segunda-feira, 18 de abril de 2022

Justiça da Reencarnação

 Casa Espírita Missionários da Luz Mocidade > 14 anos – 01/04/2022 e 08/04/22

Tema: Justiça da Reencarnação                     Estudo híbrido: presencial e virtual (Google Meet)

Objetivos:

- Reconhecer na reencarnação, a ação da justiça divina e o meio de evolução dos Espíritos;

- Estudar as histórias das 3 encarnações de um grupo de Espíritos, relatados na trilogia de Nas Voragens do pecado.

Bibliografia:

- O Livro dos Espíritos, pergs 167 à 171 (Da Pluralidade das Existências), Cap. V (item 222), parágrafos 6* ao 9*; perg 258 (Escolha das Provas), 262, pergs. 392 e 393 (Esquecimento do Passado);

- Evangelho, Cap. VI (O Cristo Consolador), item 4 – 3* e 4* parágrafos;

- Trilogia de Yvonne Pereira: Nas Voragens do pecado, O Cavaleiro de Numiers, O Drama da Bretanha.

https://pt.slideshare.net/SERDCS/o-cavaleiro-de-numiers-41911428

https://clubedosespiritas.blogspot.com/2012/03/abril-2012.html

(resumos do livro Cavaleiro de Numiers)

https://clubedosespiritas.blogspot.com/2012/04/o-drama-da-bretanha-clube-do-livro-maio.html – resumo do livro Drama da Bretanha

Material: textos com resumo dos 2 primeiros livros da trilogia, 3 pranchetas e 3 canetas.

Desenvolvimento:

1. Hora da novidade, exercícios de respiração profunda e prece Inicial

2. Motivação:

Vamos fazer um pinga-fogo motivacional: sortear quem vai responder a pergunta da vez (são só 3 perguntas de OLE, que vocês já estudaram diversas vezes) e a resposta deve ser completa. Não poder ser SIM nem NÃO.

Se não souber, escolhe outro pra responder, ok?


a) Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena? (OLE, perg. 258)


== > aguardar 30 segundos para a resposta do sorteado. Depois perguntar se o grupo concorda com a resposta dada, antes de ler a resposta de OLE.


Ele próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar, e nisso consiste o seu livre-arbítrio.”



b) E quando o Espírito não tem condições de fazer essas escolhas?

==> repetir o mesmo processo.

== > existem encarnações compulsórias sim, mas normalmente são de Espíritos sem condições de fazer a escolha por eles próprios. São então, auxiliados pelos seus guias espirituais. (OLE, perg. 262 e 262a)

c) Como podemos usar as lições aprendidas nas vidas anteriores, se não nos lembramos delas? ==> repetir o mesmo processo

Não temos, é certo, durante a vida corpórea, lembrança exata do que fomos e do que fizemos em anteriores existências; mas temos de tudo isso a intuição, sendo as nossas tendências instintivas uma reminiscência do passado. E a nossa consciência, que é o desejo que experimentamos de não reincidir nas faltas já cometidas, nos concita à resistência àqueles pendores.” (perg.393 de OLE)

3. Desenvolvimento

A ideia é fazer trabalhos em grupos. Quem estiver no virtual, forma um grupo e usa a própria sala virtual para a discussão (eu tiro o som do tablet).

Cada grupo recebe uma tarefa diferenciada, dentro desse tema da reencarnação.

Informações gerais sobre contexto do livro Nas Voragens do Pecado:

Este romance se passa na França, em 1572.

O desenrolar da estória ocorre desde o instante da terrível noite que ficou conhecida como a Noite de São Bartolomeu, quando os católicos massacraram os huguenotes na França.

Somente em Paris, três mil protestantes foram exterminados nessa noite. A violência estava espalhada por todo o país, o número de huguenotes mortos foi de dezenas de milhares.


A defesa da Religião e da Fé era a desculpa apresentada para o desumano extermínio cujas consequências ainda hoje não se detiveram na perseguição consciencial aos seus propulsores e executores, através da Reencarnação, muito embora quatro longos séculos se sucedessem nas

voragens do tempo!”


Grupo 1 – Caso do personagem Luís de Narbone (Nas Voragens do Pecado) e depois como Henri Numiers (O Cavaleiro de Numiers) – resumir a vida de Luiz de Narbone e pedir que o grupo planeje a segunda encarnação dele.

O grupo deve analisar as características da vida de Luís de Narbonne (social, educacional, familiar, profissional) e suas características pessoais (vícios e virtudes), as escolhas que fez nessa encarnação, as consequências dessas escolhas, e planejar como seria uma próxima encarnação desse Espírito, visando seu progresso espiritual.


Grupo 2 – Caso do mesmo Espírito Luís de Narbonne, na segunda encarnação (Cavaleiro de Numiers). Resumir a vida do jovem Henri de Numiers e o grupo deve planejar a terceira encarnação (Drama da Bretanha).

O grupo deve analisar as características da vida de Henri de Numiers (social, educacional, familiar, profissional) e suas características pessoais (vícios e virtudes), as escolhas que fez nessa encarnação, as consequências dessas escolhas, e planejar como seria uma próxima encarnação desse Espírito, visando seu progresso espiritual.


Grupo 3 - Caso da personagem Ruth-Caroline (Nas Voragens do Pecado) e depois como Berthe de Sourmeville-Stainesbourg (O Cavaleiro de Numiers) – resumir a vida de Ruth-Carolina e pedir que o grupo planeje a segunda encarnação dela.

O grupo deve analisar as características da vida de Ruth-Caroline (social, educacional, familiar, profissional) e suas características pessoais (vícios e virtudes), as escolhas que fez nessa encarnação, as consequências dessas escolhas, e planejar como seria uma próxima encarnação desse Espírito, visando seu progresso espiritual.


Grupo 4 – Caso do mesmo Espírito Ruth-Caroline, na segunda encarnação (Cavaleiro de Numiers). Resumir a vida da jovem de Berthe e o grupo deve planejar a terceira encarnação dela (Drama da Bretanha).

O grupo deve analisar as características da vida de Berthe (social, educacional, familiar, profissional) e suas características pessoais (vícios e virtudes), as escolhas que fez nessa encarnação, as consequências dessas escolhas, e planejar como seria uma próxima encarnação desse Espírito, visando seu progresso espiritual.



Apresentação dos Grupos


a) Apresentação do grupo 1: resumir a história, apresentando os personagens e as características do Luís de Narbonne. Na sequência, qual foi o planejamento que o grupo sugere para sua próxima encarnação.

Características:

- fanático religioso; determinado; rígido; militar;

- rico, bem posicionado na sociedade e politicamente envolvido;

- sincero; afetivamente imaturo.

- criado num convento, tendo o Monsenhor de B como pai. Sem a meiguice de uma mãe, irmãos...


Escolhas:

- nos momentos decisivos da vida, não ouviu a voz da consciência (sentiu angústia no peito ao pensar em ir acabar com os de LaChapelle (que eram a sua família espiritual), nem ouviu os conselhos do seu pai adotivo, o Monsenhor de B.


b) Apresentação do grupo 2: resumir a história, apresentando os personagens e as características do Henri de Numiers. Na sequência, qual foi o planejamento que o grupo sugere para sua próxima encarnação.

Características:

- rico proprietário e ótimo espadachim; alto, forte e destemido; genioso, sem ser mau;

- com pais amorosos, criado e educado numa pequena cidade;

- bondoso, mas dizia-se ateu;

- ciumento, ao ponto de ser agressivo.


Escolhas:

- nos momentos decisivos, se deixou levar pela paixão, pelo desespero, chegando ao suicídio.

- tinha o pai que o amava e aconselhava, assim como os padres Rômulo e Thom, mas não conseguiu resistir aos baques emocionais que teve com a esposa Berthe.


c) Apresentação do grupo 3, que deverá apresentar as características de Ruth-Caroline, e suas escolhas, e qual foi o planejamento que o grupo sugere para sua próxima encarnação.


Características:

- família rica, nobre, culta, que muito a amava; criada na teologia protestante.

- linda, jovem, inteligente, decidida, corajosa, dissimulada, manipuladora.


Escolhas:

- a dor e o desespero de perder toda a família, endureceu seu coração, ficando cega e surda aos conselhos que recebeu (governanta e mordomo da família da amiga que morreu). Esqueceu todos os ensinamentos que recebeu de seu amado irmão, Carlos Felipe II;

- planejou uma vingança cruel e executou-a até o fim. Depois, enlouqueceu de remorsos.


c) Apresentação do grupo 4, que deverá apresentar as características de Berthe, e suas escolhas, e qual foi o planejamento que o grupo sugere para sua próxima encarnação.


Características:

- filha bastarda da criada de uma família rica e nobre, com o irmão da matriarca da família. Ficando órfã, é criada como nobre nessa família, com muito carinho e atenção, até os 10 anos, quando perde a mãe de criação;

- bela, inteligente, volúvel, manipuladora. Usa da beleza para a sedução.


Escolhas:

- se deixou levar pelas paixões, desrespeitando aqueles que a amavam. Ao perder o marido, surtou de desespero e ódio. Planejou e assassinou o conde, que também a amava de forma apaixonada;

- não ouviu os conselhos sábios do Padre Thom, que sempre a amou profundamente;

- adoeceu e morreu em profundo estado de transtornos psíquicos.


Apresentar o quadro com os personagens nos 3 livros, onde se evidencia as relações entre os dois primeiros livros, relatando como foi realmente a vida no último livro Drama da Bretanha.

Falar que essa trilogia é uma autobiografia de Yvonne Pereira, incentivando-os a lerem os 3 romances.

4. Conclusão

Como vimos nas perguntas iniciais de OLE, não temos a lembrança de nossas encarnações passadas, de nossos compromissos, pendências que ficaram, mas temos a intuição, a voz da consciência, que nos aponta o caminho a seguir, os cuidados que devemos ter.

Esses 3 personagens que ficaram com pendências na primeira encarnação da trilogia, escolheram como e com quem estariam na próxima encarnação. E vemos que nunca estiveram sozinhos: Carlos Felipe II (Padre Thom e Victor) sempre esteve junto deles, orientando. Encarnou essas 3 vezes em missão de auxílio a Espíritos queridos que estavam retardatários.

Assim é com todos nós: fazemos nossos planos para cada existência e estamos aqui para vencermos a nós mesmos e nos reconciliarmos com aqueles a quem ofendemos, ferimos.

5. Prece final.


Avaliação:

Estudo realizado em dois encontros.
01/04: encontro com 9 jovens, sendo dois na sala virtual. A motivação foi feita em roda de conversa e houve participação e dúvidas. Não conheciam sobre a matança da Noite De São Bartolomeu na França. Tiveram bastante interesse nas 3 vidas de Yvonne, relatadas nos três livros. Foram feitos os 4 grupos, sendo um deles com os 2 jovens na sala virtual.
Após o encontro, 3 jovens foram buscar os livros para ler!

08/04: encontro com 6 jovens, sendo 2 na sala virtual . A maior parte dos que participaram no primeiro encontro não puderam estar no segundo. O grupo virtual, foi conduzido durante a semana, com a evangelizadora que fica adm a sala virtual. Dos outros grupos, só uma jovem trouxe as reflexões. Os dois do virtual estavam juntos, e com problemas de conexão. Os que estavam presenciais participaram bem.


ANEXOS:



Nas Voragens do Pecado, Yvonne Pereira

O massacre desumano, verificado ao romper do dia 24 de agosto de 1572, ficaria célebre na história mundial sob o nome de "Matança de São Bartolomeu", justamente por ser o dia dedicado ao culto desse santo venerado pela Igreja Católica Apostólica Romana - um dos doze apóstolos

de Jesus-Cristo.


Nessa data, pois, os adeptos da Reforma, os "Protestantes", alcunhados por escárnio, na França, "huguenotes", foram trucidados em massa, na cidade de Paris, pelos soldados da chamada "Santa Liga".


Durante três dias Paris fora assistente indefesa dessa avalanche de sangue e morte. A população, aterrorizada, não lograra serenidade sequer para as refeições e o repouso noturno, porque a tragédia, sem precedentes na História, irrompia a cada esquina da cidade com impetuosidade diabólica!


Grandes e generosos franceses de alta linhagem moral e social sucumbiram nesse dia inolvidável.


Não só Paris fora infelicitada, porém. As províncias, os feudos, as herdades, os casais, as quintas, tudo era invadido pelas forças do Rei e do Sr. de Guise, seus proprietários, se suspeitos de reformistas, trespassados seriam pela espada ou decapitados, pois convinha à politicagem mórbida da poderosa Catarina de Médicis que nem mais um só Protestante florescesse no solo da França - chamada então a filha predileta da Igreja!

A defesa da Religião e da Fé era a desculpa apresentada para o desumano extermínio cujas consequências ainda hoje não se detiveram na perseguição consciencial aos seus propulsores e executores, através da Reencarnação, muito embora quatro longos séculos se sucedessem nas

voragens do tempo!


Informações sobre Luís de Narbonne no livro:

O fiel servidor da grande Rainha, o devoto estudante de Teologia, amigo dos Srs. de Guise, Capitão da Fé.

Chefiava uma tropa militar cuja cavalaria macabra passava em visita aos bairros suspeitos de heresia e revolta…

Aplicado servidor do Rei e da Igreja, daquele estudante de Teologia católica, que pretendia para breve a honra de ser aceito entre o número dos seus sacerdotes…

E um esboço de significativo sorriso floresceu em seus lábios habituados tão-somente ao comandar de soldados e às orações de cada dia…


Família Brethencourt de LaChapelle (CAPITULO II)

No extremo nordeste da França, às margens do baixo Reno e mui próximo de terras da velha e sugestiva Alemanha, existia uma antiga família de autênticos nobres...

Diziam dela que - desde o advento da Reforma, surgida na Alemanha com Martinho Lutero, em 1517, seus últimos avós a ela se lhe haviam de boamente convertido o que a fizera cair no desagrado de grande parte da nobreza,…

vida muito austera e trabalhosa entre o amor da terra, estudos e meditações em torno das Santas Escrituras e da nascente Teologia Protestante, e dedicados a obras piedosas em favor dos infelizes que transitavam por seus terrenos e para além deles, até as fronteiras do Reno...


Seus representantes do momento eram as personagens da presente narrativa - o velho casal Condes Carlos Filipe e Carolina; seus filhos varões - Carlos Filipe II, o primogênito, médico e teólogo luterano (espécie de pastor moderno, das Igrejas Protestantes); quatro outros jovens, e uma menina, jovem de radiosa formosura, angelical e graciosa.

Essa menina, encantamento dos pais e dos cinco irmãos varões mais velhos do que ela, anjo bem-amado da família, chamava-se Ruth-Carolina e nascera quando maior era o entusiasmo de seus pais e irmãos pela crença da Reforma.


Eram, portanto, intelectuais de elevada formação, estudiosos, cultos, mental e moralmente avançados para a época em que viviam.


Carlos Filipe II, (32 anos de idade) o primogênito, além de médico graduado por escolas alemãs, era também delicado poeta (…) e transformara sua vida em um hinário de realizações benemerentes à luz do

Evangelho do Senhor, pois, estudando-o com amor e desprendimento, adquirira capacidades morais para atrair inspirações das forças protetoras do Alto, as quais o tornaram pregador eficiente da Boa-Nova do Cristo de Deus, doutrinador emérito e judicioso, propagandista intimorato e lúcido da Reforma, à base do Evangelho, assim distribuindo consolo e esperança entre as almas entristecidas pelos sofrimentos e a opressão que descobria em cada dia ao redor dos próprios passos. O ensino evangélico, tal como Jesus o concedeu ao povo humilde e de boa-vontade, constituía suprema atração para a sua alma. (…) Educava ele a irmã com esmero e vigilância dignos de um consciencioso mestre. Por sua vez Ruth-Carolina amava e respeitava o como a seu próprio pai, a ambos confundindo no mesmo hausto de afetos de seu coração.


A Trama

Luís de Narbonne soube das práticas huguenotes dos La-Chapelle...


Incômoda apreensão angustiava-lhe o coração, perturbando-o sensivelmente. Consultou, por isso mesmo, a Monsenhor de B... superior do Convento em que se criara e educara, seu mestre e pai adotivo, ao qual se prendia por profundos laços de estima e respeito. Monsenhor de B... porém, homem experiente, coração habituado a longas ponderações no silêncio dos claustros, respondeu pensativo, enquanto o claro Sol do mês de julho se extinguia no poente:

- Luís, meu filho! Desgostam-me sobremodo os compromissos que assumiste com Guise e Catarina para uma perseguição a "huguenote"... Prevejo conseqüências calamitosas para esse empreendimento estranho... e observo que existem aí mais interesses políticos e dinásticos que mesmo religiosos... Detém-te, por quem és! E deixa em paz, no seu rincão, os inofensivos de La-Chapelle...


Mas Luís de Narbonne, em acordo com a rainha, comanda, na noite que ficou conhecida como a Noite de São Bartolomeu, massacre a todos os que estavam num culto protestante na propriedade dos La-Chapelle. Todos foram brutalmente assassinados, exceto Ruth-Carolina que se encontrava ausente, na casa de uma amiga que se encontrava gravemente doente.


Plano de Vingança de Ruth-Carolina

Ruth, a única sobrevivente da família La-Chapelle, assume a identidade da amiga, que morreu, fazendo o funeral como se fosse dela mesma, Ruth-Carolina. Começa então, um plano para envolver afetivamente o jovem Capitão da Fé, para depois de conquistada sua confiança e seu coração, desferir golpe mortal sobre ele.

Assim o faz, e casa-se com Luís de Narbonne. Percebe que se afeiçoou a ele realmente, mas luta contra esse sentimento e leva seu plano de vingança adiante.

Conseguindo se infiltrar no castelo como uma das damas de companhia da rainha Catarina e, em conluio com a rainha, que temia que Luís algum dia pudesse revindicar o trono, arma um plano para atraí-lo ao castelo, sem sua guarda de proteção.

Confiando totalmente na esposa, de quem era completamente apaixonado, Luís de Narbonne vai sozinho ao castelo, sendo preso pela guarda particular da rainha e jogado num dos calabouços do castelo, local onde diversos inimigos políticos de reis e rainhas eram deixados para morrer, sepultados vivos.

Por ser jovem e saudável, Luís amarga três longos anos no calabouço, sem notícias da vida fora do castelo, até que finalmente desencarna.

Ruth-Carolina, após a execução do plano, foge para a Alemanha, onde tinha um noivo prometido, desde a época de seu irmão Carlos Felipe, o príncipe Frederico de G.

Ruth casa-se com o noivo, Frederico.


Capítulo V - Almas Supliciadas

Frederico era o esposo afável e paciente, portador de bondades só comparáveis à sua própria honradez, que rodeava a infeliz esposa de todas as atenções e solicitudes possíveis a um coração de boa-vontade, procurando levá-la a esquecer o passado precipitoso. Ruth amava-o e respeitava-o mui ternamente, reconhecendo-lhe a bondade inexcedível,...

Mas Ruth não estava em paz:

Não passo de miserável pecadora que ultrajou as recomendações do Decálogo no dia em que, diante da Bíblia exposta, jurou desgraçar um ser humano, para a satisfação de um insensato sentimento de ódio e vingança…”

- Atraiçoei o Evangelho do Senhor, meu Fred, como atraiçoei um desgraçado filho de Deus, confiante sob minhas mãos, àquele mesmo renegando, ao Evangelho, quando hipocritamente me permitia atos de um ritual religioso que não era o meu, a fim de melhor enganar o meu próximo. Traí a honra da minha fé, quando falsamente jurei a Deus, diante de um altar, receber e respeitar como marido um homem que eu odiava e a quem pretendia desgraçar, servindo-me da confiança conjugal por mim profanada...”


E crises nervosas, prolongadas, seguiam-se então, como se possessa de um obsessor que se divertisse em apoquentá-la, ou se acionada pelos remorsos que lhe desvirtuavam a mente, produzindo ataques de nervos que a tomavam semilouca.


E assim, foi, até que também desencarnou.


Informações do livro sobre a família espiritual de La-Chapelle

Ora, a família de La-Chapelle, reunida na ocasião por uma concessão feita pelos altos poderes espirituais, em virtude dos méritos pessoais conquistados por todos os seus representantes - amava profundamente, no estado espiritual, o pobre Luís de Narbonne. Tratava-se de Espíritos sinceramente afeitos às virtudes do Cristianismo, com exceção de Ruth, os quais, desde o terceiro século do advento da excelsa Doutrina, vinham apresentando testemunhos dignos dos verdadeiros discípulos do Bem. Durante a permanência na Erraticidade, desejando acelerar o próprio progresso, pediram e obtiveram o martírio pela grandeza do nome do Senhor, desde que daí adviessem exemplos regeneradores para a pessoa do seu próximo. E, assim sendo, já devidamente trabalhados para o feito glorioso, no século XVI, integrados no seio da Reforma para a defesa do Evangelho - a mais generosa e sublime idéia que na época se poderia contrapor aos abusos oriundos da falsa prática do Cristianismo, sucumbiram a um desumano atentado, o que para todos eles constituiu a mais augusta vitória!


O Cavaleiro de Numiers

O romance se passa por volta de 1680.

Na metade do século XVII, houve reunião espiritual para planejamento da reencarnação de Ruth e Luís, e se juntaria a eles o Príncipe Frederico de G.


Henri Numiers, nascera na aldeia de Stainesbourg, na Bélgica, pacato vilarejo com imponentes pinheiros tomado por flores e casarios modestos que envolviam os transeuntes naquela aurora de paz! Filho único de camponeses abastados... recebeu instrução militar... tornou-se soldado, cavaleiro.... alto, forte como um Hércules... não era belo, mas possuía os traços dos homens vigorosos da época. Seus olhos refletiam o seu ser ... conflitos e desequilíbrios que lhe dominavam a alma... porém, estranhamente esse mesmo olhar se enternecia até a meiguice, a humildade quando da lembrança de sua “amada” e de seu protetor. Era genioso sem ser mau. Honesto e incapaz de uma desonra, exigindo de suas relações qualidades similares. Qualidades que o faziam ser respeitado e que o conduziam a atos de verdadeira filantropia cristã, sob o entendimento de que o mais forte deveria proteger o mais fraco. Todavia.... declarava-se ateu.


Fora irmão colaço de Louis... amigos criados desde a infância. Berthe de Soumeville. Sua amiga... sua paixão de outra vida. Enamoraram-se e novamente se casaram. Novas vidas.... antigos destinos... 03 primeiros anos do enlace matrimonial.... a aura do amor parecia derramar suas bênçãos sobre essa união. Porém... todo erro há de ser liquidado. Erros de outras vidas e da mesma vida. Mais uma vez o sentimento desenfreado de “amor” pela bela Berthe lhe acometeu em atitudes irrefletidas... o ciúme, a posse, a necessidade de exercer o domínio sobre aquele ser “angelical” lhe conduziu a humilhação de um suposto contendor.


Novamente a traição... o engano... o abandono... Cavaleiro de Numiers.... novamente humilhado, desonrado, angustiado... A raiva, o desespero, a saudade lhe retornavam do passado e, mais uma vez, lhe dominavam. E a fé que poderia lhe servir de auxílio... lhe faltou. Tristeza, dor, sofrimento...



Berthe de Sourmeville, a desventurada causadora do drama que enche nossas páginas, e triste lição àqueles que desviam do caminho da justiça para perder-se nos lamaçais do egoísmo e demais paixões.

Berthe pouco progredira, mantivera-se estacionária como espírito, cultivando o egoísmo e abrigando as más paixões no coração.

Berthe reencarnara em Flandres a fim de redimir-se , mas reincidira no crime de traição, não se redimira, antes agravava a situação praticando erros mais nefastos.


Príncipe Frederico Século XVI - Louis de Stainesbourg no séc XVII

Herdara da mãe uma debilidade profunda que ameaçava lhe roubar a vida. Marie Numiers tornou-se sua ama de campo e passara a viver no castelo como em sua casa, mas sempre com seu pequeno Henri. Louis, portanto, criara-se ao lado de Henri. Criado junto a prima Berthe e muito afeiçoado a ela, prometeu a mãe protegê-la. Com a morte da esposa querida, o Barão Frederich se abateu e adoecendo foi aconselhado a viajar. Pediu ao filho Louis que o acompanhasse. Este concordou, mas queria levar Berthe, ao que o pai não deixou. Mantém contato com o Padre Rômulo, enviando mensalmente uma mesada para auxílio na educação da prima que ficara com os Numiers.

Louis deseja seguir no aprendizado das belas artes. O pai se refugiava no Sul da França para após uma tuberculose, desencarnar. Louis se vê desamparado, sem recursos com más terras e castelos hipotecados aos primos e não manda mais notícias ou mesada ao Padre Rômulo. O jovem refugia-se no convento na Holanda e aí torna-se culto. Para, cuidar da vida própria sai do convento e inicia vida artística. Louis pensa em buscar Berthe mas passam-se os anos e ele não vai buscá-la. Louis torna-se secretário particular do Conde Ferdnand de Görs que o leva para Flandres. E assim alguns meses após a chegada a Bruges, Louis pede licença ao Conde para visitar a terra natal, onze anos após sua partida, disposto a cumprir sua promessa de matrimônio com a prima Berthe.

Louis aceita hospedar-se na herdade dos Numiers e era respeitado pelos aldeões que achavam que ele sabia honrar a memória dos pais tão queridos por todos. Sua afeição por Henri conservara-se inalterável. Henri feliz com presença de Louis oferece-lhe todos os préstimos até as terras doadas por sua mãe. Mas Louis recusou. O jovem preocupado nota que a presença da prima lhe desperta novamente toda paixão por ela. E temeroso procura sempre a companhia de Henri porque nota ser correspondido. O Conde Louis medita que seria melhor partir. Mas Louis não se animou a deixar a herdade dos Numiers.


A FUGA Nas horas de meditação Louis sentia-se sobressaltado. A consciência acusava-o do erro que praticava e ele, que agora possuía a mulher que amava, não era feliz como seria se esperar. Era inevitável a desgraça no solar de Louis de Stainesbourg e ele o sabia.

Louis pinta um belo retrato de Berth o qual é cobiçado por Ferdinand que insiste em comprá-lo sem entretanto obter sucesso. Mas por este interesse, o Conde aproveita para lançar uma suspeita em Louis que se choca e intimamente compreende nisso uma confissão da relação daquele com sua esposa. O insulto do Conde induz Louis a desafiá-lo a um duelo que culmina com a morte do desafiador.


O DUELO Sentia-se sereno. Depois de dolorosamente vibrar, seus nervos se aquietaram sob a injunção do inevitável. Murmurou para Berthe ”estás perdoada, querida amiga da minha infância”. E foi ao encontro de Fernand, pelas mãos de quem morreu, pedindo perdão a Henri Numiers, compreendendo as leis de justiça.


Berth então entra em desespero pelo remorso, a saudade e decepção, adoecendo e sofrendo delírios, permanece reclusa por dois meses, alimentando seu ódio por Ferdinand a quem responsabiliza totalmente por sua desgraça, sem admitir os próprios erros, até que planeja sua vingança. Ferdinand por sua vez, apaixonado, cada vez mais atraído pela mulher pela qual se julgava amado tornou-se mal humorado e impaciente, insistiu em procurá-la por cartas intencionando até desposá-la. Até que um dia ela responde marcando encontro na casa dela, onde o atrai para assassiná-lo por envenenamento, cumprindo assim sua vingança.


Antoine Thomas, ordenando-se padre e tornara-se também professor, pois era senhor de grande cultura intelectual e artística, exercendo sua profissão não somente entre os nobres, mas repartindo-se também a beneficio dos menos favorecidos da sociedade. [...]

Amava Berthe desde sua infância, quando lhe ministrava as letras e a música. “Não a desejava como minha mulher; desejava, sim, a sua presença em minha vida, o seu sorriso e os seus afagos; desejava ser amado por ela á face de Deus, com a pureza com que a amava, vê-la fiel e submissa aos meus conselhos, aos ditames da lei de Deus. Antoine sabendo ser amado por Berthe antes dos seus esposais, recolhera-se, agora, ao mais completo isolamento; fugira, por assim dizer, do convívio da aldeia, a fim de se conservar afastado dela, evitando possíveis expansões futuras.

Quando Louis retorna abalando as estruturas do casamento feliz o Padre Thom se reaproxima na tentativa de guiá-la, orientá-la e tenta convencê-la a resignar-se, voltando-se para Deus; sem sucesso. E com a fuga de Berthe o padre passa a prestar assistência á Henri. Após o assassinato de Ferdnand de Gors, Padre Rômulo e Thom escondem Berthe em um aposento humilde e tratam-na com desvelo paternal; mas não conseguiram pacificar a mente da infeliz mulher.


Drama da Bretanha

A família de Guzman era nobre, sua linhagem começou no século XIII, e espalhou-se por toda a Europa. As famílias de Guzman d’Albert e Guzman d’Evreux, em 1789 – Tomada da Bastilha-, fugiram da França e exilaram-se na Espanha, por via marítima, pois, sendo seu castelo em Vannes fora fácil escapar em embarcações inglesas.


Era Natal do ano de 1804, todos comemoravam o fim da Revolução, Napoleão Bonaparte era Imperador e todos que haviam se exilado poderiam retornar a Paris. Victor o filho mais velho do Conde havia retornado a Saint-Omer, uma aldeia de Vannes, que é uma das principais cidades da Bretanha.


Victor passara longo tempo no Oriente,tornou-se doutor em medicina e ciências esotéricas, fizera o curso no Egito. Ele rendia respeito a todas as crenças, mas rendia-se a renovação cristã.


Durante a festa o Conde anuncia o noivado de Andrea, então com 15 anos, e Alexis, irmão gêmeo de Arthur, os dois tinham 18 anos.


Neste momento, o obsessor de Andrea apodera-se de seus pensamentos e a subjuga (torna-se marionete do obsessor). Os casos de subjugação, são os mais complexos, pois são espíritos que nutrem profundo ódio pelo obsidiado, fazendo de tudo para lhe arruinar a existência.


Victor começou a conversar com a entidade para entender do que se tratava.P.35.

Não existe ódio gratuito!”

Ela só venceria o adversário através do amor ao próximo e a prática do bem.


Andrea de Guzman era solitária,seus pais a repeliam porque não aceitavam suas crises; fora criada e educada por governantas. Seu amparo e conforto moral vinha através dos primos Arthur e Alexis.


Alexis preparava-se para estudar em Paris; Arthur iria para Toulon dedicar-se as armas; Victor dedicava-se a medicina e a educação moral-espiritual da irmã, de seus familiares, dos serviçais e colonos.

A imprudência fez com que Arthur sofresse um acidente. Caiu da sacada da varanda do palácio, ficando paralítico.


Quando desmaiado Arthur vivenciou suas vidas passadas. Relembrou seu suicídio quando era Henri; a matança de São Bartolomeu quando era Luís de Narbonne. Foi esclarecido por seus mentores espirituais a aceitar sua situação com resignação e paciência, pois aquele sofrimento era para benefício próprio; porque como ele cometeu crime contra si mesmo, retornaria do coma como inválido. Agora seria necessário reeducar-se como indivíduo e voltar-se para Deus. A revolta seria perda de tempo.


Arthur despertou modificado, resignado e paciente. Aceitava sua condição de inválido e também a doutrinação de Victor. Iniciou sua reforma íntima através do sofrimento e da dor! Para, desta forma, equilibrar-se com as Leis de Deus.


Marcus de Villiers aparece na trama como personagem que veio como provação para Andrea,que já o havia vilipendiado em outra vida.


Andrea repudiou a ajuda que o Alto enviou através de Victor, desejava reeducá-la para Deus e transmitir-lhe valores edificantes. Ao invés de aproveitar a oportunidade, envolveu-se nas paixões inferiores, dando brechas para a obsessão.


Arnold Numiers, o obsessor de Andrea, afastou-se por alguns anos, a pedido de Victor para que ela pudesse renovar-se moralmente. Ele a vigiava constantemente e, quando percebeu que ela era a mesma perfídia de suas encarnações passadas, retornou com uma enorme fúria.


Ainda noiva de Alexis, entregou-se aos joguetes e a sedução de Marcus e o resultado foi uma gravidez indesejada. Um empregado da casa descobre que Andrea encontra-se com Marcus e conta para Arthur.


O Conde descobre a traição da filha e a obriga ficar noiva de Marcus, casariam - se nas próximas semanas. Alexis é chamado a Saint-Omer e descobre a traição de Andrea. Ela fica apavorada e entrega-se a ação do obsessor. Está disposta a se matar, não casaria com Marcus.


O Conde reuniu o Conselho de Família para comunicar o rompimento do compromisso com Alexis e o casamento com Marcus.


Ela encontra-se com Alexis e o convence a se jogar do precipício com ela.

Andrea já marionete do obsessor, atende todas as suas sugestões;Arnold deseja vingar-se dela e de Alexis, pois os dois traíram seu filho Henri, então deveriam morrer da mesma forma que ele na encarnação passada.


A princípio Alexis concorda com a sugestão de Andrea; este fora o momento do testemunho. Alexis foi posto a prova, e pediu em prece que obtivesse auxilio de Deus, pois o suicídio é um crime!

Alexis acorda e procura por Andrea e diz que não seguirá com ela para o suicídio. Tenta fazer com que ela mude de ideia, mas ela enlouquece, corre pelo jardim…

Alexis, Victor e o Conde de Guzman correm para alcançá-la, mas ela se atira do despenhadeiro.


Todos sofreram com o impacto do suicídio de Andrea: Marcus ficou com a consciência pesada e foi embora para os Estados Unidos, mudou completamente a sua conduta, formou família e virou protestante. Sempre orava pelo espírito de Andréa.


O Conde de Guzman e a Condessa buscaram conforto na religião, para a dor e a consciência pesada que os oprimia.


Alexis e Arthur seguiram para a Espanha na companhia dos tios, mas fixaram-se num convento de franciscanos.


Alexis tornou-se religioso e protegeu o irmão até a sua desencarnação, aos 25 anos; ambos reconciliaram-se definitivamente. Arthur reencarnara apenas para preencher o tempo que lhe faltava para viver na existência anterior, cortada pelo suicídio. Alexis, depois do suicídio de Andrea, seguiu com a vida através da fé em Deus, de amor ao próximo, humildade e caridade.



Personagens da Trilogia


Nas Voragens (Séc XVI)

Cavaleiro Numiers (Séc XVII)

Drama Bretanha (Séc XIX)

Luís de Narbonne

Henri Numiers

Arthur d’Evreux

Ruth-Carolina de La-Chapelle

Berthe de Sourmeville-Stainesbourg

Andrea de Guzman

Carlos Felipe II

Padre Antoine Thomas

Victor de Guzman d’Albert

Príncipe Frederico de G.

Barão Louis de Stainesbourg, primo de Berthe

Alexis d’Evreux



Texto para o grupo 1 e grupo 3 – Luís de Narbonne, Ruth-Carolina e Príncipe Frederico de G.

Pelos idos de 1570, no extremo nordeste da França, às margens do baixo Reno e mui próximo de terras da velha e sugestiva Alemanha, existia uma antiga família de autênticos nobres...

Diziam dela que - desde o advento da Reforma, surgida na Alemanha com Martinho Lutero, em 1517, seus últimos avós a ela se lhe haviam de boamente convertido o que a fizera cair no desagrado de grande parte da nobreza,… Viviam vida muito austera e trabalhosa entre o amor da terra, estudos e meditações em torno das Santas Escrituras e da nascente Teologia Protestante, e dedicados a obras piedosas em favor dos infelizes que transitavam por seus terrenos e para além deles, até as fronteiras do Reno...

Seus representantes do momento eram as personagens da presente narrativa - o velho casal Condes Carlos Filipe e Carolina; seus filhos varões - Carlos Filipe II, o primogênito, médico e teólogo luterano (espécie de pastor moderno, das Igrejas Protestantes); quatro outros jovens, e uma menina, jovem de radiosa formosura, angelical e graciosa.

Essa menina, encantamento dos pais e dos cinco irmãos varões mais velhos do que ela, anjo bem-amado da família, chamava-se Ruth-Carolina e nascera quando maior era o entusiasmo de seus pais e irmãos pela crença da Reforma. Eram, portanto, intelectuais de elevada formação, estudiosos, cultos, mental e moralmente avançados para a época em que viviam.


Carlos Filipe II, (32 anos de idade) o primogênito, além de médico graduado por escolas alemãs, era também delicado poeta (…) e transformara sua vida em um hinário de realizações benemerentes à luz do Evangelho do Senhor, pois, estudando-o com amor e desprendimento, adquirira capacidades morais para atrair inspirações das forças protetoras do Alto, as quais o tornaram pregador eficiente da Boa-Nova do Cristo de Deus, doutrinador emérito e judicioso, propagandista intimorato e lúcido da Reforma, à base do Evangelho, assim distribuindo consolo e esperança entre as almas entristecidas pelos sofrimentos e a opressão que descobria em cada dia ao redor dos próprios passos. (…) Educava ele a irmã com esmero e vigilância dignos de um consciencioso mestre. Por sua vez Ruth-Carolina amava e respeitava-o como a seu próprio pai, a ambos confundindo no mesmo hausto de afetos de seu coração.


Existia também nessa época, um fiel servidor da grande Rainha, o devoto estudante de Teologia, amigo dos Srs. de Guise, o Capitão da Fé, Luís de Narbonne. Ele chefiava uma tropa militar cuja cavalaria macabra passava periodicamente em visita aos bairros suspeitos de heresia e revolta…

Aplicado servidor do Rei e da Igreja, esse estudante de Teologia católica, pretendia para breve a honra de ser aceito entre o número dos seus sacerdotes


Luís de Narbonne soube das práticas huguenotes dos La-Chapelle… Desde então, incômoda apreensão angustiava-lhe o coração, perturbando-o sensivelmente. Consultou, por isso mesmo, a Monsenhor de B... superior do Convento em que se criara e educara, seu mestre e pai adotivo, ao qual se prendia por profundos laços de estima e respeito. Monsenhor de B... porém, homem experiente, coração habituado a longas ponderações no silêncio dos claustros, respondeu pensativo, enquanto o claro Sol do mês de julho se extinguia no poente:

- Luís, meu filho! Desgostam-me sobremodo os compromissos que assumiste com Guise e Catarina para uma perseguição a "huguenote"... Prevejo consequências calamitosas para esse empreendimento estranho... e observo que existem aí mais interesses políticos e dinásticos que mesmo religiosos... Detém-te, por quem és! E deixa em paz, no seu rincão, os inofensivos de La-Chapelle...


Mas Luís de Narbonne, em acordo com a rainha, comanda, na noite que ficou conhecida como a Noite de São Bartolomeu, massacre a todos os que estavam num culto protestante na propriedade dos La-Chapelle. Todos foram brutalmente assassinados, exceto Ruth-Carolina que se encontrava ausente, na casa de uma amiga que se encontrava gravemente doente.


Ao saber que perdera de forma brutal, toda a sua família, Ruth, a única sobrevivente da família La-Chapelle, assume a identidade da amiga, que morreu, fazendo o funeral como se fosse dela mesma, Ruth-Carolina. Começa então, um plano para envolver afetivamente o jovem Capitão da Fé, para depois de conquistada sua confiança e seu coração, desferir golpe mortal sobre ele.

Indo para Paris, para a residência de sua amiga morta, com sua identidade, Ruth aguarda a passagem do jovem capitão da Fé, com sua tropa militar para a vistoria das ruas da cidade. Era tempo. A centúria do fidalgo enunciado já não distava dos alpendres senão dez passos, arrastando com insólita provocação a sua imponência bélico-religiosa que tinha o poder de fazer tremer toda a População da grande cidade.


Valendo-se do poder da beleza incomum de que sabia ser dotada, Ruth atravessa o terraço e posta-se altivamente no balcão, de olhos fitos no cavaleiro que vem após o estandarte, indicado pelo mordomo da casa, como sendo o Príncipe. Ao Conde Luís de Narbonne todavia, jamais um semblante feminino apresentara graça tão perfeitamente ingênua; jamais um sorriso de mulher adquiriu mais adoráveis expressões e um olhar externara mais candura e surpreso encantamento do que os dessa angelical jovem que parecia absorver a Praça Rosada e a sua beligerante ronda num amplexo de satisfação e ternura!


Notando-a, desenvolta e linda, Luís de Narbonne estacou involuntariamente o cavalo, fazendo, com isso, parar também o séquito, o que resultou um choque de ruídos típicos de uma tropa que se detém inesperadamente… De cenho carregado o Capitão da Fé contempla a jovem, medindo-a com o olhar, como tentando reconhecê-la. Uma vênia respeitosa é-lhe dirigida com suprema elegância pela bela desconhecida. Distingue-lhe ele, inspecioso, os escapulários pendentes do cordão, fornecidos pelo Sr. de Guise aos católicos franceses. Os olhos de ambos se cruzam... e uma centelha indelével, que se tornaria em chama imortal sacudindo-lhes a alma através do porvir, como que ofuscou, pela primeira vez, a inalterável placidez do sangue das veias daquele aplicado servidor do Rei e da Igreja… O cenho carregado descerrou-se então... E um esboço de significativo sorriso floresceu em seus lábios habituados tão-somente ao comandar de soldados e às orações de cada dia...


Assim Ruth segue seu plano e consegue casar-se com Luís de Narbonne. Percebe que se afeiçoou a ele realmente, mas luta contra esse sentimento, levando adiante seu plano de vingança.


Conseguindo se infiltrar no castelo como uma das damas de companhia da rainha Catarina e, em conluio com a rainha, que temia que Luís de Narbonne algum dia pudesse revindicar o trono, arma um plano para atraí-lo ao castelo, sem sua guarda de proteção.


Confiando totalmente na esposa, de quem era completamente apaixonado, Luís de Narbonne vai um final de tarde, sozinho ao castelo, sendo preso pela guarda particular da rainha e jogado num dos calabouços do castelo, local onde diversos inimigos políticos de reis e rainhas eram deixados para morrer, sepultados vivos. Por ser jovem e saudável, Luís amarga três longos anos no calabouço, sem notícias da vida fora do castelo, até que finalmente desencarna.


Ruth-Carolina, após a execução do plano, foge para a Alemanha, onde tinha um noivo prometido, desde a época de seu irmão Carlos Felipe, o príncipe Frederico de G, com quem se casa.


Frederico era o esposo afável e paciente, portador de bondades só comparáveis à sua própria honradez, que rodeava a infeliz esposa de todas as atenções e solicitudes possíveis a um coração de boa-vontade, procurando levá-la a esquecer o passado precipitoso. Ruth amava-o e respeitava-o mui ternamente, reconhecendo-lhe a bondade inexcedível,…


Mas Ruth nunca mais estava em paz:

Não passo de miserável pecadora que ultrajou as recomendações do Decálogo no dia em que, diante da Bíblia exposta, jurou desgraçar um ser humano, para a satisfação de um insensato sentimento de ódio e vingança…”


- Atraiçoei o Evangelho do Senhor, meu Fred, como atraiçoei um desgraçado filho de Deus, confiante sob minhas mãos, àquele mesmo renegando, ao Evangelho, quando hipocritamente me permitia atos de um ritual religioso que não era o meu, a fim de melhor enganar o meu próximo. Traí a honra da minha fé, quando falsamente jurei a Deus, diante de um altar, receber e respeitar como marido um homem que eu odiava e a quem pretendia desgraçar, servindo-me da confiança conjugal por mim profanada...”


E crises nervosas, prolongadas, seguiam-se então, como se possessa de um obsessor que se divertisse em apoquentá-la, ou se acionada pelos remorsos que lhe desvirtuavam a mente, produzindo ataques de nervos que a tomavam semilouca.


E assim, foi, até que também desencarnou.

Texto para o grupo 2 e grupo 4 – Henri, Louis e Berthe

Na aldeia de Stainesbourg, em Bruges, capital da Flandres Ocidental (província da Bélgica), por volta de 1680, vamos encontrar o bondoso Padre Rômulo. Encontramos também, Antoine Thomas, pupilo do Padre, já com seus 30 anos. Antoine tornou-se professor e padre, revelando-se como pessoa bondosa.


O Cavaleiro Henri de Numiers, amigo de Antoine, rico proprietário e ótimo espadachim. Henri era alto, forte e destemido. Era também genioso, sem ser mau. Algumas lições boas aprendeu com seu professor, Padre Rômulo, no entanto teimava em dizer-se ateu.


Henri foi criado junto com Louis Frederych, filho do Barão de Stainesbourg. Aliás, sua mãe foi ama de leite de Louis e o pai de Henri, empregado do Barão, recebeu dele várias propriedades.


A mãe de Louis, muito bondosa, adotou uma criancinha órfã, cuja mãe havia sido camareira em sua casa. A criança era prima bastarda de Louis, e recebeu o nome Berthe. Com o passar dos anos, Berthe crescera com a formosura da mãe, sendo educada como uma nobre, mas não passava de uma bastarda. Quando Berthe tinha 10 anos, a mãe de Louis faleceu mas algum tempo antes sugeriu que Louis, casasse com Berthe quando ela crescesse.


Com a morte mãe de Louis, seu pai resolveu viajar e pediu ao filho que o acompanhasse. Este concordou, mas queria levar Berthe, ao que o pai não deixou. O pai de Louis avisa ao Padre Rômulo e ao casal de Numiers, sua partida para a Alemanha junto do filho e sua decisão de confiar a menina Berthe aos cuidados do casal de Numiers e, para tanto, deixaria a quantia necessária.


O Padre Thom tem a vaga impressão de que amava Berthe desde muitos séculos, e gostaria que ela fosse sua irmã ou filha para melhor protegê-la.


Quando está com 18 anos, Berthe percebe que ama santamente o Padre Thom (Antoine) e era por ele amada. Um amor impossível. Não podia corresponder ao amor de Henri que também a amava. O Padre Thom se impôs paciência e voltou-se a Deus com mais fervor. Berthe não teve forças para renunciar ao amor e volúvel, prejudicou corações generosos de outros rapazes que a queriam com devotamento.

Henri soube que Franz, um dos rapazes da região, queria casar-se com Berthe e enciumado surra barbaramente o rapaz. Uma semana depois, Franz suicida-se de vergonha. Berthe recebe Henri como seu defensor e após beijá-lo, consente em se casar. Um mês depois, se casam.


O casal Berthe e Henri viviam há 3 anos na mais perfeita harmonia e o padre Thom se recolheu ao mais completo isolamento se dedicando a caridade, socorrendo os sofredores do corpo e da alma.


Enquanto isso, Louis se dedica ao aprendizado das belas artes na Holanda. Quando seu pai, após uma tuberculose, desencarna, Louis se vê desamparado e sem recursos. Não manda mais notícias nem mesada ao Padre Rômulo. O jovem refugia-se no convento na Holanda e aí torna-se culto. Para cuidar da vida própria sai do convento e inicia vida artística. Louis pensa em buscar Berthe no Natal pois, com a morte do pai ele passou a ser seu tutor, mas passam-se os anos e ele não vai buscá-la. Louis torna-se secretário particular do Conde Ferdnand de Görs que o leva para Flandres, e a todos conquistava com a sua arte.


Finalmente Louis decide voltar e pede licença ao Conde para visitar a terra natal, onze anos após sua partida, disposto a cumprir sua promessa de matrimônio a prima Berthe. Chegando ao antigo lar, é informado que sua prima havia se casado há três anos com Henri de Numiers.


Louis aceita hospedar-se na casa dos Numiers, pois sua afeição por Henri conservara-se inalterável. Henri feliz com presença de Louis. O jovem preocupado, nota que a presença da prima lhe desperta novamente toda paixão por ela. E, temeroso, procura sempre a companhia de Henri pois, nota ser correspondido.

Henri já começa a desconfiar registrando inconscientemente as vibrações da esposa e Berthe irrita-se com o silêncio de Louis a respeito deles dois. Henri procura o Padre Thom, seu amigo de sempre, e confessa que só agora notava os sentimentos de atração e repulsa que a esposa sentia por ele e por muito amá-la jamais duvidou dela. Confessa também que acha que Berthe jamais esqueceu o primo Louis e é amada por ele.


Padre Thom coloca Padre Rômulo a par dos acontecimentos e este se dirige para Quinta Numiers para apelar a Louis, que possui bom coração, para se afastar. O jovem após longa conversa com o Padre, promete partir na manhã seguinte. Durante a noite, todos jantam em ambiente de paz e harmonia.


No dia seguinte, Berthe foge com Louis, deixando Henri desesperado, que passa a beber com frequência.


Três meses não se tinha notícias do paradeiro de Berthe e de Louis, mas o padre Thom já havia sabido pelos criados do Castelo de Stainesborg, que os primos haviam fugido para Paris. Padre Rômulo também havia descoberto, examinando os restos de cerveja na noite do jantar de despedida de Louis, que Berthe pusera narcótico na cerveja de Henri. Conclui então, que Louis e Berthe estavam combinados, pois a jovem levou roupas e economias.

O que não sabiam é que Louis relutara em levar a prima.


Passados alguns meses, Henri não se recupera da fuga da esposa e se suicida, jogando-se do alto de um penhasco.


Após a fuga, Berthe e Louis se casam pois Louis consegue anular o casamento de Berthe e Henri, pois ela era menor de idade quando se casou com Henri e ele, Louis, como seu tutor legal, não havia consentido no casamento. Porém, o Conde Ferdnand de Görs, que contratava os trabalhos artísticos de Louis, se apaixona por Berthe e a pressiona a tornar-se sua amante, quando Louis ficou doente e sem condições de trabalhar.

Diante da concordância de Berthe em ser sua amante, o Conde levou médicos, medicamentos, recursos para o tratamento da doença. Louis sarou e passou a trabalhar e ganhar ainda mais. Durante dois anos perdurou a situação. Berthe, amante do conde mas triste de ter caído.

O conde então, força uma situação constrangedora para Louis que se vê forçado a desafiá-lo para um duelo, em nome da sua honra.


Louis sentia-se sereno, sabendo que iria morrer pois o conde era excelente espadachim. Murmurou para Berthe ”estás perdoada, querida amiga da minha infância”. E foi ao encontro do conde, pelas mãos de quem morreu, pedindo perdão a Henri Numiers, compreendendo as leis de justiça.


Berth então entra em desespero pelo remorso, saudade e decepção, adoecendo e sofrendo delírios. Permanece reclusa por dois meses, alimentando seu ódio pelo conde a quem responsabiliza totalmente por sua desgraça, sem admitir os próprios erros, até que planeja sua vingança.

O conde, por sua vez, apaixonado, cada vez mais atraído pela mulher pela qual se julgava amado tornou-se mal humorado e impaciente, insistindo em procurá-la por cartas, intencionando até desposá-la. Até que um dia ela responde marcando encontro na casa dela, onde o atrai para assassiná-lo por envenenamento, cumprindo assim sua vingança.


Berthe se veste de homem e foge à cavalo, sem destino, e o animal a levou à sua antiga Stainesbourg. Lá chegando, dirigiu-se temerosa ao Presbítero disfarçada ainda de homem. Os padres Rômulo e Thom receberam-na com tanto calor humano que ela desmaiou ao se sentir segura. No Presbítero, Berthe adoecera gravemente e era mantida escondida. Com remorsos e cheia de pesadelos, vai piorando até que desencarna assistida ainda pelos dois padres, antes que a polícia a encontre.


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