dos 3 textos respondendo a uma pergunta que foi feita durante o Quiz. A questão da missão de Kardec e de cada um de nós na encarnação foi bem realçada durante a atividade. Não chegamos a abordar a conversa de Kardec com o Espírito de Vdd. Porém, no dia seguinte enviei o link de uma palestra do Artur Valadares, onde ele citou essa msg.

Novamente, não chegamos a falar do livro Céu Azul.

https://youtu.be/d0lXVPLJrcA?si=ltV_U7JZtU5iFIAd – Peso da Glória

Lá nos 21 minutos da Live. Fala da conversa de Kardec com o Espírito de Verdade!

Anexos/ Apoio Doutrinário:

Publicações de Allan Kardec

•  18/04/1857 - O Livro dos Espíritos - marco inicial da Codificação Espírita.

•  01/01/1858 – Edita a Revista Espírita – por 12 anos, até a sua desencarnação;

•  01/04/1858 – Fundou a 1a. Sociedade Espírita: Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas;

•  Jul/1859 – Livro: O que é o Espiritismo;

•  15/01/1861 – O Livro dos Médiuns;

•  15/01/1862 – O Espiritismo em sua mais Simples Expressão;

•  Abr/1864    – O Evangelho Segundo o Espiritismo;

•  01/08/1865 – O Céu e o Inferno;

•  06/01/1868 – A Gênese

O Livro dos Espíritos

Prolegômenos

Os Espíritos anunciam que chegaram os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e que, sendo eles os ministros de Deus e os agentes de sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.”

Obras Póstumas, 2ª parte

25 de março de 1856 (Em casa do Sr. Baudin; médium: Srta. Baudin)

MEU GUIA ESPIRITUAL

Morava eu, por essa época, na rua dos Mártires, nos 8, no segundo andar, ao fundo. Uma noite, estando no meu gabinete a trabalhar, pequenas pancadas se fizeram ouvir na parede que me separava do aposento vizinho. A princípio, nenhuma atenção lhes dei; como, porém, elas se repetissem mais fortes, mudando de lugar, procedi a uma exploração minuciosa dos dois lados da parede, escutei para verificar se provinham do outro pavimento e nada descobri.

O que havia de singular era que, de cada vez que eu me punha a investigar, o ruído cessava, para recomeçar logo que eu retomava o trabalho. Minha mulher entrou da rua por volta das dez horas; veio ao meu gabinete e, ouvindo as pancadas, me perguntou o que era. Não sei, respondi-lhe, há uma hora que isto dura. Investigamos juntos, sem melhor êxito. O ruído continuou até à meia-noite, quando fui deitar-me.

No dia seguinte, como houvesse sessão em casa do Sr. Baudin, narrei o fato e pedi que mo explicassem.

PerguntaOuvistes, sem dúvida, o relato que acabo de fazer; poderíeis dizer-me qual a causa daquelas pancadas que se fizeram ouvir com tanta persistência?

RespostaEra o teu Espírito familiar.

P. — Com que fim foi ele bater daquele modo?

R. — Queria comunicar-se contigo.

P. — Poderíeis dizer-me quem é ele?

R. — Podes perguntar-lhe a ele mesmo, pois que está aqui.

NOTANessa época, ainda se não fazia distinção nenhuma entre as diversas categorias de Espíritos simpáticos. Dava-se-lhes a todos a denominação de Espíritos familiares.

P. — Meu Espírito familiar, quem quer que tu sejas, agradeço-te o me teres vindo visitar. Consentirás em dizer-me quem és?

R. — Para ti, chamar-me-ei A Verdade e todos os meses, aqui, durante um quarto de hora, estarei à tua disposição.

P. — Ontem, quando bateste, estando eu a trabalhar, tinhas alguma coisa de particular a dizer-me?

R. — O que eu tinha a dizer-te era sobre o trabalho a que te aplicavas; desagradava-me o que escrevias e quis fazer que o abandonasses.

NOTAO que eu estava escrevendo dizia respeito, precisamente, aos estudos que empreendera acerca dos Espíritos e de suas manifestações.

P. — A tua desaprovação era referente ao capítulo que eu escrevia ou ao conjunto do trabalho?

R. — Ao capítulo de ontem; submeto-o ao teu juízo; se o releres, reconhecerás tuas faltas e as corrigirás.

P. — Eu mesmo não me sentia satisfeito com esse capítulo e o refiz hoje. Está melhor?

R. — Está melhor, mas ainda não satisfaz. Relê da 3ª a 30ª linha e com um grave erro depararás.

P. — Rasguei o que escrevera ontem.

R. — Não importa! Isso não impediu que a falta continuasse. Relê e verás.

P. — O nome Verdade, que adotaste, constitui uma alusão à verdade que eu procuro?

R. — Talvez; pelo menos, é um guia que te protegerá e ajudará.

P. — Poderei evocar-te em minha casa?

R. — Sim, para te assistir pelo pensamento; mas, para respostas escritas em tua casa, só daqui a muito tempo poderás obtê-las.

NOTACom efeito, durante cerca de um ano, nenhuma comunicação escrita obtive em minha casa e sempre que ali se encontrava um médium, com quem eu esperava conseguir qualquer coisa, uma circunstância imprevista a isso se opunha. Somente fora de minha casa lograva eu receber comunicações.

P. — Poderias vir mais amiúde e não apenas de mês em mês?

R. — Sim, mas não prometo senão uma vez mensalmente, até nova ordem.

P. — Terás animado na Terra alguma personagem conhecida?

R. — Já te disse que, para ti, sou a Verdade; isto, para ti, quer dizer discrição; nada mais saberás a respeito.

NOTAÀ noite, de regresso a casa, dei-me pressa em reler o que escrevera. Quer no papel que eu lançara à cesta, quer em nova cópia que fizera, se me deparou, na 30ª linha, um erro grave, que me espantei de haver cometido. Desde então, nenhuma outra manifestação do mesmo gênero das anteriores se produziu. Tendo-se tornado desnecessárias, por se acharem estabelecidas as minhas relações com o meu Espírito protetor, elas cessaram. O intervalo de um mês, que ele assinara para suas comunicações, só raramente foi mantido, no princípio. Mais tarde, deixou de o ser, em absoluto. Fora sem dúvida um aviso de que eu tinha de trabalhar por mim mesmo e para não estar constantemente a recorrer ao seu auxílio diante da menor dificuldade.

Obras Póstumas, 2ª parte

9 de abril de 1856

NOTAA proteção desse Espírito, cuja superioridade eu então estava longe de imaginar, jamais, de fato, me faltou. A sua solicitude e a dos bons Espíritos que agiam sob suas ordens, se manifestou em todas as circunstâncias da minha vida, quer a me remover dificuldades materiais, quer a me facilitar a execução dos meus trabalhos, quer, enfim, a me preservar dos efeitos da malignidade dos meus antagonistas, que foram sempre reduzidos à impotência. Se as tribulações inerentes à missão que me cumpria desempenhar não me puderam ser evitadas, foram sempre suavizadas e largamente compensadas por muitas satisfações morais gratíssimas.

Texto Grupo 1

Obras Póstumas, 2ª parte

30 de abril de 1856 (Em casa do Sr. Roustan; médium: Srta. Japhet)

PRIMEIRA REVELAÇÃO DA MINHA MISSÃO

Eu assistia, desde algum tempo, às sessões que se realizavam em casa do Sr. Roustan e começara aí a revisão do meu trabalho, que posteriormente formaria O Livro dos Espíritos. Numa dessas sessões, muito íntima, a que, apenas assistiam sete ou oito pessoas, falavam estas de diferentes coisas relativas aos acontecimentos capazes de acarretar uma transformação social, quando o médium, tomando da cesta, espontaneamente escreveu isto:

Quando o bordão soar, abandoná-lo-eis; apenas aliviareis o vosso semelhante; individualmente o magnetizareis, a fim de curá-lo. Depois, cada um no posto que lhe foi preparado, porque de tudo se fará mister, pois que tudo será destruído, ao menos temporariamente. Deixará de haver religião e uma se fará necessária, mas verdadeira, grande, bela e digna do Criador... Seus primeiros alicerces já foram colocados... Quanto a ti, Rivail, a tua missão é aí. (Livre, a cesta se voltou rapidamente para o meu lado, como o teria feito uma pessoa que me apontasse com o dedo.) A ti, M..., a espada que não fere, porém mata; contra tudo o que é, serás tu o primeiro a vir. Ele, Rivail, virá em segundo lugar: é o obreiro que reconstrói o que foi demolido.”

NOTAFoi essa a primeira revelação positiva da minha missão e confesso que, quando vi a cesta voltar-se bruscamente para o meu lado e designar-me nominativamente, não me pude forrar a certa emoção.

O Sr. M..., que assistia àquela reunião, era um moço de opiniões radicalíssimas, envolvido nos negócios políticos e obrigado a não se colocar muito em evidência. Acreditando que se tratava de uma próxima subversão, aprestou-se a tomar parte nela e a combinar planos de reforma. Era, aliás, homem brando e inofensivo.

Texto Grupo 2

Obras Póstumas, 2ª parte

7 de maio de 1856 (Em casa do Sr. Roustan; médium: Srta. Japhet)

MINHA MISSÃO

Pergunta (a Hahnemann) — Outro dia, disseram-me os Espíritos que eu tinha uma importante missão a cumprir e me indicaram o seu objeto. Desejaria saber se confirmas isso.

RespostaSim e, se observares as tuas aspirações e tendências e o objeto quase constante das tuas meditações, não te surpreenderás com o que te foi dito. Tens que cumprir aquilo com que sonhas desde longo tempo. É preciso que nisso trabalhes ativamente, para estares pronto, pois mais próximo do que pensas vem o dia.

P. — Para desempenhar essa missão tal como a concebo, são-me necessários meios de execução que ainda não se acham ao meu alcance.

R. — Deixa que a Providência faça a sua obra e serás satisfeito.

Texto Grupo 3

Obras Póstumas, 2ª parte

12 de junho de 1856 (Em casa do Sr. C...; médium: Srta. Aline C...)

MINHA MISSÃO

Pergunta (à Verdade) — Bom Espírito, eu desejara saber o que pensas da missão que alguns Espíritos me assinaram.

Dize-me, peço-te, se é uma prova para o meu amor-próprio.

Tenho, como sabes, o maior desejo de contribuir para a propagação da verdade, mas, do papel de simples trabalhador ao de missionário em chefe, a distância é grande e não percebo o que possa justificar em mim graça tal, de preferência a tantos outros que possuem talento e qualidades de que não disponho.

RespostaConfirmo o que te foi dito, mas recomendo--te muita discrição, se quiseres sair-te bem. Tomarás mais tarde conhecimento de coisas que te explicarão o que ora te surpreende. Não esqueças que podes triunfar, como podes falir. Neste último caso, outro te substituiria, porquanto os desígnios de Deus não assentam na cabeça de um homem.

Nunca, pois, fales da tua missão; seria a maneira de a fazeres malograr-se. Ela somente pode justificar-se pela obra realizada e tu ainda nada fizeste. Se a cumprires, os homens saberão reconhecê-lo, cedo ou tarde, visto que pelos frutos é que se verifica a qualidade da árvore.

P. — Nenhum desejo tenho certamente de me vangloriar de uma missão na qual dificilmente creio. Se estou destinado a servir de instrumento aos desígnios da Providência, que ela disponha de mim. Nesse caso, reclamo a tua assistência e a dos bons Espíritos, no sentido de me ajudarem e

ampararem na minha tarefa.

R. — A nossa assistência não te faltará, mas será inútil se, de teu lado, não fizeres o que for necessário. Tens o teu livre-arbítrio, do qual podes usar como o entenderes. Nenhum homem é constrangido a fazer coisa alguma. (…)

Continuação da comunicação de Kardec com o Espírito de Vdd (não incluída no texto do grupo 3)

P. — Que causas poderiam determinar o meu malogro? Seria a insuficiência das minhas capacidades?

R. — Não; mas, a missão dos reformadores é prenhe de escolhos e perigos. Previno-te de que é rude a tua, porquanto se trata de abalar e transformar o mundo inteiro. Não suponhas que te baste publicar um livro, dois livros, dez livros, para em seguida ficares tranquilamente em casa.

Tens que expor a tua pessoa. Suscitarás contra ti ódios terríveis; inimigos encarniçados se conjurarão para tua perda; ver-te-ás a braços com a malevolência, com a calúnia, com a traição mesma dos que te parecerão os mais dedicados; as tuas melhores instruções serão desprezadas e falseadas; por mais de uma vez sucumbirás sob o peso da fadiga; numa palavra: terás de sustentar uma luta quase contínua, com sacrifício de teu repouso, da tua tranquilidade, da tua saúde e até da tua vida, pois, sem isso, viverias muito mais tempo. Ora bem! não poucos recuam quando, em vez de uma estrada florida, só vêem sob os passos urzes, pedras agudas e serpentes. Para tais missões, não basta a inteligência. Faz-se mister, primeiramente, para agradar

a Deus, humildade, modéstia e desinteresse, visto que Ele abate os orgulhosos, os presunçosos e os ambiciosos.

Para lutar contra os homens, são indispensáveis coragem, perseverança e inabalável firmeza. Também são de necessidade prudência e tato, a fim de conduzir as coisas de modo conveniente e não lhes comprometer o êxito com palavras ou medidas intempestivas. Exigem-se, por fim, devotamento, abnegação e disposição a todos os sacrifícios.

Vês, assim, que a tua missão está subordinada a condições que dependem de ti.

Espírito Verdade

Eu — Espírito Verdade, agradeço os teus sábios conselhos. Aceito tudo, sem restrição e sem ideia preconcebida.

Senhor! pois que te dignaste lançar os olhos sobre mim para cumprimento dos teus desígnios, faça-se a tua vontade!

Está nas tuas mãos a minha vida; dispõe do teu servo.

Reconheço a minha fraqueza diante de tão grande tarefa; a minha boa vontade não desfalecerá, as forças, porém, talvez me traiam. Supre à minha deficiência; dá-me as forças físicas e morais que me forem necessárias. Ampara-me nos momentos difíceis e, com o teu auxílio e dos teus celestes mensageiros, tudo envidarei para corresponder aos teus desígnios.

NOTAEscrevo esta nota a 1º de janeiro de 1867, dez anos e meio depois que me foi dada a comunicação acima e atesto que ela se realizou em todos os pontos, pois experimentei todas as vicissitudes que me foram preditas. Andei em luta com o ódio de inimigos encarniçados, com a injúria, a calúnia, a inveja e o ciúme; libelos infames se publicaram contra mim; as minhas melhores instruções foram falseadas; traíram-me aqueles em quem eu mais confiança depositava, pagaram-me com a ingratidão aqueles a quem prestei serviços. A Sociedade de Paris se constituiu foco de contínuas intrigas urdidas contra mim por aqueles mesmos que se declaravam a meu favor e que, de boa fisionomia na minha presença, pelas costas me golpeavam. Disseram que os que se me conservavam fiéis estavam à minha soldada e que eu lhes pagava com o dinheiro que ganhava do Espiritismo. Nunca mais me foi dado saber o que é o repouso; mais de uma vez sucumbi ao excesso de trabalho, tive abalada a saúde e comprometida a existência.

Graças, porém, à proteção e assistência dos bons Espíritos que incessantemente me deram manifestas provas de solicitude, tenho a ventura de reconhecer que nunca senti o menor desfalecimento ou desânimo e que prossegui, sempre com o mesmo ardor, no desempenho da minha tarefa, sem me preocupar com a maldade de que era objeto. Segundo a comunicação do Espírito de Verdade, eu tinha de contar com tudo isso e tudo se verificou.

Mas, também, a par dessas vicissitudes, que de satisfações experimentei, vendo a obra crescer de maneira tão prodigiosa!

Com que compensações deliciosas foram pagas as minhas tribulações!

Que de bênçãos e de provas de real simpatia recebi da parte de muitos aflitos a quem a Doutrina consolou! Este resultado não mo anunciou o Espírito de Verdade que, sem dúvida intencionalmente, apenas me mostrara as dificuldades do caminho.

Qual não seria, pois, a minha ingratidão, se me queixasse!

Se dissesse que há uma compensação entre o bem e o mal, não estaria com a verdade, porquanto o bem, refiro-me às satisfações morais, sobrelevaram de muito o mal. Quando me sobrevinha uma decepção, uma contrariedade qualquer, eu me elevava pelo pensamento acima da Humanidade e me colocava antecipadamente na região dos Espíritos e desse ponto culminante, donde divisava o da minha chegada, as misérias da vida deslizavam por sobre mim sem me atingirem. Tão habitual se me tornara esse modo de proceder, que os gritos dos maus jamais me perturbaram.

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