domingo, 3 de maio de 2026

Espírito e seu Perispírito - estudo de casos

 Casa Espírita Missionários da Luz Juventude 2: > 16 anos

01/05/2026

Tema: Espírito e seu Perispírito

Objetivos:

Identificar a relação entre Espírito e perispírito;

Estudar as funções e características do perispírito.

Bibliografia:

- O Livro dos Médiuns, 2ª parte, itens 54 à 59, 75, 99, 105, 106, 109, 119 (Bicorporeidade), 122 e 123 (Transfiguração);

O Livro dos Espíritos, 2ª parte, perg. 257 (sensações dos Espíritos); perg. 27, 93 à 95,187;

A Gênese, Cap. XIV, itens 07 à 23;

Obras Póstumas, 1ª parte, ‘O perispírito como princípio das manifestações;

Uma aparição providencial’ Revista Espírita, julho de 1861.

Material: LM, A Gênese, LE.

Desenvolvimento:

1. Novidades da semana.

2. Exercício de respiração profunda e prece inicial

3. Motivação Inicial

Falar do caso de transfiguração que Kardec relata no LM, no item 122:

Aqui está um fato dessa natureza cuja perfeita autenticidade podemos garantir, ocorrido durante os anos de 1858 e 1859, nos arredores de Saint-Etienne.

Uma mocinha, de mais ou menos quinze anos, gozava da singular faculdade de se transfigurar, isto é, de tomar, em dados momentos, todas as aparências de certas pessoas mortas. Tão completa era a ilusão, que os que assistiam ao fenômeno julgavam ter diante de si a própria pessoa, cuja aparência ela tomava, tal a semelhança dos traços fisionômicos, do olhar, do som da voz e, até, da maneira particular de falar. Esse fenômeno se repetiu centenas de vezes sem que a vontade da mocinha ali interferisse.

Tomou, em várias ocasiões, a aparência de seu irmão, que morrera alguns anos antes. Reproduzia-lhe não somente o semblante, mas também o porte e a corpulência.

Um médico do lugar, testemunha que fora, muitas vezes, desses estranhos efeitos, querendo certificar-se de que não havia naquilo ilusionismo, fez a experiência que vamos relatar.

Conhecemos os fatos, pelo que nos referiram ele próprio, o pai da moça e diversas outras testemunhas oculares, muito honradas e dignas de crédito. Veio a esse médico a ideia de pesar a moça no seu estado normal e de fazer-lhe o mesmo no de transfiguração, quando apresentava a aparência do irmão, que contava, ao morrer, vinte e tantos anos, e era mais alto do que ela e de compleição mais forte. Pois bem! verificou que, no segundo estado, o peso da moça era quase duplo do seu peso normal. Includente se mostra a experiência, tornando impossível atribuir-se aquela aparência a uma simples ilusão de ótica.

==> Como podemos explicar esse fato, comprovado e presenciado por diversas pessoas, com a teoria espírita?

Depois das respostas, trazer a explicação de Kardec, no item 123 do LM:

A teoria do perispírito nos vai esclarecer.

Está, em princípio, admitido que o Espírito pode dar ao seu perispírito todas as aparências; que, mediante uma modificação na disposição molecular, pode dar-lhe a visibilidade, a tangibilidade e, conseguintemente, opacidade; que o perispírito de uma pessoa viva, isolado do corpo, é passível das mesmas transformações; que essa mudança de estado se opera pela combinação dos fluidos. Figuremos agora o perispírito de uma pessoa viva, não isolado, mas irradiando-se em volta do corpo, de maneira a envolvê-lo numa espécie de vapor. Nesse estado, passível se torna das mesmas modificações de que o seria, se o corpo estivesse separado. Perdendo ele a sua transparência, o corpo pode desaparecer, tornar-se invisível, ficar velado, como se mergulhado numa bruma. Poderá então o perispírito mudar de aspecto, fazer-se brilhante, se tal for a vontade do Espírito e se este dispuser de poder para tanto. Um outro Espírito, combinando seus fluidos com os do primeiro, poderá, a essa combinação de fluidos, imprimir a aparência que lhe é própria, de tal sorte, que o corpo real desapareça sob o envoltório fluídico exterior, cuja aparência pode variar à vontade do Espírito. Esta parece ser a verdadeira causa do estranho fenômeno e raro, cumpra se diga, da transfiguração.

Quanto à diferença de peso, explica-se da mesma maneira por que se explica com relação aos corpos inertes. O peso intrínseco do corpo não variou, pois que não aumentou nele a quantidade de matéria. Sofreu, porém, a influência de um agente exterior, que lhe pode aumentar ou diminuir o peso relativo.

4. Exposição Dialogada

Falar ao grupo que o nosso objetivo é estudar a relação entre o Espírito com o seu perispírito.

Perguntar ao grupo:

- qual é a relação do Espírito com seu perispírito?

- pra que o Espírito precisa do perispírito?

Relembrar esse estudo no ano passado:

i. Funções (pra que serve, como é usado)

- identidade do Espírito pois para dar-se a conhecer pode, em sendo necessário, tomar a aparência exata que tinha quando vivo;

- formado do fluido cósmico universal de cada globo onde vive, o perispírito é o órgão sensitivo do Espírito; (…) pelo sentido espiritual, ou psíquico, elas (as sensações) se generalizam: o Espírito vê, ouve e sente, por todo o seu ser, tudo o que se encontra na esfera de irradiação do seu fluido perispirítico. (A Gênese, Cap. XIV, Item 22);

- serve de ligação entre a alma e o corpo: é o intermediário de todas as sensações que o Espírito percebe e pelo qual transmite sua vontade ao exterior e atua sobre os órgãos do corpo; reage sobre o organismo material com que se acha em contacto molecular;

- o perispírito é o princípio de todas as manifestações mediúnicas.

ii. Propriedades (características: como é?)

a.Plasticidade

é flexível; se dilata ou contrai, se transforma: presta-se a todas as metamorfoses, de acordo com a vontade que sobre ele. Pode tomar a forma de um animal (ex. Lobo) consciente ou inconsciente ==> no exemplo citado, o perispírito da moça assumiu a forma do irmão;

- a forma humana se nos depara entre os habitantes de todos os globos, encarnados ou não;

- fotografa os pensamentos do Espírito.

b.Expansibilidade – se expande, irradia ==> emancipação da alma, como no caso acima.

- no encarnado, pode se alongar e transportar-se a um ponto distante, quer sobre a Terra, quer do espaço.

c.Penetrabilidade – a matéria não é obstáculo à passagem do Espírito.

d. Absorvente – por sua natureza fluídica, é capaz de absorver fluidos do ambiente em que se encontre (benefícios dos passes).

e.Tangibilidade – pode se tornar palpável, tangível e, rapidamente, voltar à invisibilidade. Pode apresentar força, temperatura, como um corpo físico. ==> como no exemplo citado.

iii. Evolução do perispírito nos diferentes mundos

- qualquer que seja o grau em que se encontre, o Espírito está sempre revestido de um envoltório, ou perispírito, cuja natureza se eteriza, à medida que ele se depura e eleva na hierarquia espiritual. (LM, Item 55);

- a constituição íntima do perispírito dos habitantes de um planeta não é a mesma pois depende do nível evolutivo do Espírito.

5. Fixação do conteúdo

Perguntar quem lembra algum caso na História, considerado como milagre pela Igreja, mas que temos a explicação dentro das leis naturais, a partir do conhecimento da existência do perispírito.

Relatar o caso de bicorporeidade que Kardec trouxe no LM, item 119:

Santo Afonso de Liguori foi canonizado antes do tempo prescrito, por se haver mostrado simultaneamente em dois sítios diversos, o que passou por milagre.


Santo Antônio de Pádua estava pregando na Itália, quando seu pai, em Lisboa, ia ser supliciado, sob a acusação de haver cometido um assassínio. No momento da execução, Santo Antônio aparece e demonstra a inocência do acusado. Comprovou-se que, naquele instante, Santo Antônio pregava na Itália, na cidade de Pádua.

==> A explicação Kardec apresentou antes dos casos:

LM, Item 119: “Isolado do corpo, o Espírito de um vivo pode, como o de um morto, mostrar-se com todas as aparências da realidade. Demais, pelas mesmas causas que hemos exposto, pode adquirir momentânea tangibilidade. Este fenômeno, conhecido pelo nome de bicorporeidade, foi que deu azo às histórias de homens duplos, isto é, de indivíduos cuja presença simultânea em dois lugares diferentes se chegou a comprovar.”

==> vemos aqui as características do perispírito: expansão e tangibilidade.

6. Passes coletivos e prece.

7. Avaliação

Encontro num feriado com junção das 2 turmas Juv1 e Juv2. Total 8 jovens.

Após a hora da novidade, dividi a turma em 3 subgrupos e dei um caso para cada grupo estudar e identificar as características do perispírito: i. Aparição Providencial; ii. Bicorporeidade; iii. Transfiguração. Participaram com interesse.

8) Anexos

O Livro dos Médiuns, 2ª parte

Item 54. Numerosas observações e fatos irrecusáveis, de que mais tarde falaremos, levaram à consequência de que há no homem três componentes:

1º, a alma, ou Espírito, princípio inteligente, onde tem sua sede o senso moral;

2º, o corpo, invólucro grosseiro, material, de que ele se revestiu temporariamente, em cumprimento de certos desígnios providenciais;

3º, o perispírito, envoltório fluídico, semimaterial, que serve de ligação entre a alma e o corpo.

(...)

Esse segundo invólucro da alma, ou perispírito, existe, pois, durante a vida corpórea; é o intermediário de todas as sensações que o Espírito percebe e pelo qual transmite sua vontade ao exterior e atua sobre os órgãos do corpo.

(...) quer durante a sua união com o corpo, quer depois de separar-se deste, a alma nunca está desligada do seu perispírito.

Item 55 (…) qualquer que seja o grau em que se encontre, o Espírito está sempre revestido de um envoltório, ou perispírito, cuja natureza se eteriza, à medida que ele se depura e eleva na hierarquia espiritual.

De sorte que, para nós, a ideia de forma é inseparável da de Espírito e não concebemos uma sem a outra. O perispírito faz, portanto, parte integrante do Espírito, como o corpo o faz do homem. Porém, o perispírito, só por só, não é o Espírito, do mesmo modo que só o corpo não constitui o homem, porquanto o perispírito não pensa. Ele é para o Espírito o que o corpo é para o homem: o agente ou instrumento de sua ação.

Item 56. (...) a matéria sutil do perispírito não possui a tenacidade, nem a rigidez da matéria compacta do corpo; é, se assim nos podemos exprimir, flexível e expansível, donde resulta que a forma que toma, conquanto decalcada na do corpo, não é absoluta, amolga-se à vontade do Espírito, que lhe pode dar a aparência que entenda, ao passo que o invólucro sólido lhe oferece invencível resistência.

Livre desse obstáculo que o comprimia, o perispírito se dilata ou contrai, se transforma: presta-se, numa palavra, a todas as metamorfoses, de acordo com a vontade que sobre ele atua. Por efeito dessa propriedade do seu envoltório fluídico, é que o Espírito que quer dar-se a conhecer pode, em sendo necessário, tomar a aparência exata que tinha quando vivo, até mesmo com os acidentes corporais que possam constituir sinais para o reconhecerem.

(…) Ele (o perispírito) tem a forma humana e, quando nos aparece, é geralmente com a que revestia o Espírito na condição de encarnado.

(...) Com pequenas diferenças quanto às particularidades e exceção feita das modificações orgânicas exigidas pelo meio em o qual o ser tem que viver, a forma humana se nos depara entre os habitantes de todos os globos. Pelo menos, é o que dizem os Espíritos. Essa igualmente a forma de todos os Espíritos não encarnados, que só têm o perispírito; a com que, em todos os tempos, se representaram os anjos, ou Espíritos puros. Devemos concluir de tudo isto que a forma humana é a forma tipo de todos os seres humanos, seja qual foro grau de evolução em que se achem.

Item 57. Dissemos que, embora fluídico, o perispírito não deixa de ser uma espécie de matéria, o que decorre do fato das aparições tangíveis, a que volveremos. Sob a influência de certos médiuns, tem-se visto aparecerem mãos com todas as propriedades de mãos vivas, que, como estas, denotam calor, podem ser palpadas, oferecem a resistência de um corpo sólido, agarram os circunstantes e, de súbito, se dissipam, quais sombras. A ação inteligente dessas mãos, que evidentemente obedecem a uma vontade, executando certos movimentos, tocando até melodias num instrumento, prova que elas são parte visível de um ser inteligente invisível. A tangibilidade que revelam, a temperatura, a impressão, em suma, que causam aos sentidos, porquanto se há verificado que deixam marcas na pele, que dão pancadas dolorosas, que acariciam delicadamente, provam que são de uma matéria qualquer. Seus desaparecimentos repentinos provam, além disso, que essa matéria é eminentemente sutil e se comporta como certas substâncias que podem alternativamente passar do estado sólido ao estado fluídico e vice-versa.

Item 58. A natureza íntima do Espírito propriamente dito, isto é, do ser pensante, desconhecemo-la por completo. Apenas pelos seus atos ele se nos revela e seus atos não nos podem impressionar os sentidos, a não ser por um intermediário material. O Espírito precisa, pois, de matéria, para atuar sobre a matéria. Tem por instrumento direto de sua ação o perispírito, como o homem tem o corpo.

Item 75. (…) Quando o Espírito está encarnado, a substância do perispírito se acha mais ou menos ligada, mais ou menos aderente, se assim nos podemos exprimir. Em algumas pessoas se verifica, por efeito de suas organizações, uma espécie de emanação desse fluido e é isso, propriamente falando, o que constitui o médium de influências físicas.

Item 105.

(…) Por sua natureza e em seu estado normal, o perispírito é invisível (...)

A condensação (preciso é que não se tome esta palavra na sua significação literal (...) pode ser tal que o perispírito adquira as propriedades de um corpo sólido e tangível, conservando, porém, a possibilidade de retomar instantaneamente seu estado etéreo e invisível.

(…) Quando o Espírito nos aparece, é que pôs o seu perispírito no estado próprio a torná-lo visível. Mas, para isso, não basta a sua vontade, porquanto a modificação do perispírito se opera mediante sua combinação com o fluido peculiar ao médium.

Item 99. O fenômeno de transporte apresenta uma particularidade notável (...)

(...) como o seu fluido pessoal (perispírito do Espírito) é dilatável, combina uma parte desse fluido com o fluido animalizado do médium e é nesta combinação que oculta e transporta o objeto que escolheu para transportar.

Item 106. Outra propriedade do perispírito inerente à sua natureza etérea é a penetrabilidade. Matéria nenhuma lhe opõe obstáculo: ele as atravessa todas.

Item 109. O perispírito, como se vê, é o princípio de todas as manifestações. O conhecimento dele foi a chave da explicação de uma imensidade de fenômenos e permitiu que a ciência espírita desse largo passo...

A Gênese, Cap. XIV 'Os Fluidos'

Item 7. O perispírito, ou corpo fluídico dos Espíritos, é um dos mais importantes produtos do fluido cósmico; é uma condensação desse fluido em torno de um foco de inteligência ou alma. Já vimos que também o corpo carnal tem seu princípio de origem nesse mesmo fluido condensado e transformado em matéria tangível. No perispírito, a transformação molecular se opera diferentemente, porquanto o fluido conserva a sua imponderabilidade e suas qualidades etéreas. O corpo perispirítico e o corpo carnal têm pois origem no mesmo elemento primitivo; ambos são matéria, ainda que em dois estados diferentes.

Item 8. Do meio onde se encontra é que o Espírito extrai o seu perispírito, isto é, esse envoltório ele o forma dos fluidos ambientes. Resulta daí que os elementos constitutivos do perispírito naturalmente variam, conforme os mundos.

Dando-se Júpiter como orbe muito adiantado em comparação com a Terra, como um orbe onde a vida corpórea não apresenta a materialidade da nossa, os envoltórios perispirituais hão de ser lá de natureza muito mais quintessenciada do que aqui. Ora, assim como não poderíamos existir naquele mundo com o nosso corpo carnal, também os nossos Espíritos não poderiam nele penetrar com o perispírito terrestre que os reveste. Emigrando da Terra, o Espírito deixa aí o seu invólucro fluídico e toma outro apropriado ao mundo onde vai habitar.

Item 9. (…) Os Espíritos superiores, ao contrário, podem vir aos mundos inferiores, e, até, encarnar neles. Tiram, dos elementos constitutivos do mundo onde entram, os materiais para a formação do envoltório fluídico ou carnal apropriado ao meio em que se encontrem. Fazem como o nobre que despe temporariamente suas vestes, para envergar os trajes plebeus, sem deixar por isso de ser nobre.

É assim que os Espíritos da categoria mais elevada podem manifestar-se aos habitantes da Terra ou encarnar em missão entre estes. Tais Espíritos trazem consigo, não o invólucro, mas a lembrança, por intuição, das regiões donde vieram e que, em pensamento, eles veem. São videntes entre cegos.

Item 10. Os Espíritos chamados a viver naquele meio tiram dele seus perispíritos; porém, conforme seja mais ou menos depurado o Espírito, seu perispírito se formará das partes mais puras ou das mais grosseiras do fluido peculiar ao mundo onde ele encarna. (...)

Resulta disso este fato capital: a constituição íntima do perispírito não é idêntica em todos os Espíritos encarnados ou desencarnados que povoam a Terra ou o espaço que a circunda. O mesmo já não se dá com o corpo carnal, que, como foi demonstrado, se forma dos mesmos elementos, qualquer que seja a superioridade ou a inferioridade do Espírito. Por isso, em todos, são os mesmos os efeitos que o corpo produz, semelhantes as necessidades, ao passo que diferem em tudo o que respeita ao perispírito.

Também resulta que: o envoltório perispirítico de um Espírito se modifica com o progresso moral que este realiza em cada encarnação, embora ele encarne no mesmo meio; que os Espíritos superiores, encarnando excepcionalmente, em missão, num mundo inferior, têm perispírito menos grosseiro do que o dos indígenas desse mundo.

Item 14. (…) Basta que o Espírito pense uma coisa, para que esta se produza, como basta que modele uma ária, para que esta repercuta na atmosfera.

É assim, por exemplo, que um Espírito se faz visível a um encarnado que possua a vista psíquica, sob as aparências que tinha quando vivo na época em que o segundo o conheceu, embora haja ele tido, depois dessa época, muitas encarnações. Apresenta-se com o vestuário, os sinais exteriores — enfermidades, cicatrizes, membros amputados, etc. — que tinha então. Um decapitado se apresentará sem a cabeça. Não quer isso dizer que haja conservado essas aparências, certo que não, porquanto, como Espírito, ele não é coxo, nem maneta, nem zarolho, nem decapitado; o que se dá é que, retrocedendo o seu pensamento à época em que tinha tais defeitos, seu perispírito lhes toma instantaneamente as aparências, que deixam de existir logo que o mesmo pensamento cessa de agir naquele sentido.

Se, pois, de uma vez ele foi negro e branco de outra, apresentar-se-á como branco ou negro, conforme a encarnação a que se refira a sua evocação e à que se transporte o seu pensamento.

Item 15. Sendo os fluidos o veículo do pensamento, este atua sobre os fluidos como o som sobre o ar; eles nos trazem o pensamento, como o ar nos traz o som.(...)

Há mais: criando imagens fluídicas, o pensamento se reflete no envoltório perispirítico, como num espelho; toma nele corpo e aí de certo modo se fotografa. Tenha um homem, por exemplo, a ideia de matar a outro: embora o corpo material se lhe conserve impassível, seu corpo fluídico é posto em ação pelo pensamento e reproduz todos os matizes deste último; executa fluidicamente o gesto, o ato que intentou praticar. O pensamento cria a imagem da vítima e a cena inteira é pintada, como num quadro, tal qual se lhe desenrola no espírito.

Desse modo é que os mais secretos movimentos da alma repercutem no envoltório fluídico; que uma alma pode ler noutra alma como num livro e ver o que não é perceptível aos olhos do corpo.

Item 18.(...) O Espírito, encarnado, conserva, com as qualidades que lhe são próprias, o seu perispírito que, como se sabe, não fica circunscrito pelo corpo, mas irradia ao seu derredor e o envolve como que de uma atmosfera fluídica. (…) Pela sua expansão, põe o Espírito encarnado em relação mais direta com os Espíritos livres e também com os Espíritos encarnados. (…)

Pela sua união íntima com o corpo, o perispírito desempenha preponderante papel no organismo. Pela sua expansão, põe o Espírito encarnado em relação mais direta com os Espíritos livres e também com os Espíritos encarnados.

(...) seu invólucro perispirítico, que é parte constituinte do seu ser e que recebe de modo direto e permanente a impressão de seus pensamentos, há de, ainda mais, guardar a de suas qualidades boas ou más. (...)

Sendo o perispírito dos encarnados de natureza idêntica à dos fluidos espirituais, ele os assimila com facilidade, como uma esponja se embebe de um líquido. Esses fluidos exercem sobre o perispírito uma ação tanto mais direta, quanto, por sua expansão e sua irradiação, o perispírito com eles se confunde.

Atuando esses fluidos sobre o perispírito, este, a seu turno, reage sobre o organismo material com que se acha em contacto molecular. Se os eflúvios são de boa natureza, o corpo ressente uma impressão salutar; se são maus, a impressão é penosa. Se são permanentes e enérgicos, os eflúvios maus podem ocasionar desordens físicas; não é outra a causa de certas enfermidades.

Item 21. (…) O perispírito, portanto, é uma couraça a que se deve dar a melhor têmpera possível. Ora, como as suas qualidades guardam relação com as da alma, importa se trabalhe por melhorá-la, pois que são as imperfeições da alma que atraem os Espíritos maus.

Item 22. O perispírito é o órgão sensitivo do Espírito, por meio do qual este percebe coisas espirituais que escapam aos sentidos corpóreos. Pelos órgãos do corpo, a visão, a audição e as diversas sensações são localizadas e limitadas à percepção das coisas materiais; pelo sentido espiritual, ou psíquico, elas se generalizam: o Espírito vê, ouve e sente, por todo o seu ser, tudo o que se encontra na esfera de irradiação do seu fluido perispirítico.

Item 23. Embora, durante a vida, o Espírito se encontre preso ao corpo pelo perispírito, não se lhe acha tão escravizado, que não possa alongar a cadeia que o prende e transportar-se a um ponto distante, quer sobre a Terra, quer do espaço. (...)

Tem-se então o fenômeno a que se dá o nome de emancipação da alma, fenômeno que se produz sempre durante o sono. De todas as vezes que o corpo repousa, que os sentidos ficam inativos, o Espírito se desprende.

O Livro dos Espíritos

perg. 94. De onde tira o Espírito o seu invólucro semimaterial?

Do fluido universal de cada globo, razão por que não é idêntico em todos os mundos. Passando de um mundo a outro, o Espírito muda de envoltório, como mudais de roupa.”

a) — Assim, quando os Espíritos que habitam mundos superiores vêm ao nosso meio, tomam um perispírito mais grosseiro?

É necessário que se revistam da vossa matéria, já o dissemos.”

perg. 95. O invólucro semimaterial do Espírito tem formas determinadas e pode ser perceptível?

Tem a forma que o Espírito queira. É assim que este vos aparece algumas vezes, quer em sonho, quer no estado de vigília, e que pode tomar forma visível, mesmo palpável.”

perg. 187. A substância do perispírito é a mesma em todos os mundos?

Não; é mais ou menos etérea. Passando de um mundo a outro, o Espírito se reveste da matéria própria desse outro, operando-se, porém, essa mudança com a rapidez do relâmpago.”

RE JUL1861 - Uma Aparição Providencial

Lê-se no Oxford Chronicle, de 1o de junho de 1861:

Em 1828 um navio que fazia viagens de Liverpool a New-Brunswick tinha como oficial substituto o Sr. Robert Bruce.

Estando perto dos bancos na Terra-Nova, o capitão e o seu imediato calculavam um dia de sua rota, o primeiro em sua cabina e o outro na câmara ao lado. As duas peças eram dispostas de modo que eles podiam ver-se e falar-se. Bruce, absorvido em seu trabalho, não percebeu que o capitão havia subido para a ponte; sem olhar, lhe disse: “Encontro tal longitude; como está a vossa?” Não obtendo resposta, repete a pergunta, mas inutilmente. Então avança em direção à porta da cabina e vê um homem sentado no lugar do capitão e escrevendo numa ardósia. O indivíduo se volta, olha Bruce fixamente e este, terrificado, lança-se para a ponte. – Capitão, disse ele assim que o alcançou, quem é que neste momento está à vossa escrivaninha na cabina? – Mas ninguém, presumo. – Eu vos garanto que há um estranho. – Um estranho! Sonhais Sr. Bruce; Quem ousaria meter-se em minha secretária sem minhas ordens? Talvez tenhais visto o contramestre ou o intendente. – Senhor, trata-se de um homem sentado em vossa poltrona e escrevendo em vossa ardósia. Ele me olhou na cara e eu o vi distintamente, ou jamais vi alguém neste mundo. – Ele! Quem? – Só Deus o sabe, senhor! Eu vi esse estranho que, em minha vida, jamais houvera visto em qualquer parte. – Vós vos tornastes louco, Sr. Bruce. Um estranho! e lá se vão seis semanas que estamos no mar. – Eu sei; contudo o vi. – Muito bem! Ide ver quem é. – Capitão, sabeis que não sou um poltrão; não creio em aparições; entretanto, confesso que não desejaria vê-lo só e de frente. Gostaria que fôssemos ambos. O capitão desceu primeiro, mas não encontrou ninguém. – Vede bem, disse ele, que sonhastes. – Não sei como é isto, mas juro que há pouco ele estava lá e escrevia em vossa ardósia. – Neste caso, deve haver algo escrito nela.

Tomou a ardósia e leu estas palavras: Dirigi para o noroeste. Tendo feito Bruce escrever as mesmas palavras, assim como todos os homens da tripulação que sabiam escrever, constatou o capitão que a letra da ardósia não se assemelhava à de nenhum deles. Procuraram por todos os cantos do navio e não descobriram nenhum estranho.

Tendo consultado para saber se devia seguir o conselho misterioso, o capitão resolveu mudar de direção e navegou para noroeste, depois de ter posto como vigia um homem de confiança. Por volta das três horas foi assinalado um bloco de gelo, depois um navio desmastreado sobre o qual havia vários homens. Aproximando mais, soube-se que o navio estava quebrado, as provisões esgotadas, a tripulação e os passageiros esfomeados. Enviaram barcos para os recolher. Mas no momento em que chegaram a bordo, o Sr. Bruce, para sua grande estupefação, reconheceu entre os náufragos o homem que tinha visto na cabina do capitão. Logo que foi acalmada a confusão e o navio retomou sua rota, o Sr. Bruce disse ao capitão: – Parece que não foi um Espírito que vi hoje; ele está vivo; o homem que escrevia em vossa ardósia é um dos passageiros que acabamos de salvar. Ei-lo. Eu juraria perante a justiça.

Dirigindo-se ao referido homem, o capitão o convidou a descer à sua cabina e lhe pediu que escrevesse na ardósia, do lado oposto àquele onde se achava a escrita misteriosa:

Dirigi para o noroeste. Intrigado por esse pedido, o passageiro, entretanto, com ele se conformou.

Tomando a ardósia, o capitão virou-a, sem nada transparecer no semblante, e, mostrando ao passageiro as palavras escritas antes, disse-lhe: – É mesmo a vossa letra? – Sem dúvida, pois acabo de escrever diante de vós. – E esta aqui? acrescentou, mostrando o outro lado. – Também é a minha letra; mas não sei como aconteceu isto, pois só escrevi de um lado.

Meu substituto, aqui presente, julga vos ter visto hoje, ao meio dia, sentado a esta mesa e escrevendo estas palavras. – É impossível, porque só há poucos instantes me trouxeram para este navio.

O capitão do navio naufragado, interrogado sobre este homem e sobre o que se teria passado de extraordinário com ele, pela manhã, respondeu: – Não o conheço senão como um de meus passageiros; mas pouco antes do meio-dia ele caiu num sono profundo, do qual só saiu depois de uma hora. Durante o sono ele exprimiu a confiança de que logo iríamos ser resgatados, dizendo que se via a bordo de um navio, cuja espécie e enxárcia descreveu, em tudo conforme ao que tivemos à vista alguns momentos depois.

O passageiro acrescentou que não se lembrava de haver sonhado, nem de ter escrito o que quer que fosse, mas apenas que conservara, ao despertar, um pressentimento que não sabia explicar, de que um navio lhes viria em socorro. Uma coisa estranha, disse ele, é que tudo quanto está neste navio me parece familiar e, entretanto, estou certo de jamais o ter visto. Acerca disso o Sr. Bruce lhe contou as circunstâncias da aparição que havia tido e eles concluíram que o fato era providencial.”

Esta história é perfeitamente autêntica. O Sr. Robert Dale Owen, antigo ministro dos Estados Unidos em Nápoles, que igualmente a relata em sua obra, cercou-se de todos os documentos que pudessem constatar a sua veracidade. Perguntamos se ela possui alguns dos caracteres da alucinação! Que a esperança, que jamais abandona os infelizes, tenha seguido o passageiro em seu sono e lhe tenha feito sonhar que lhes vinham socorrer, compreende-se. A coincidência do sonho com o socorro podia ainda ser um efeito do acaso; mas como explicar a descrição do navio? Quanto ao Sr. Bruce, ele está certo de que não sonhava. Se a aparição fosse uma ilusão, como explicar essa semelhança com o passageiro? Se ainda fosse o acaso, a escrita na ardósia é um fato material. De onde vinha o conselho, dado por esse meio, de navegar na direção dos náufragos, contrariando a rota seguida pelo navio? Que os defensores da alucinação tenham a bondade de dizer como, com o seu sistema exclusivo, poderão dar a razão de todas essas circunstâncias. Nos fenômenos espíritas provocados eles têm o recurso de dizer que há trapaça; mas aqui é pouco provável que o passageiro tenha representado uma comédia. É nisto que os fenômenos espontâneos, quando apoiados em testemunhos irrecusáveis, são de grande importância, por não se poder suspeitar de nenhuma conivência.

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